Graciano e a libertinagem

No lançamento da sua candidatura à CM de Lisboa, Nuno Graciano apresentou-se como democrata e militante de um partido democrático, onde aprendeu a lição da democracia, pese embora a ausência de qualquer referência à mui democrática lei da rolha, em vigor desde que André Ventura se sentiu ofendido pelo incorrectês da turba chegana nas redes. Podia dar-se o caso de ser democracia a mais e Nuno Graciano não quis arriscar.

No seu discurso de apresentação, rodeado pela elite da extrema-direita nacional, ao lado de um monumento mandado construir pela elite da extrema-direita que a antecedeu, Graciano alertou para o problema de confundir democracia com libertinagem, que condenou. Não percebo a confusão do candidato: a democracia é, precisamente, o tipo de regime que permite a libertinagem. É, aliás, o regime onde quem quiser ser libertino, seja no campo sexual, na rejeição dos preceitos religiosos ou na falta de disciplina, tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir. E seria de esperar que um democrata, militante de um partido Democrata, onde aprendeu a lição da democracia, tivesse as regras da democracia bem claras. Serão essa democracia, o partido democrata e a lição de democracia que Graciano aprendeu dessa nova estirpe iliberal? A julgar pelos militantes e aliados do seu partido, poderá dar-se o caso.

Viver em democracia pressupõe viver em liberdade. E a liberdade permite-nos ser libertinos, como nos permite acreditar e professar qualquer religião ou defender ideais iliberais. Admira-me até que Nuno Graciano, que trabalhou em programas e estações de televisão onde a libertinagem costuma dar o ar da sua graça (não raras vezes explorada até ao tutano), sem que nunca se tenha mostrado particularmente incomodado com isso, tenha agora este discurso puritano. Ou se calhar já nada me admira, neste admirável mundo novo do iliberalismo. Em Roma sê romano, já dizia o outro.

Comments


  1. Do nuninho, outra coisa nunca seria de esperar…nunquinha!!!!!!!!!!!

  2. Tal & Qual says:

    Estes faxolas andam por tudo o que é sitio a fingir que são democratas !

    E o liberalocas Mendes, está a dar-lhes tempo de antena!
    Vai dar banho ao cão…

  3. Albino Manuel says:

    João Mendes,

    Não vejo tv, desconheço qual o ramo a que Nuno Graciano se dedica. Canto? Música? Mas há tempos, num daqueles programas das duas da tarde de Domingo, ele deu uma entrevista. Sem conotação política perceptível, fiquei com a imagem de alguém furioso com outros. Outros que lhe terão tentado destruir a vida. Quem foi e porquê não faço a mínima ideia. Mas esta candidatura parece vir dessas feridas. Coisas de gente de televisão….

    • POIS! says:

      Pois podemos esclarecê-lo.

      Dedica-se ao terceiro ramo do lado direito do terceiro eucalipto a contar da esquerda de quem vem da Buraca para dentro de Monsanto. Tem andado por lá desde que deixou de apresentar o programa de apanhados da SIC.

  4. JgMenos says:

    «tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir.»

    Num primeiro lanço não consegui passar daqui: fico confrangido quando vejo escrito como pilar da democracia o princípio que se apresenta aos cidadãos como o único unificador de todos os regimes, de teocracias ao comunismo.

    • Paulo Marques says:

      Claro, o pré-crime não existia no regime do botas.

    • POIS! says:

      Pois pergunto se…

      Não seria possível a V. Exa. ficar confrangido só para o ano?

      Porque, nessa altura, poderia prestar um grande serviço ao país. Este ano, por feliz pluviosidade, a seca está controlada.

  5. Paulo Marques says:

    É, aliás, o regime onde quem quiser ser libertino, seja no campo sexual, na rejeição dos preceitos religiosos ou na falta de disciplina, tem o direito a sê-lo, submetendo-se, naturalmente, às consequências legais que daí possam advir.

    Legais e sociais.

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