A Bíblia segundo Saramago

Por estes dias apareceu notícia de um inquérito encomendado pela Sociedade Bíblica Portuguesa segundo o qual:

Em breve deve aparecer outro garantindo que a maior parte dos portistas só lêem o Record quando se querem rir, pensei. Para que raio se faz um estudo destes? Para conhecer o mercado? Vai aparecer uma campanha dirigida ao nicho dos ateus tentando vender Bíblias?

 

Como tudo se explica, descubro agora que Saramago está a lançar um novo livro, na modalidade de lançamento de peso às igrejas.

 

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana" – afirma.  É verdade, embora crueldade, natureza humana e sobretudo bons costumes sejam conceitos a enquadrar na História, e ao tempo em que foi escrito o Antigo Testamento esses maus costumes eram apenas os do costume.

 

Devo confessar que como romance histórico até gosto da Bíblia embora não recomende a sua leitura de enfiada. Prestações suaves, até porque a edição original está perdida e a ordem das parcelas ficou um pouco arbitrária.

 

Já o Caim de Saramago até pode ser que o leia mas só depois de conseguir passar das primeiras páginas de uma ou duas obras anteriores que repousam na prateleira chamada Um dia destes ainda vos leio mas duvide que seja hoje, prateleira que depende um bocado da minha longevidade, donde como bom ateu sempre afirmo que Deus queira que os leia, e a medicina ajude, é claro.

 

 

 

Comments


  1. Também tenho uma prateleira dessas e preciso de comprar outra, sabes de algum sítio em conta? 

  2. maria monteiro says:

    Há cerca de dois anos a Diocese de Lisboa também realizou (via paróquia) um inquérito algo semelhante… Gosto de ler Saramago e “Caim” será a minha prenda  antecipada neste Natal…


  3. A Bíblia, pela significativa presença na sociedade ocidental, não pode encarada como um simples livro. Independente da forma como se vive a religião, não é para ser encarado de ânimo leve. Goste-se, ou não, é algo que transcende a componente religiosa.Com a sua frase, Saramago está apenas a dizer algo que existe em tudo. Em todas as artes e em todas as acções de todos nós. É uma verdade de La Palice.


  4. então e que mais livros é que nos recomendar ler aos bocados?


  5. Ler aos bocados numa ordem aleatória?Os Lusíadas, têm uma linha decassilábica que perfaz a unidade, e de sílaba a sílaba pensamos sempre, suspirando, nos sonetos. Qualquer um da Agatha Christie se começado pelo fim poupa o princípio e o resto. E depois tudo o que é contos. Nunca percebi porque os ordenam, se apetece sempre lê-los noutra ordem.


  6. Gosto do design inovador dumas que se vendem nos continentes, em ripas. Os livros sempre arejam por baixo, e menos árvores se abateram.

  7. maria monteiro says:

    Duma maneira geral, todos os livros que tenham capítulos bem definidos há sempre tendência para uma leitura “saltada” Os livros de poesia também se prestam muito à leitura “aos bocados”

  8. maria monteiro says:

     A palavra de Amós que tanto incomodava e… continua a incomodar – Amós contra a Injustiça Social Introdução ao livro de Amós na Bíblia  “Amós não se contentava em denunciar genericamente a injustiça social. Ele denunciava: os ricos que acumulavam cada vez mais, para viverem em mansões e palácios (3,13-15; 6,1-7), criando um regime de opressão (3,10); as mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam os maridos a explorarem os fracos (4,2-3); os que roubavam e exploravam e depois iam ao santuário rezar, pagar o dízimo, dar esmolas para sossegar a própria consciência (4,4-12;5,21-27); os juízes que julgavam de acordo com o dinheiro que recebiam dos subornos (5,10-13); os comerciantes ladrões e os açambarcadores sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo(8,4-8)”


  9. Muito obrigado


  10. Eu resolvi um belo dia (em plena crise existencial) ler a Bíblia de uma assentada e fiquei (mais) deprimida. Para preservar a minha saúde mental, abstive-me de ler o Apocalipse… rs Entre Bíblias, “Caims” e Saramagos, prefiro “A leste do paraíso”.

  11. Carlos Gomes says:

    Ao ler o que o Saramgo diz sobre religião lembro-me sempre de uma discussão entre um sacristão e um prior no  tempo das missas em latim

  12. maria monteiro says:

    “Caim – A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.”   Não era 13 de Janeiro, não era tertúlia, não era o Casino da Figueira da Foz, não era  D. José Policarpo … era Saramago em Penafiel e … tudo muda de figura

  13. Natali says:

    Temos a insensatez de extravazar nossas idéias, sem levar em conta que a existência humana é como um sopro. Depois de alguns anos vem a sepultura. Aí então não mais questionaremos e nem poderemos expressar nossos conceitos tão medíocres sobre a existência humana. Quantos hoje, são somente letras de um livro… Todos, sem excessão, não vamos esperar muito para ver o final da história, se não: o da nossa própria. Enfim, descobriremos quem estava com a razão…

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