Graciano e a libertinagem

No lançamento da sua candidatura à CM de Lisboa, Nuno Graciano apresentou-se como democrata e militante de um partido democrático, onde aprendeu a lição da democracia, pese embora a ausência de qualquer referência à mui democrática lei da rolha, em vigor desde que André Ventura se sentiu ofendido pelo incorrectês da turba chegana nas redes. Podia dar-se o caso de ser democracia a mais e Nuno Graciano não quis arriscar.

No seu discurso de apresentação, rodeado pela elite da extrema-direita nacional, ao lado de um monumento mandado construir pela elite da extrema-direita que a antecedeu, Graciano alertou para o problema de confundir democracia com libertinagem, que condenou. Não percebo a confusão do candidato: a democracia é, precisamente, o tipo de regime que permite a libertinagem. É, aliás, o regime onde quem quiser ser libertino, seja no campo sexual, na rejeição dos preceitos religiosos ou na falta de disciplina, tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir. E seria de esperar que um democrata, militante de um partido Democrata, onde aprendeu a lição da democracia, tivesse as regras da democracia bem claras. Serão essa democracia, o partido democrata e a lição de democracia que Graciano aprendeu dessa nova estirpe iliberal? A julgar pelos militantes e aliados do seu partido, poderá dar-se o caso.

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