A caixa de pandora

Um dos grandes dramas deste ponto a que chegámos, é que as grandes crises (climática, covid, guerra) servem para empresas gigantes aumentarem os seus imorais lucros, enquanto as populações são espremidas até ao tutano. É obviamente inadmissível que os ganhos astronómicos das indústrias farmacêutica, do armamento, energética, sector financeiro, digitais, não sejam adequadamente tributados para mitigar os efeitos destas crises que abalam o mundo na proporção dos seus inesperados lucros.

Os irresponsáveis responsáveis políticos das últimas décadas andaram – e continuam – a servir os interesses das gigantes multinacionais, a submeter tudo ao chamariz do investimento estrangeiro, deixando largamente abertas as portas à fuga para paraísos fiscais, às empresas “caixa de correio”, à compra, a preço de ouro, de títulos de propriedade intelectual de subsidiárias do mesmo grupo, assinando acordos de “livre comércio” feitos à medida dos interesses do grande negócio, sacrificando os direitos humanos e o planeta.

Os governos que elegemos como nossos representantes, entregaram-se, libertaram das regulações os negócios, enquanto a si próprios colocaram pesadas algemas limitadoras do direito a regular. Na mais benevolente das hipóteses, agora, têm medo dos monstros que pariram e continuam no trilho do abismo, para nosso mal. Mas vendo bem, por pensarem em horizontes de quatro ou cinco anos como é seu apanágio, não será medo, mas a mera inércia e conforto, que os impede de retomar as rédeas, de ter e realizar a visão de um mundo mais parcimonioso, duradouro e feliz, em vez de prosseguirem correndo atrás da engorda, de um contínuo crescimento balofo, vazio e destruidor, que só a uma minoria serve.

Talidomida: crime horrendo e impune

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Desde há 25 anos, que se realiza em Badajoz o VIDEOMED, festival bienal de filmes médicos e fórum de telemedicina. Participam médicos, profissionais de saúde pública e de cinema médico ibéricos e de diversos países latino-americanos e africanos (Angola e Senegal estiveram presentes, este ano).

Pela terceira vez, desde 2006, fui membro do júri de películas médicas, na edição realizada entre 8 e 13 do mês em curso. Como sempre, tive a oportunidade de ver filmes com diferentes abordagens; umas mais estreitamente ligadas ao exercício da medicina, outras focadas em problemas médico-humanitários.

De tudo a que assisti e avaliei, os filmes que mais feriram a minha sensibilidade foram aqueles (3) que, 50 anos depois, relembraram os resultados do criminoso fármaco da alemã Grünenthal, a tristemente célebre Talidomida. [Read more…]