Intelectualidades (a propósito de Saramago)

BLOGGER CONVIDADO – Francisco Leite Monteiro

 

Toda a media, a pretexto desse novo livro de Saramago, tem dedicado largos espaços na divulgação da posição do escritor, das suas declarações e do seu pensar que, só por ironia, se pode classificar de ingenuidade.

Sem usar de rodeios, entenda-se, o que na realidade ele pretende, isto é, pela via da provocação, publicitar e promover a venda do livro – uma mera operação de "marketing".

E, bem vistas as coisas, nada de inédito está a acontecer. É o Saramago e a sua imaginação doentia, uma vez mais, igual a si mesmo, odiento e mefistofélico, embalado, obviamente, pela sua costumeira baixeza reles.

 

Se o Saramago é português, o Mário David quer ser espanhol

Mario David, Aznar

"José Saramago, há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize… E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota!"

Mário David, ao fundo à esquerda, eurodeputado

Frase do Facebook, imagem da sua página do Flickr.

A intolerância

Index Librorum Prohibitorum

"As Horas de Maria" deve ter sido o pior filme que vi na minha vida. Não saí da sala, esgotada, porque a malta se foi entretendo a mandar umas bocas, e concurso de bocas em sala de cinema sempre espairece.  Mas porque me meti eu e mais umas mil pessoas ali dentro, sabendo de antemão que a relação do "realizador" António de Macedo com o cinema era a de um homicida com a sua vítima?

Por causa da propaganda de uma Igreja, neste caso a Apostólica Católica Romana, vulgo ICAR.

Encarniçaram-se de tal forma contra a película apenas porque supostamente tocava um tema religioso quando na realidade apenas apalpava o tédio na sua forma mais pastosa, que aquilo foi sucesso de bilheteira garantido.

É um episódio  tantas vezes repetido que já chateia.

Fizeram o mesmo com o Je vous salue, Marie, os Versículos Satânicos ou o Evangelho segundo Jesus Cristo, obras estas de autores com obra, e que dispensavam a sanha propagandística das religiões.

Existe a presunção entre os fanáticos religiosos de a sua crença ser mais do que simplesmente a sua crença, e glosar os seus dogmas uma blasfémia.

Arrancar os cabelos porque lhes tocaram no tal de sagrado, que não passa de uma convicção pessoal a que ninguém mais está obrigado, saudosos do Index Librorium Prohibithorium só abolido em em 1966, resulta sempre em publicidade gratuita.

E isso Saramago bem o sabe.

 

A Bíblia segundo Saramago

Por estes dias apareceu notícia de um inquérito encomendado pela Sociedade Bíblica Portuguesa segundo o qual:

Em breve deve aparecer outro garantindo que a maior parte dos portistas só lêem o Record quando se querem rir, pensei. Para que raio se faz um estudo destes? Para conhecer o mercado? Vai aparecer uma campanha dirigida ao nicho dos ateus tentando vender Bíblias?

 

Como tudo se explica, descubro agora que Saramago está a lançar um novo livro, na modalidade de lançamento de peso às igrejas.

 

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" – afirma.  É verdade, embora crueldade, natureza humana e sobretudo bons costumes sejam conceitos a enquadrar na História, e ao tempo em que foi escrito o Antigo Testamento esses maus costumes eram apenas os do costume.

 

Devo confessar que como romance histórico até gosto da Bíblia embora não recomende a sua leitura de enfiada. Prestações suaves, até porque a edição original está perdida e a ordem das parcelas ficou um pouco arbitrária.

 

Já o Caim de Saramago até pode ser que o leia mas só depois de conseguir passar das primeiras páginas de uma ou duas obras anteriores que repousam na prateleira chamada Um dia destes ainda vos leio mas duvide que seja hoje, prateleira que depende um bocado da minha longevidade, donde como bom ateu sempre afirmo que Deus queira que os leia, e a medicina ajude, é claro.