Diz que é uma espécie de TSU

Luis Marques Mendes em entrevista com Tania Madeira . Conversas com vida .

Foto: Paula Nunes@Diário Económico

Num momento de singular inspiração, Luís Marques Mendes teve este apontamento, digno de figurar na saudosa rúbrica “Concatena, filho, concatena“:

Este imposto sobre o património é uma espécie de TSU de António Costa.

Apesar de há muito viver rendido à perspicácia do barão do PSD, suspeito que Marques Mendes se tenha esquecido de pensar antes deste momento de profecia futurológica. É que, em 2012, a tentativa de Pedro Passos Coelho de retirar rendimentos aos trabalhadores para aliviar a pesada austeridade que pendia sobre os patrões foi, em certa medida, o início do fim político de Pedro Passos Coelho. Encheu ruas e praças por todo o país, com os números a atingir as centenas de milhares de manifestantes. Honestamente, e talvez esteja errado, ou não fosse eu um esquerdalho patego, tenho algumas reservas quanto ao efeito mobilizador de um imposto residual, cobrado a uma ínfima parte da população e cuja condição multimilionária não sei sequer beliscada, no seio da população portuguesa.  [Read more…]

A Fé na Ciência

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“Ciência à beira de descobrir a cura para a doença de Alzheimer – Mundo – RTP Notícias”.

14/9/2016

 

Quem estiver atento reparará que são recorrentes as notícias sobre curas de doenças temíveis, doenças que afectam muito a vida de muitas pessoas. Na verdade, tal como em outras situações, o conteúdo desta notícia (sem link) não corresponde minimamente ao título, que está lá apenas para causar espanto e interesse instantâneo. Trata-se quase sempre de material especulativo, sem nenhuma validação científica nem verificação prática.

A propaganda da Ciência vive deste tipo de truque, desta expectativa estendida ao infinito através dos meios de comunicação que propagam constantemente a descoberta da pólvora, da vacina para o cancro, a cura para a demência, o fim do sofrimento.

Se não estão ocupados nestes falsos milagres, os “cientistas” estão a descobrir novos planetas com água, para lá das fronteiras do sistema solar, acessíveis pela televisão, ou pelos filmes, ou pelos sonhos.

É isto a Fé na Ciência.

Deus tenha compaixão de ti, Nuno Melo

NMPP

No seu mais recente artigo de opinião no JN, Nuno Melo pede a Deus que perdoe o Bloco pelo episódio do cartaz, esse violento tiro no pé que muita água fará ainda correr debaixo da ponte da estratégia política. Lamentavelmente, o eurodeputado foi mais longe e decidiu misturar alhos com bugalhos, metendo lá para o meio brinquedos sexuais, drogas leves e até uma música do Gabriel o Pensador que versa sobre paz e tolerância. Malditos bloquistas que ousam fazer humor com Jesus Cristo e ainda usam vibradores, fumam charros e ouvem rap brasileiro. Hão-de arder todos no fogo do Inferno! [Read more…]

Fé, amor e caridade

Maria Helena Loureiro

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Ao fundo da minha rua há uma outra rua e nessa rua há pensões que já foram mal afamadas e que agora passaram a sérias, com anúncio nos roteiros turísticos e tudo.
Hoje de manhã, quando ia para a paragem do autocarro, vejo quatro mulheres a sair de uma delas, em conversa muito agitada. Estavam vestidas de peregrinas, fatos de treino, coletes refletores, bonés, mochilas e a pronúncia do norte profundo.
“… e o bandalho deixou que a pobrezinha fosse pró hospital tirar o peitinho e amigou-se cua badalhoca, a porca, a ganda puta…”
Abrando o passo e olho, imagino, com o queixo caído.
“Ó! O qué que foi? Nunca viste?!
Fujo a sete pés de tanta fé, amor e caridade…

Oração Para as Minhas Horas de Êxtase

Senhor, meu Deus,
Criador de Todas as Coisas, Visíveis e Invisíveis,
todos os dias vou, com esta minha carne, este meu suor,
estes meus olhos, à procura da Tua Face a fim de entrar em Êxtase.

À brisa do fim da tarde, após ter morto todas as agitações estéreis,
e todas as queixas pelo desconcerto do Mundo e o meu,
sei que Te encontrarei com toda a certeza
no silêncio da grande luz crepuscular
sob o rumor marinho. Só. A sós. [Read more…]

Da Prodigalidade Divina

Jesus2 (1)O excerto que a seguir reproduzo vale por todas as minhas aspirações humanísticas, por todos os meus erros, juízos indevidos, e talvez resuma um dia o que tenha sido minha vida. Há uma grande indiferença e até hostilidade para com a tradição judaico-cristã, mas devo reforçar a profunda felicidade que há para mim em viver impregnadamente os valores e a cultura dos Evangelhos, Caudal de Vida desaguado pelos Textos Sagrados do Antigo Testamento. Especialmente para quantos não cortam Poesia às fatias, a reconhecem em qualquer recanto e aderem a ela porque ao Belo e ao Sublime nunca se resiste, pois não há sofismas nem preconceitos perante o Belo, façam todos muito bom proveito, se conseguirem:

«Ele, que não nasceu da raça humana, nem do desejo humano, nem da vontade humana, mas do próprio Deus, um belo dia juntou tudo e foi-Se embora com a sua herança e o seu título de Filho. Foi para um país remoto… para uma terra longínqua… onde Se tornou como os seres humanos, nada mais. O seu próprio povo não O aceitou e a sua primeira cama foi uma cama de palha! Cresceu entre nós como uma raiz em terra árida, foi desprezado, foi o mais insignificante dos homens, perante o qual se tapa o rosto. Muito depressa conheceu o exílio, a hostilidade, a solidão… Depois de ter gasto tudo levando uma vida de abundância: o seu valor, a sua paz, a sua luz, a sua verdade, a sua vida… todos os tesouros do conhecimento e da sabedoria e o mistério oculto mantido em segredo desde tempos imemoriais; depois de Se ter perdido entre os filhos da casa de Israel; depois de ter dedicado o seu tempo aos doentes (e não aos ricos), aos pecadores (e não os justos), e até às prostitutas, prometendo-lhes que entrariam no reino do seu Pai; depois de ter sido apelidado de glutão e bebedor, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores – a samaritana, o possesso, o blasfemo; após ter dado tudo, até o seu corpo e o seu sangue; após ter experimentado Ele próprio a dor, a angústia e a inquietação d’alma; após ter tocado o fundo do desespero com que Se revestiu voluntariamente ao sentir-Se abandonado pelo Pai, longe da fonte que mana água de vida, gritou da cruz onde estava crucificado: ‘Tenho sede’. Ficou estendido, descansando, no pó e na sombra da morte. E ali, ao terceiro dia, ergueu-Se das profundezas do inferno aonde havia descido, carregado com os pecados e tristezas de todos nós. E de pé, erguido, gritou: ‘Sim, vou ter com o meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’. E subiu de novo ao céu. Então, no silêncio, ao ver o seu Filho e os outros seus filhos, o Pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Trazei a melhor túnica e vesti-Lha; ponde-Lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; comamos e façamos festa! Porque os meus filhos que, como sabeis, estavam mortos, voltaram à vida; estavam perdidos e voltaram a encontrar-se! o meu Filho pródigo trouxe-os de volta!’. Então todos começaram a festejar, vestidos de longas túnicas, lavadas no sangue do Cordeiro».

Pierre Marie (Irmão), «Les fils prodigues et le fils prodigue», Sources Vives 13,
Communion de Jerusalem, Paris (Março 87), p. 87-93.

O mundo ao contrário

Hoje vi, com estes olhinhos que a terra e os bichos vão deglutir, um andor a ser carregado (numa procissão do Norte de Portugal) por um jovem com uma camisola com a cara do Che Guevara!

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O Ernesto deve ter dado umas valentes voltas no caixão. Ou não.

Georges Moustaki 1934-2013

Até hoje

Meu caro,

é isto mesmo que falta ao país e, do meu ponto de vista que é, naturalmente, uma vista a partir de um ponto, o que falta ao governo: pensamento político.

São apenas um conjunto de boys sem formação política, ignorantes da história do país e do partido – recordo apenas Sá Carneiro. Os adjectivos e os insultos ficam nos cartazes das manifs de hoje. Para o Aventar trago apenas uma dúvida:

– continuas a ter fé que o caminho é o que está a ser trilhado, custe o que custar? Continuas a acreditar que o caminho é baixar os custos do trabalho e apostar forte na lógica de que a austeridade vai trazer crescimento?

Eu sugeria que o dinheiro e a aposta do governo fosse para a economia real, via salários e via aposta na produção nacional, tornando real o crescimento de dentro para fora.

Estamos com percursos de fé bem distintos. Eu reconheço que tenho uma vantagem – é que o teu já mostrou que não serve. O meu é o que o povo pediu na rua!

 

A entrevista de justificação de Passos Coelho

Algumas questões sobre a fé e sobre a sua falta

Nos últimos tempos, talvez por isto, por aquilo, ou por muitas outras razões, têm vindo a lume, aqui no Aventar, vários textos que envolvem a fé, a crença religiosa, a sua ausência, o ateísmo.

Por coincidência – ou talvez não – a afluência a Fátima este ano terá batido alguns recordes, segundo ouço nas notícias.

Eu, que não sou crente, nunca compreendi muito bem a forma como crentes e não crentes se tratam mutuamente, um pouco como se uns tivessem acesso a uma verdade suprema que os outros desconhecem em absoluto, uns como se tivessem a superioridade da fé do seu lado e outros como se o que lhes desse superioridade fosse a razão, em ambos os casos com a convicção mais ou menos profunda de que os outros são obscurantistas e os próprios iluminados.

Aparentemente – não sou versado em teologia – tudo começa pela interpretação de um mistério: [Read more…]

DEUS existe? Tem que existir!

Há dias assim. E muitos dias assim, fazem muitas semanas assim! E com dias e semanas assim tudo fica assim assim. Ou antes pelo contrário.

A educação familiar trouxe-me a religião, a burocracia formal de um espaço social com muito pouco sentido. Uma coisa entre o chato e o bulorento. A igreja e não a família, claro.

Depois a idade trouxe leituras e conversas, reflexões, angústias e dúvidas. Viajei com a ciência até ao momento em que tudo começou, mas fica sempre a faltar o antes disso.

Sempre em cima do muro, entre o acreditar e o não acreditar, entre o querer acreditar e o querer desistir. A Céu pensou sobre isto há umas horas.

Pela razão ou pela emoção não cheguei lá. Mas quero chegar.

Mas está complicado – nos últimos dias tenho notado que ele anda particularmente distraído. Será que se eu falar com ele, ele me vai ouvir?

De Joelhos Perante o Santo Sudário

Ao cuidado de A. Cristas, ministra da Fé na Chuva

A net é como a farmácia, há de tudo e para todos. Fui dar com este vídeo, um mashup de Rain Song dos Day of Fire, com imagens de Jesus retiradas de uma série intitulada The Living Bible.

Eu, ateu confesso, te ofereço, Assunção, neste Domingo, com votos de muita chuva. Amen.

a depressão de Fátima

depressão

 Estou ciente de ter escrito e publicado hoje, um ensaio sobre se há fé de Fátima salvar-nos-ia desta falência. Tive o melhor coração para chamar a atenção do povo que não é a fé em uma divindade criada por pastores e que atingiu o mundo inteiro, o que nos salvaria da falência, das dívidas, dos juros do dinheiro em empréstimo, o que operaria o milagre, seria trabalhar e criar riqueza com indústrias transformadoras de matéria-prima e vender a preço de mercado, aos países que carecem delas. [Read more…]

O dia da mãe: história comercial, como Wojtila

história comercial

 ...para Maria da Graça….

 

Agradeço aos meus colegas de Aventar, terem-se lembrado de ser hoje o dia do trabalhador e editado um texto meu, escrito às 6 da manhã, com alterações, por ser a sua base um texto antigo.

Não sei a sorte deste ensaio. Lembro, no entanto, de ter feito queixa e arguido, num outro ensaio, esse juntar o Dia do Trabalhador com o Dia da Mãe. A minha arguição é que a mãe é também uma mulher trabalhadora. Trabalhadora em dois sentidos: para ganhar a vida pata o lar, com ou sem marido, casada, solteira ou amancebada, como a lei classifica, mas mãe por parir crianças denominados filhos, amamentá-los, limpá-los, tratar dos seus estudos, ou, simplesmente, ensinar o que falta aprender, em casa. É o trabalho rotineiro de uma mulher, com ou sem ajuda de membros da família pai, avó, irmã, crianças filhas já crescidas ou amigos especiais. [Read more…]

Portugal Fatimizado

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bandeira do Estado Vaticano

(num país anticlerical)

Bem sei que escrevi e publiquei este texto no último decénio do século XX, em 1999, 13 de Maio, e no Aventar, em 2009. Foi um ensaio de grande sucesso, publicado sem a minha licença, em Revistas científicas da Espanha, na Galiza, traduzido para castelhano na América Latina e nas Revistas em que tenho sido fundador e escritor em Portugal, bem como pela Cambridge University Press. Porque nomear tantos galardões? Por causa de me parecer que este texto é conveniente para estes dias que vivemos, sem governo, sem Assembleia de Deputados, apenas pelo poder do Presidente da República, a quem tenho visto, com a sua mulher, ou na Missa ou no Santuário de Fátima e comungarem de joelhos sobre as pedra da grande praça em frente da Basílica, para se sacrificar em bem do povo… penso eu. Dias em que eu proferia conferências a freiras e padres, com a presença do antigo Bispo que Leiria Fátima, que teve um desencontro comigo e mandou que nunca mais fosse convidado. Ainda bem, a doença que me tem mantido apenas a escrever, não me permite falar em público por mais de meia hora. Nem Fátima me curava…

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Deus à imagem e semelhança do homem

Com base neste texto, Jorge Oliveira explica, erradamente, que a minha ausência de crença em Deus se baseia no facto de que “Deus (e os seus anjos) deixe morrer tantos e poupe apenas uns poucos.” Deus não me preocupa – os homens, sim – e a minha falta de fé não tem explicação: foi algo que me aconteceu e com que vivo confortavelmente até hoje. Não acredito em Deus porque não e, sobretudo, o sobrenatural não me preocupa.

O que disse no texto anterior é mais do que isso: mesmo admitindo que Deus exista, recusar-me-ia a prestar culto a uma entidade que manifesta preferências aleatórias pelos elementos da sua criação. Um Deus omnipotente e sumamente bom não deve fazer isso, seria um abuso de poder inaceitável. Mesmo não acreditando, só posso aceitar um Deus que não se comporte como um tiranete que compensa quem o adular e castiga quem não o fizer. Se Deus, a existir, não me fizer a vontade, o problema será meu, eventualmente.

Quem acreditar em Deus não merecerá ser desrespeitado por isso. O que não consigo respeitar é quem se serve dessa crença para exprimir irresponsabilidades como as daqueles que se afirmam portadores de um privilégio ou que chegam ao ponto de explicar acasos invocando Nossa Senhora de Fátima, num populismo desavergonhado.

De resto, a História da Igreja está carregada de figuras luminosas e sinistras, exemplares as primeiras e condenáveis as segundas. De um lado, temos, por exemplo, São Francisco de Assis, que até correu o risco de ser considerado herege, e, do outro, Torquemada, que, mais do que um nome próprio, passou a ser uma característica. De uma maneira geral, a Igreja, sempre que pôde, nunca quis esperar por Deus, preferindo, sempre, castigar por antecipação todos aqueles que seguiram outros caminhos. Ou seja: o problema é, mesmo, o Homem. Com Deus, será sempre fácil cada um resolver os seus problemas.

religião, a confissão do medo-I parte

La Pietá, Michelagelo Buonarroti, 1499

Por ser um texto longo, o publico em três partes, em datas diferentes

Para o meu neto mais velho, Tomas Mauro van Emden

1.- Definições

Parece-me necessário definir certas palavras do título, para torná-las conceitos. É a regra mínima de hermenêutica ou de interpretação do sentido das palavras. No meu ver, este título precisa de vários esclarecimentos.

Talvez, o primeiro, seja essa minha obsessão de escrever sobre a temática É bem conhecido que não sou um homem de fé e, no entanto, ando sempre a perguntar-me o porquê dos seres humanos procurarem a religião. Especialmente em Antropologia, essa ciência que estuda o pensamento humano em sociedade, no meio do social ou da interacção social. É um facto tão evidente, o objectivo da nossa ciência aparece em todo e qualquer livro de Antropologia, em dezenas de páginas ou num capítulo especial, que torna a redefinir esta ciência sempre em crescimento. Ciência que, normalmente, tem dentro da análise do social, a palavra religião como pano de fundo. Eu próprio tenho escrito livros, ensaios, textos atrevidos, que juntam a religião com a economia, especialmente nos livros de 2002[1], de 1991[2]a e 1991b[3] e na obra colectiva de 2004[4]. [Read more…]

Noites de Fogo

Agualva-Cacém, 2010.

Portugal, Campeão do Mundo de Futebol

Gosto de futebol, do jogo dentro das quatro linhas, confesso que não estou ainda a par do calendário, da divisão de grupos e dos jogos entre as selecções que ultrapassarem a primeira fase.

A ser verdadeiro este calendário, hoje fiquei mais esclarecido em relação às eventuais possibilidades de Portugal chegar, vá lá, às finais ou meias-finais. Dizia o empregado do café onde fui beber a bica que Portugal vai ser campeão do mundo. E explicava: Portugal vai ser segundo classificado neste grupo e, a seguir, vai ganhar à Espanha. Depois defronta e vence a Argentina. Algures, nesta scontas, aparecia ainda a Inglaterra, naturalmente cilindrada pelos apodados “navegadores”. A grande final será contra o Brasil, jogo difícil, claro, mas que os canarinhos perdem sem apelo nem agravo.

Fiquei com um dilema: a fé, ou é uma coisa invejável, ou faz perder todo o contacto com a realidade.

O bispo de Bruges

“O Vaticano anunciou esta Sexta-feira que Bento XVI aceitou a renúncia do Bispo Roger Vangheluwe, da Diocese de Bruges, na Bélgica.
Em breve comunicado, a Santa Sé anuncia a decisão, justificada com o cân. 401 § 2, do Código de Direito Canónico, o qual convida os Bispos a renunciar em caso de doença ou outra causa grave, à imagem do que acontecera no dia anterior com o irlandês D. James Moriarty, da Diocese de Kildare e Leighlin.

Posteriormente, o serviço de informação do Vaticano apresentou declarações do próprio D. Roger Joseph Vangheluwe e do Arcebispo de Bruxelas, D. André-Mutien Léonard.
O agora bispo emérito de Bruges confessou ter abusado durante vários anos de um jovem.
Quando era um mero padre, e por algum tempo depois de ser ordenado bispo, abusei sexualmente de um jovem, refere D. Roger Vangheluwe, nomeado bispo em 1985, ano em que assumiu a diocese de Bruges. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – 25 de Abril de 1974, o Dia de Todas as Perdas

Amanheceu cedo o dia de todas as perdas.

Amanheceu muito cedo o dia de alguns ganhos.

Dali para a frente, tudo foi feito às avessas.

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Naquele tempo, cumpria o serviço militar, e naquela manhã, estava «desenfiado». Desenfiado era o termo utilizado pelos magalas para definir quem, devendo estar de serviço dentro do quartel ou instituição militar, se encontrava fora, normalmente em casa, a dormir.

Ora na verdade, eu estava desenfiado. Dormia a bom dormir quando, pelas oito da manhã, uma tia me telefona a perguntar o que sabia eu da revolução. Nada, não sabia nada. Se calhar era outra intentona como a de Fevereiro, disse. [Read more…]

Seja bem vindo Bento XVl !

Enquanto Presidente de um Estado reconhecido pelo Estado Português com mútua representação diplomática, ao nível de Embaixadas, seja bem vindo!

Como Chefe da Igreja Católica cuja doutrina é seguida por milhões de portugueses, Deus o traga a terras de Nossa senhora de Fátima!

Sou profundamente Cristão e muito pouco católico, desde muito cedo percebi que uma coisa é a hierarquia religiosa e outra, bem diferente, é a Fé de milhões de seres humanos. Por estes tenho um profundo respeito ! Não compreendo a Fé, mas sei que esta sociedade não deixa a milhões de seres humanos outra esperança! Aos desvalidos que ano após ano se deslocam a Fátima à procura de cura; aos pais e mães que procuram conforto; aos filhos que procuram luz. A todos eles respeito profundamente, e sei que a visita do Papa é, para estas pessoas, um momento importante, de alegria e de luz.

Não tenho surpresa nenhuma em verificar que os homens que constituem o universo clerical sejam uma imagem da sociedade. Que outra coisa poderia ser? Os mesmos homens gloriosos e os mesmos homens bestas. Quem alguma vez  pensou que seria coisa diferente, só pode culpar-se a si mesmo, não é verdade que outras “verdades redentoras” se apagaram no tempo de um fósforo, enquanto a Igreja anda cá há séculos?

Seja bem vindo, a esta terra que sempre recebeu generosamente quem a procura , até por uma questão de gratidão, tantos são os seus filhos que procuram fora dela a vida que aqui não encontram.

A Estação da Minha Rua

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A Rua da Estação, Tadim, Ramal de Braga.
Nesta estação param 50 comboios, de serviço público de qualidade, por dia que nos podem levar para Braga, Famalicão, Porto, Lisboa ou Madrid Puerta de Atocha. Daqui o mundo inteiro. É preciso viajar… para não mingar… viajar…!

O cardeal

Cañizares

Volto uma vez mais a esta repugnante foto de António Cañizares, patente num dos posts anteriores, cardeal do jet set espanhol, vivendo em Roma, e que passa a vida em forrobodós, casamentos, baptizados, aniversários, bodas de ouro e prata, de gente rica e famosa. Convidado para abençoar tudo o que seja festas multimilionárias, reaccionário até ao tutano, mostra, com efeito, não ter o mais pequeno sentido do ridículo, mas mantendo o portentoso sentido de orientação nas águas em que ele e a igreja se movem.

Quer a igreja quer o capital sempre coordenaram interesses e estabeleceram estratégias comuns para consolidarem as suas complementares posições. Sempre se engalanaram pomposamente, sempre se calaram perante os graves problemas nacionais e internacionais, e em tudo dão e sempre deram as mãos, em pactos mais ou menos secretos, para atingirem os seus idênticos fins, isto é, a Fé no Capitalismo, a Esperança na exploração e no super-lucro e a apaziguadora caridade de prometer aos pobres a vida eterna.

Fé e doutrina – ciência e razão

Fé e doutrina – ciência e razão

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua “sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está á rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há que deus a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira, a falsificação e o ludíbrio.

A intolerância

Index Librorum Prohibitorum

"As Horas de Maria" deve ter sido o pior filme que vi na minha vida. Não saí da sala, esgotada, porque a malta se foi entretendo a mandar umas bocas, e concurso de bocas em sala de cinema sempre espairece.  Mas porque me meti eu e mais umas mil pessoas ali dentro, sabendo de antemão que a relação do "realizador" António de Macedo com o cinema era a de um homicida com a sua vítima?

Por causa da propaganda de uma Igreja, neste caso a Apostólica Católica Romana, vulgo ICAR.

Encarniçaram-se de tal forma contra a película apenas porque supostamente tocava um tema religioso quando na realidade apenas apalpava o tédio na sua forma mais pastosa, que aquilo foi sucesso de bilheteira garantido.

É um episódio  tantas vezes repetido que já chateia.

Fizeram o mesmo com o Je vous salue, Marie, os Versículos Satânicos ou o Evangelho segundo Jesus Cristo, obras estas de autores com obra, e que dispensavam a sanha propagandística das religiões.

Existe a presunção entre os fanáticos religiosos de a sua crença ser mais do que simplesmente a sua crença, e glosar os seus dogmas uma blasfémia.

Arrancar os cabelos porque lhes tocaram no tal de sagrado, que não passa de uma convicção pessoal a que ninguém mais está obrigado, saudosos do Index Librorium Prohibithorium só abolido em em 1966, resulta sempre em publicidade gratuita.

E isso Saramago bem o sabe.

 

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