Praia de Benagil sem Nadador Salvador

IMG_20160804_100633Rumo a sul, nos poucos dias de férias que me restam e procuro locais singulares que nos últimos tempos têm vencido prémios de “o melhor do mundo“. A Praia da Dona Ana é a melhor do mundo, a da Marinha vence no continente Europeu e outras vão conquistando cliques na web opinativa.

E, lá fui eu de chinelo flip-flop, toalha ao ombro a caminho da Praia de Benagil. Quem me acompanha assegura a minha capacidade em fazer justiça ao nome do calçado escolhido porque o som produzido pelos meus pés o imita na perfeição – flip, flop, flip, flop

O areal, pequeno, torna-se ainda menor quando queremos a segurança que nos afasta das arribas, mas o espaço é único. Quase perfeito. A água, molhada, na temperatura perfeita e a suavidade da areia no fundo do mar agrada a todos, até aos mais pequenos. Ou seja, o que a Natureza nos entregou em mãos está perfeito. [Read more…]

Ainda a papelada do Panamá

Por que será que a Suíça, país sem mar e entalado entre montanhas, tem uma das mais poderosas Marinhas Mercantes do mundo?

Azul (muito escuro)

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Tem-se discutido na União Europeia o projecto Crescimento Azul, a que alguns chamam já “mar azul” que, com aparente acerto, proclama : “A inovação na economia azul: materializar o potencial de crescimento e de emprego dos nossos mares e oceanos”. Lemos os propósitos enunciados a propósito desta “Estratégia Marinha” em relatórios e deliberações já publicados e, num primeiro olhar, aquilo parece excelente. Mas, depois, arrebitamos as orelhas. É que um dos efeitos das práticas políticas dominantes na UE, sobretudo na última década e meia, foi o de nos alertar para as armadilhas desta retórica.”Crescimento Azul: Oportunidades para um crescimento marinho e marítimo sustentável”? Quem não concordaria, há uns anos? E mais: “Considerando que o conceito de Economia Azul abarca um amplo espectro de sectores de actividade económica ligados aos mares e aos oceanos, incluindo sectores tradicionais e sectores emergentes, como sejam os seguintes: pescas, aquacultura, transportes marítimos e fluviais, portos e logística, turismo e náutica de recreio e de cruzeiro,construção e reparação naval, obras marítimas e de defesa da orla costeira, prospecção e exploração de recursos minerais (offshore), prospecção e exploração de recursos energéticos (offshore), biotecnologia, entre outros;…”. [Read more…]

A praia: fronteira com o mar

Museu Marítimo de Ílhavo: no próximo dia 21 de Outubro, uma conferência por John Mack, curador do British Museum e autor do livro The Sea, a Cultural History (Reaktion Books, 2011) abre um seminário que quer pensar em voz alta a nossa relação com o mar, nos domínios cultural, estético e científico.

 

Mack The Sea Cover

Uma organização do CIEMar-Ílhavo. Participação gratuita.

O mar-mãe

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Um seminário itinerante vai percorrer o País pensando o Espaço e a Paisagem no cinema português, território em que desde logo cabe o mar, sendo-lhe dedicada a primeira sessão já no próximo dia 17 de Setembro no Museu Marítimo de Ílhavo, um dos mais belos e importantes lugares de memória de Portugal. [Read more…]

Eu, tu e o Tejo

Eu,Tu e o Tejo

‘Tá Mar!

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As ondas estão altas e a marés duras, mais alta e dura está a estupidez de quem se apresta a insistir nas mesmas soluções falhadas que transformaram a costa portuguesa num gigantesco catálogo de insanidade urbanística, ecológica e estética. Parece que os arrogantes domesticadores da natureza do século passado não aprenderam nada. Não compreendem que os ciclos da natureza respiram fundo e o facto de um pedaço de areal ter uma, duas ou três décadas alguma estabilidade não é garantia que ali se tenha uma praia para a eternidade. Hoje concessionam-se praias e infraestruturas como se não houvesse amanhã.

Dá-se como certo o que, pela sua natureza, é variável. Lembro-me de, em miúdo, ouvir os protestos desconfiados dos velhos (do Restelo, chamavam-lhes) chamando a atenção:”isto não é praia, o mar aqui é um cão, tenham juízo”. Qual quê? Inventaram-se praias por toda a costa e construíram-se edifícios onde antes só havia palheiros onde os pescadores guardavam as artes. [Read more…]

A Beleza

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A mais bonita de todas a mais bonita da festa a mais bela do mundo.

Uma estrela que caiu lá de cima e rolou por ali abaixo percorrendo as ruas da cidade a luzir e a cantar de uma forma quase imaterial quase sonhada quase santificada.

Há muito que a beleza me não enchia de tanta poesia há muito que os olhos se não molhavam desta forma há muito que eu não sabia dizer coisas assim com tanta verdade.

Os rios correm para o mar mas tu és um rio que nasce no mar e avanças sobre mim afogando-me nas tuas ondas.

Parecendo às vezes um lago tranquilo de um qualquer paraíso entras em mim como um tornado revolves tudo até ao fim de mim mesmo e quando a tua força acalma restituis-me sob a forma de um verso ou de um beijo a minha própria identidade nua e crua. [Read more…]

Portugal, Vira-te Para o Mar…

Puôrto, novembro de 2011. Ao longe, no canto inferior* direito, dois submarinos estrategicamente colocados.

* não se vêem mas eles estão lá.

Summer time…

©Pedro Noel da Luz

One

©Pedro Noel da Luz

A praia de Mangualde não é para parolos

A prática de ir a banhos, marítimos, começou nos arredores de Lisboa e ao longo do século passado foi-se espalhando pela nossa defunta faixa costeira. A genial ideia de fazer da areia uma churrasqueira de pele humana, entremeada com uns mergulhos no pobre Atlântico, é responsável pela maior atentado ecológico e paisagístico da nossa história. Onde havia dunas, areais, paisagem, hoje temos apartamentos, bares e consumidores compulsivos de protector solar.

Como todos os que amam o Mar, odeio as praias, tal como estão desde a década de 70. Ainda me recordo delas, local de trabalho dos pescadores da arte da xávega, da praia sem toldos, chapéus e outras barracas, mas já recordo pouco. [Read more…]

Ah, se o Mar em que Navegamos fosse Assim, Calmo

Eu acrescentaria: há um aroma a submarino no mar

“Pode ser tentador discutir o que diz este telegrama ou aquele. Nós não discutimos por uma questão de princípio. Se aceitássemos discutir este telegrama ou aquele estávamos a ser cúmplices e a patrocinar a violação da correspondência diplomática que é essencial à segurança dos Estados”, declarou Paulo Portas, ex-ministro que fotocopiou, e levou para parte incerta, 61893 documentos abrangido pelo segredo de Estado.

Pedro Sales

O Mar – prioridades

A curto prazo, as 35 empresas reunidas no Forum Empresarial para a Economia do Mar, esbeleceram como objectivos:

Marítimo – portuário – envolve portos,transportes,logística e serviços. Tem um peso no PIB de aproximadamente 3.2 mil milhões de euros, empregando cerca de 76 000 pessoas.É preciso tornar os portos portugueses mais competitivos, especializá-los (são sete) com taxas mais baixas e mudar a fiscalidade, criando o imposto de tonelagem. Hoje a Europa, que tomou estas medidas a tempo e horas domina 40% da frota mercantil do mundo!

Pescas, aquacultura e indústria do Pescado – Pesa no PIB à volta de 2.6 mil milhões de euros, e emprega cerca de 90 000 pessoas. Portugal tem uma enorme comunidade de pesca mas o futuro está na aqualcultura do mar.

Construção e reparação naval – Portugal foi muito forte neste sector, pelo menos na reparação naval. vale 400 milhões de euros e quase 13 000 pessoas. A crise é que deu cabo da parte da construção.

Turiamo náutico – Gera actividades conexas , embora valha só 212 milhões de euros e empregue 5 000 pessoas. Exclui o turismo costeiro, mas inclui actividades tão diversas como náutica de recreio, desportos náuticos e submarinos. O turismo de cruzeiro é o único que se mantem, mas são necessários mais terminais, marinas e postos de marração e colocar o país nos pontos de entrada ou de saída.

Energia,investigação e cultura – é o que vem depois, precisa de investigação, ainda está mal estudado. A energia eólica offshore é o futuro, bem como as esperanças que se abrem no campo da biologia.

É uma boa notícia, dois anos após o estudo do Prof Hernâni Lopes ” O Hipercluster do Mar”, as empresas privadas terem as actividades marítimas na sua agenda. A má notícia é que tambem já apareceu a Comissão Interministerial para os assuntos do Mar, a funcionar na dependencia do primeiro ministro.

Com Sócrates vamos ter boys e com boys não vamos ter trabalho e sem trabalho não vamos ter economia do mar…

O Mar – o recurso ignorado

No Expresso Luisa Meireles, aborda o assunto do momento mas que, de tão presente, deveria ser prioridade dos nossos políticos. Mas a verdade é que nada ou muito pouco se faz !
“É o terceiro recurso ignorado depois do solo e da floresta”! A ciência já mostrou que há uma verdadeira “mina oceânica” que pode contribuir de maneira decisiva para a resolução dos nossos problemas económicos. No Programa do Governo está apontado que “o mar deve ser um desígnio nacional”, mas é ignorado.
As autoestradas e meios rodoviários vão elevar os nossos impostos de ambiente que vão carregar na factura da circulação terrestre. Mas o transporte marítimo foi morrendo aos poucos!
Temos uma enorme Zona económica exclusiva (ZEE- 1,7 milhões de quilómetros quadrados ) que pode extender-se a quase o dobro se a ONU vier a aceitar o pedido de soberania sobre a plataforma continental que encerra enormes riquezas .
Temos a quarta maior frota pesqueira da UE mas pescamos pouco (220 mil toneladas/ano) que não cobre as necessidades da população que mais peixe come na Europa. Produzimos cerca de 10 mil toneladas de peixe em aquacultura, quando a República Checa produz o triplo, apesar de estar rodeada de terra por todos os lados.
Sem contar com o turismo costeiro as actividades marítimas empregam cerca de 185 000 pessoas.
(continua…)

Prioridade para o mar: a visão de um estrangeiro

Eu acho que um dos nossos problemas é queremos fazer as coisas da forma mais dificil e ignorar o óbvio.
Esta (re)lembrança do nosso presidente que o mar deve ser (um dos) nossos designios é um pouco o exemplo disto.

Na verdade até nem percebo qual o espanto na sugestão de Cavaco Silva, bastava ter acompanhado já há um ano os posts do meu colega de blog Luis Moreira com a sua série sobre o hipercluster do mar.

Mas isto é tão evidente que na semana anterior a esse discurso, falava eu com Micael Gustafsson, Managing Director da Oresund IT a propósito de Tecnologias de Informação e como elas podem servir de alavanca a outras indústrias e ele referia com algum espanto:

“why do you not combine marine research with ICT research and maybe with creative industries to find some new things… that is something that we have been working a lot in the Oresund region for the last four or five years, trying to combine different sectors”.

A resposta é a habitual… era muito fácil.

Prioridade para o mar: Áreas Protegidas Marinhas

Nos «posts» anteriores: O Hipercluster do mar, Os portos, Centros Náuticos e Exploração Energética


Outras propostas são a criação de uma rede de áreas protegidas marinhas e a identificação do valor económico associado; gestão integrada do mar e das zonas costeiras; programas lúdicos de educação ambiental; aplicação da inovação tecnológica à protecção do ambiente; e criação de competências em Engenharia Ecológica.
Monitorização do Litoral: é necessário um programa de monitorização do litoral e dinamizar a produção de levantamentos topo-hidrográficos, assim como promover a defesa costeira e a valorização das praias. Desenvolver a extracção de inertes em offshore e divulgar cursos especializados em projectos e planeamento de portos de recreio.
Identidade Marítima: plano sistemático de cariz educativo e formativo para recuperar a identidade marítima da sociedade, que revitalize a cultura marítima como parte integrante do Património nacional. Planos sistemáticos de comunicação, conferências, congressos ou temas académicos que identifiquem Portugal com o mar, lançando marcas associadas a esta área.

Prioridade para o mar: Exploração energética

No «post» anterior: Centros náuticos


Devem ser definidas áreas com potêncial de exploração energética (de recursos fósseis e renováveis) e biotecnológica e criados centros de investigação.
Avançar com as tecnologias já disponíveis de aproveitamento do vento em off shore e da energia das ondas. O nosso mar tem áreas de grande potencial quer de vento quer da ondas, e há vários projectos e investidores que já mostraram o seu interesse.
Acresce que com esta energia limpa e inesgotável vai ser possível avançar com a dessalinização da água do mar e tornar esta tecnologia viável economicamente.
Toda a água consumida em Porto Santo já provém do mar e no futuro esta oportunidade, com a escassez de água, que é certa, pode tornar o país altamente competitivo.
INVESTIGAÇÂO APLICADA – são sugeridas a integração de linhas de investigação aplicadas, a criação de uma base de apoio à investigação oceonográfica no Atlântico, parcerias internacionais na área das pilhas de combustível e promoção da certificação de escolas de formação profissional.

Prioridade ao mar – Centros náuticos

no post anterior: Os portos


Para impulsionar os desportos náuticos e a náutica de recreio e dinamizar actividades complementares (turismo de cruzeiros, ecoturismo e turismo de natureza), o projecto do Hypercluster da Economia do Mar propõe a criação de centros do mar, tais como a “Cidade Náutica do Atlântico” em Viana do Castelo – Valimar, o “Arco Ribeirinho Sul – Marina do Tejo”, entre Alcochete e o Seixal, o “Centro Náutico da Baía de Cascais”, entre Cascais e Lisboa, o “Porto do Barlavento”, entre Portimão e Lagos, as “Portas do Mar” em Ponta Delgada, ou a “Escala do Atlântico”, no Faial, Pico ou São Jorge.
Esta área exige a elaboração de um plano estratégico de localização e implantação de apoios à navegação de recreio, a dinamização da “Porta Marítima de Lisboa”, que funcionaria como um grande espaço de recepção, e um novo quadro legal relativo à construção e exploração de portos de recreio. (Prof. Ernâni Lopes e Expresso)

Portugal: Prioridade ao mar – Os portos


Reforçar a capacidade competitiva, dando uma orientação comercial e de gestão portuária e aumentando a sua eficiência económica. Criar um “megahub” no porto de Sines, integrado em redes de portos à escala internacional, o que exige novas frentes de acostagem.
O sistema nacional deverá ter dois “hubs”, um nos portos de Lisbos/Setúbal e outro nos portos de Aveiro/Leixões, com junção das respectivas administrações, criando entidades com dimensão europeia. Terá ainda “hubs” nas regiões autónomas (Ponta Delgada, nos Açores e Caniçal na Madeira) e portos de carga regionais com capacidade até 5 milhões de toneladas (Figueira da Foz,Viana do Castelo,Praia da Vitória e Horta), sendo desenvolvidos como portos de cabotagem e transporte marítimo de curta distância. Ainda terá portos locais sem capacidade de inserção nas redes internacionais (Portimão e Faro).
É fundamental alterar o enquadramento fiscal e legal, que actualmente, não é propício ao desenvolvimento dos transportes marítimos! Um mar de oportunidades!
Amanhã desenvolveremos outro tema enquadrado no estudo do Prof. Ernâni Lopes “Hyper Cluster da Economia do Mar”.

Portugal: Prioridade para o mar (I)


O hypercluster a criar pode ser o novo motor da actividade empresarial nacional, gerar emprego e criar riqueza.
O potencial económico relacionado com a zona marítima foi avaliado em 20 000 milhões de euros, ou seja, 12% do PIB! (in “Hypercluster da Economia do Mar”, de Ernâni Lopes). Este potencial pode ser atingido em 2025. Estas actividades abrangem vários sectores, desde os portos ao turismo, passando pelas pescas e pela energia até à biotecnologia.
Portugal já pediu nas Nações Unidas o alargamento da Zona Marítima Portuguesa, o que daria a Portugal a soberania sobre mais de dois milhões de quilómetros quadrados (23 vezes a área continental). A estratégia passa por:
i) reestruturar rede portuária
ii) centros de mar para náutica
iii) concessão de quintas marítimas
lV) observatório do mar
V) exploração energética
Vl) registo internacional
Vll) criação de estaleiros
Vlll) investigação aplicada
lX)monitorização do litoral
X) Marinha forma civis
Xl) áreas protegidas marinhas.
Iremos ao longo da semana desenvolver cada um destes conceitos. Oxalá o Governo tenha a coragem de colocar esta matéria com prioridade absoluta e deixar-se de TGV. Não há dinheiro para tudo e governar é optar. Esperemos então!

Num domingo qualquer

Um passeio pedonal ao longo da costa, num solarengo dia de fim de Inverno.

Por mim, e serpenteando por entre os demais transeuntes domingueiros, ciclistas de auriculares nos ouvidos fazem de nós peões de gincana. Aqui e além, cães puxam os seus donos ou, pior, correm soltos e livres, apesar das sonoras ordens de comando sem qualquer tipo de obediência. Os constantes latidos de cães que marcam território entre eles.

Na praia, na constante mutável linha de chegada do mar sobre o areal, dois jovens divertem-se sob a mira de uma fotógrafo e de um operador de câmara de vídeo. Parecem estar a registar momentos de alegria que se esforçam por parecer natural, espontânea, certamente para um futuro álbum de casamento.

O passeio prolonga-se, por entre latidos e vozes de comando de donos que fazem pior figura que os caninos que julgam dominar. Escutam-se conversas cruzadas, vê-se gente de calções desportivos a sair de carros estacionados em lugares de deficientes, ostentando óculos escuros tão envolventes ao rosto quanto os óculos usados por mergulhadores.

A meio passo, uma pequena multidão mergulha numa improvisada banca onde se expõe casacos de imitação de pele, que são vistos e revistos pelos curiosos das pechinchas; um pai tira fotografias à sua infanta que parece ter começado a dominar a arte de patinar; um solitário fotógrafo repete fotografias de gaivotas em vôo.

No regresso ao carro, vejo ainda o jovem casal na praia, a tentar seguir as ordens de quem fotografa e filma, para que dúvidas não hajam sobre a sua felicidade. Um grupo de homens de meia-idade aprecia a cena e faz comentários jocosos, um pouco à surdina.

A brisa marítima, carregada de iodo e sal, é saboreada nos lábios salpicados, devolvendo a nossa atenção ao mar, longe de tudo o resto.

Aconteceu num domingo qualquer, e poderia ter acontecido a qualquer um de nós.

De Tanto Olhar

De tanto olhar

Tanto olhar

Olhos perdidos

Na lonjura das águas

Vejo-me nos tempos idos

E recordo as minhas mágoas

.

De tanto olhar

Tanto olhar

.

(Poema e fotografia da exposição “Água e Palavras”)

.

A Madeira já não é um jardim

Quem conheceu a Madeira em 1974/5 fica assombrado com o que vê agora. A ilha foi literalmente destruída com betão! Há quem chame a isto “obra feita” mas  a verdade é que “obra” seria melhorar ou fazer desaparecer as bolsas de pobreza que persistem, manter aquele paraíso de verde e cor. Uma realidade que ninguem pode negar, nesta primeira fase o nível das condições de vida melhorou muitíssimo, o turismo cresceu muito e com ele a hotelaria, construi-se um magnifico aeroporto que já não tira o sono a tripulantes e passageiros. A partir desta primeira fase o que se constrói na Madeira é para alimentar a máquina de construção civil que existe e que precisa de obras. Há sempre mais um túnel, mais uma autoestrada, mais uma ponte em construção ou em projecto, assusta perceber que há autoestradas que correm lada a lado.   [Read more…]

Pensamentos XXI e XXII

XXI

Quando ouvires o rugido do mar,

não esperes que ele te mostre os dentes.


XXII

Toma banhos de sol. Se continuares a sentir-te sujo,

vai para casa e toma um banho normal.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

Coisas boas em Portugal

Um artigo sobre Portugal pelo Embaixador Britânico sobre o nosso país – vale a pena ler!
Dez coisas que melhoraram em Portugal nos últimos 15 anos
Alexander Ellis,
Embaixador Britânico

Chegou a época do espírito natalício. Então, deixemos de lado quaisquer miserabilismos e concentremo-nos nas coisas boas – não como escape mas como realidade. Vivi em Portugal há quinze anos. Agora,  de volta, quero sugerir dez coisas, entre muitas outras, que melhoraram em Portugal desde a minha primeira estadia. Não incluo aqui coisas que já eram, e ainda são,
fantásticas (desde a forma como acolhem os estrangeiros até à pastelaria).
Aqui ficam algumas sugestões de melhorias:

– Mortalidade nas estradas; as estatísticas não mentem – o número de pessoas que morre em acidentes rodoviários é muito menor, cerca de 2000 em 1993 e de 776 em 2008. A experiência de conduzir na marginal é agora de prazer, não de terror.  O tempo do Fiat Uno a 180km/h colado a nós nas auto-estradas está a
passar.

– O vinho; já era bom, mas agora a variedade e a inovação são notáveis, com muito mais oferta e experiências agradáveis. Também se pode dizer a mesma coisa sobre o azeite e outros produtos tradicionais.

– O mar; Lisboa, em 1994, era uma cidade virada de costas para o mar; poucos restaurantes ou bares com vista, e pouca gente no mar. Hoje, vemos esplanadas e surfistas em toda a parte. Muita gente a aproveitar melhor um dos recursos naturais mais importantes do país.

– A zona da Expo;  era horrível em 1994, cheia de poluição, com as antigas instalações petrolíferas. Agora é uma zona urbana belíssima, com museus e um Oceanário <http://www.oceanario.pt/>  entre os melhores que há no Mundo.

– A saúde; muitas das minhas colegas têm feito esta sugestão – a qualidade do tratamento é muito melhor hoje em dia, apesar das dificuldades financeiras, etc. A prova está no aumento da esperança de vida, de cerca de 74 em 1993 para 78 anos em 2008.

– Os parques naturais; viajei muito este ano do  Gerês <http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-Geres?res=1280×1024>  a
Monserrate
<http://www.parquesdesintra.pt/index.aspx?p=parksIndex&MenuId=9&Menu0Id=9>
; tudo mais limpo, melhor sinalizado, mais agradável. O pequeno jardim está, de facto, mais bem cuidado.

– O cheiro. Sendo por natureza liberal nos costumes sociais, não fui grande fã da proibição de fumar – mas, confesso, a experiência de estar num bar ou num restaurante em Portugal é hoje mais agradável com a ausência de tabagismo. E a minha roupa cheira menos mal no dia seguinte.

– A inovação; talvez seja fruto da minha ignorância do país em 1994, mas fico de boca aberta quando visito algumas das empresas que estão a investir no Reino Unido <http://ukinportugal.fco.gov.uk/en/doing-business/>  ; altíssima tecnologia, quadros dinâmicos e – o mais importante de tudo – não
há medo.  Acreditam que estão entre os melhores do mundo, e vão ao meu país, entre outros, para prová-lo.

– O metro de Lisboa.  É limpo, rápido, acessível e tem estações bonitas.

– As cores; Portugal tem e sempre teve cores naturais bonitas. Mas a minha memória de 1994 era o aspecto visual bastante cinzento das cidades, desde a roupa até aos carros. Hoje há mais alegria – recordo um português que me disse, talvez com tristeza, que o país estava a tornar-se mais tropical.

Em termos de imagem, parece-me um elogio!

Esta é a minha lista. E a sua?
Alexander Ellis,


O mar é o nosso berço

(adão cruz)

 

 

O mar é o nosso berço

Segundo Richard Dawkins, se recuarmos bastante no tempo, encontramos toda a vida no mar. Em vários pontos da história evolutiva os animais mudaram-se para terra, atingindo por vezes os desertos mais áridos e levando no sangue a água do mar.

Os estágios de transição do êxodo destes nossos pais, isto é, os nossos antepassados peixes, estão amplamente documentados nos registos fósseis. Toda a evolução inicial dos vertebrados decorreu na água, pelo que a maioria dos ramos sobreviventes dos vertebrados continua no mar.

Compreendo agora porque gostamos tanto do mar. Não deve ser fácil encontrar alguém que não goste do mar. Fazer poemas sobre a terra, à beira-mar, ou fazer poemas na terra, sobre o mar, é quase inevitável em qualquer poeta. Não há poeta que não fale em algas e areia, em ondas e maresia. [Read more…]

Poemas do ser e não ser

                 (adao cruz)

(adao cruz)

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

Onde as mãos do silêncio

Não tardam a entrar

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Nesta tarde de silêncio

Onde a memória da tarde

Arde em silêncio

No mar das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o deserto é imenso

E a sede do teu mar

Cresce em silêncio

No silêncio da tarde

Onde não tarda o silêncio

Do mar das tuas mãos.

A minha cidade é o mar

E o deserto de silêncio

Do mar das tuas mãos.

Não a cidade da fome

Dos caminhos errantes

E das estrelas inseguras

Que ardem em silêncio

Sem fome das tuas mãos.

Daqui te escrevo

Onde o mar não existe

E o deserto é imenso

No silêncio da tarde.

Daqui te escrevo

Desta tarde sem fim

Onde arde a cidade sem mar

E o deserto sem cidade

Onde arde em silêncio

Na tarde das tuas mãos

Todo o silencio da tarde.

Poemas do ser e não ser

A saudade vai de barco

leva na frente a luz vermelha

que fende as águas verdes.

Atrás uma palmeira

menina do deserto

aprisionada no sonho.

Balançam copos de vinho

à flor do mar incerto

e a música desce ao fundo do mar.

O peito estremece

e entrelaça os remos

nas mãos da água

que já não abraça

o ventre do casco verde.

                (adao cruz)

(adao cruz)