No céu de lusco-fusco

No céu de lusco-fusco

No céu de lusco-fusco eras a luz do sonho e do infinito anoitecer chuvoso com cheiro a terra molhada

eras a fragrância dos campos no suspiro de um violino à sombra da figueira nos primeiros chuviscos do verão

eras a luz da tarde tombada num ramo de flores colhidas ao fim do dia

eras o gesto de quem diz que os braços se enlaçam para aquecer o coração frio

eras a fome e a sede que o êxtase celeste inspira sob um tecto de magnólias

eras o veludo do orvalho nas lágrimas da noite pura ao romper da madrugada

eras tudo… e nada.

Pensamentos XIII e XIV

XIII

A linha recta, caro amigo, não existe.

Deus escreve circular por linhas tortas.


XIV

Não é, exactamente, a falta de fim que define o infinito.

É a falta de princípio.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

O mar é o nosso berço

(adão cruz)

 

 

O mar é o nosso berço

Segundo Richard Dawkins, se recuarmos bastante no tempo, encontramos toda a vida no mar. Em vários pontos da história evolutiva os animais mudaram-se para terra, atingindo por vezes os desertos mais áridos e levando no sangue a água do mar.

Os estágios de transição do êxodo destes nossos pais, isto é, os nossos antepassados peixes, estão amplamente documentados nos registos fósseis. Toda a evolução inicial dos vertebrados decorreu na água, pelo que a maioria dos ramos sobreviventes dos vertebrados continua no mar.

Compreendo agora porque gostamos tanto do mar. Não deve ser fácil encontrar alguém que não goste do mar. Fazer poemas sobre a terra, à beira-mar, ou fazer poemas na terra, sobre o mar, é quase inevitável em qualquer poeta. Não há poeta que não fale em algas e areia, em ondas e maresia. [Read more…]