Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (7) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

«O aparecimento da LUAR, fora da órbita do PCP e de outros movimentos que surgiam com conotação marxista-leninista e envolvidos nos diferendos de carácter predominantemente doutrinário, marcou, em meu entender, uma mudança qualitativa na oposição ao regime, iniciando métodos de luta que outras organizações viriam a adoptar mais tarde, como as BR e a ARA», disse Fernando Pereira Marques.

FPM – Gostaria de acrescentar um pormenor ao que disse há pouco.

CL – Somos todos ouvidos, Fernando.

FPM – Entre o núcleo fundador da Liga de União e Acção Revolucionária, estavam antifascistas que já tinham participado em outras acções com grande impacte, associadas a tentativas mais amplas de derrube do regime: Palma Inácio, além da sua participação nos anos 40 numa tentativa de golpe militar, tinha entrado no célebre desvio do avião da carreira Casablanca – Lisboa para lançar panfletos sobre a capital; Camilo Mortágua foi também um dos que realizou esta operação e esteve ainda na tomada do paquete Santa Maria. Estas acções, apesar das suas repercussões, inclusive internacionais, caracterizavam-se por se inserir na concepção de luta designada por “reviralhista”, animada por figuras como Humberto Delgado e Henrique Galvão que apostavam nessa tradição que durante muitas décadas predominara entre a oposição. [Read more…]

Poemas com história: Defesa de um ladrão de fogo

Este poema, publicado em «O Cárcere e o Prado Luminoso», terá sido escrito pouco antes da Revolução de Abril, quando a luta armada, através das acções da LUAR, da ARA e das BR, começava a ferir as estruturas militares da ditadura. Em 1973, Outubro, salvo erro, aderi ao Partido Revolucionário do Proletariado, que se formara em Setembro, em Argel. Como se sabe, o PRP apareceu como estrutura política das Brigadas Revolucionárias, que já existiam e operavam. Ladrões de fogo era uma designação que eu usava, desde há muito tempo, para os que lutavam contra o regime, fazendo apelo ao mito de Prometeu. O poema é, portanto, uma auto-justificação e, num sentido mais amplo, uma explicação dos mecanismos que levam os homens a pôr em causa a sua liberdade e até o seu bem-estar para lutar por uma causa. Neste caso, o roubar o fogo do Olimpo, o poder, retirando-o da mão dos deuses, os oligarcas, e entregando-o ao povo. Passado este tempo, vejo que apenas simbolicamente o fogo está em poder do povo. Mas já todos aqui conhecem o que penso sobre a Democracia que temos. Vamos mas é ao poema. [Read more…]