Luís Manuel Cunha
Há descobertas verdadeiramente surpreendentes. Há dias, li no Público uma reportagem sobre a formação ministrada na Escola Superior de Polícia. Nela se dizia que aos instruendos, futuros oficiais, era obrigatória a leitura de Eça de Queirós (As Farpas) para que, através dele, tivessem uma noção do que é o Portugal de hoje. Fiquei, confesso, estupefacto. Mas compreendo bem a decisão dos responsáveis da Escola. Dizia Eça que o país vivia numa “pobreza geral”. Esta pobreza geral, continua o escritor, produz um aviltamento na dignidade que leva a que todos vivam na dependência. E, desta forma, nunca temos a atitude da nossa consciência, mas sim a atitude do nosso interesse. Ora, o indivíduo assim rebaixado, “tendo perdido a altivez da dignidade e da opinião, habitua-se a dobrar-se (…). Dobra-se sempre. Propõe injustiças e aceita-as” e, por isso, “julga o favor, a protecção, a corrupção, funções naturais e aceitáveis.” Era assim Portugal em 1871. Ontem como hoje. O país cretinizou-se. Tornou-se raquítico, medíocre, inculto, boçal. Basta atentar nas mensagens de Natal de Cavaco Silva e de Passos Coelho. [Read more…]








Recent Comments