
A vida é feita de notícias tristes e a de hoje envolve directamente o Aventar. Morreu o João José Cardoso, nosso autor desde o princípio. Estava internado no Hospital de Coimbra e não resistiu a um cancro que se revelou muito mais rápido do que se esperava.
Soubemos da existência deste «bicho mau» em Julho deste ano, quase ao mesmo tempo que ele. Deu-nos a notícia no seu estilo habitual, sem meias-palavras, anunciando a «provável ausência da minha pessoa» e distribuindo o serviço que tinha com ele. Que era muito.
Entre nós, combináramos nos últimos dias uma viagem a Coimbra, mas já não fomos a tempo.
O JJC, como lhe chamávamos, era a alma deste blogue. Há muito que era assim. Com as suas qualidades e os seus defeitos, com uma escrita brilhante, plasmada em mais de 4 mil posts, uma boa dose de generosidade e um mau feitio que por vezes chegava a ser irritante. Era daqueles que não se deixava ficar, que dava sempre luta, que combatia com convicção o que considerava errado. Lutou até ao fim, escreveu o seu último texto no dia em que morreu.
Dizer que o Aventar não será o mesmo sem ele não passa de um lugar-comum, mas é a mais pura das verdades.
Por aqui, hoje estamos de luto. Estamos e estaremos. Desapareceu um de nós. Porque tudo o resto passa a ser secundário, hoje será dia de recordarmos o nosso João José Cardoso. O nosso JJC.
Até sempre, amigo.
João José Cardoso (1959-2015)
Contribuições para um debate sobre o estado da nação
Caro JJC:
O JJC é uma instituição na “blogocoisa”. O JJC é dos meus bloggers preferidos. O JJC é um gajo a quem gosto de chamar “Amigo”. Por isso, para criticar algo que o JJC escreve eu tenho de pensar duas, não, três vezes antes de começar a dar à tecla.
Ora, com a moral de quem tanto criticou Sócrates no passado sem nunca ter cavalgado a onda da questão da licenciatura e tendo, até, contado a velha história aprendida com o meu Pai sobre o tratamento de “Doutor” nesta terra de Drs (relembrando: o meu Pai, farmacêutico, detestava ser tratado por Dr e sempre recordava que os seus pais não o baptizaram com o nome de Doutor mas de Renato e com ele aprendi essa lição) digo o mesmo ao meu companheiro de Aventar: com tanta coisa que podes (e seu que o fazes como poucos) criticar o Governo, surfar a onda da licenciatura é fraquito.
Olha, vê lá tu, eu até critico o Miguel Relvas: por ainda não ter apresentado o modelo de privatização da RTP; por não ter escolhido o Melchior Moreira para presidir ao Turismo de Portugal depois do excelente trabalho que fez e continua a fazer no Turismo do Porto e Norte; por não defender a Regionalização e, já agora, para alegrar a conversa, por não ser Portista.
Foram algumas as vezes que me cruzei com Miguel Relvas e nunca lhe vi tiques de peneirento, daqueles que gosta que o tratem por “Dr” (desconfio sempre dos que fazem gala de serem tratados como tal). Um tipo absolutamente normal, afável e sempre a trabalhar. Uma vez encontrei-o numa estação de serviço na A3, já ele era Ministro. Partilhava mesa com o seu motorista. Sem peneiras. Tão diferente de outros políticos que conheci e conheço que não partilham mesa com “motoristas” nem com o comum dos mortais.
Agora, é a história da licenciatura. Ontem foi a das pressões e amanhã outra qualquer será apresentada. Para muitos ele cometeu o pecado maior: querer privatizar a RTP. Já não tenho qualquer dúvida, vão obrigar a que pague pela ousadia de mexer em poderes instalados…
Meu caro JJC, que nunca te falte teclas para malhar no Governo (neste, no anterior e nos futuros). Nunca. Só espero que, como em 99,9% das vezes, escolhas os verdadeiros motivos e não tretas de silly season.
Um forte abraço e saudações Portistas!
A não perder:
Liberatura, um novo blogue que promete e mais um filho desta casa que lança um projecto na blogosfera. A árvore cresceu e está a dar frutos.










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