Enquanto…

Foto: Ana Moreno

Antes assim fosse….

Lista de Sócio-Enrabadores

O combate político é fodido. Vem um motociclo pela Esquerda e garante-nos que quem nos enraba é a Direita. Vem um Autocarro pela Direita e diz, não, senhor, quem nos enraba em Portugal, desde há décadas, é uma cultura de Esquerda em contraciclo com o resto do Mundo, uma cultura que petrificou a sua Constituição recozida, uma cultura de garantismo de direitos sem dinheiro para os garantir de facto, uma cultura e a sua petrificação mental. Não sei. Na minha lista de sócio-enrabadores há muitos cromos. Refuto, porém que a vocação nacional seja aturar sucessivas enrabadelas governamentais, num País onde a compita pelos orçamentos dita que muitos se comam vivos no grande balde de caranguejos. Só? É discutível. Para os mercados, o Tribunal Constitucional tem sido sado-masoquista e colocado Portugal sob risco ao obstaculizar a premência de reduzir a despesa, der por onde der, antes que as coisas piorem. Odeio a Troyka. Mas odeio ainda mais um caminho covarde e demagógico de a recambiar. O caminho dos seguros, dos semedos, das catarinas, e do diabo a quatro. Na minha lista de caramelos enrabadores cabe um Relvas, dois ou três isaltinos, mas nunca nos esqueçamos dos varas, dos sócrates, dos oliveira e costa, dos lima. A lista de enrabadores é enorme. Para que a havemos de resumir?!

Vítor Gaspar finalmente apanhado

Detido um dos maiores carteiristas de Lisboa

Literacia não é para nós

Hoje no DN, a comissária europeia da Educação e Cultura, Androulla Vassiliou e Petra Laurentien (princesa dos Países Baixos), escrevem em conjunto sobre a Literacia (“precisamos de ser mais ambiciosos“).

Transcrevo parte do texto:

A literacia é essencial na vida moderna. Nas sociedades dominadas pela palavra escrita, é um requisito fundamental para os cidadãos de todas as idades. É crucial para a parentalidade, para conseguir e manter um emprego, ser um consumidor ativo, gerir a saúde e tirar partido do mundo digital.

Porém, quase 75 milhões de adultos não dispõem das competências básicas necessárias para funcionar plenamente em sociedade. A próxima geração não está em vias de melhorar esta situação.

(…) A situação em Portugal, embora seja melhor do que em muitos outros países da UE, não deve deixar margem para complacência.

(…) Os dados estatísticos atuais são maus augúrios para o futuro. As pessoas com um nível insuficiente de literacia têm menos probabilidades de completar os estudos, mais probabilidades de ficar desempregadas e de sofrer de problemas de saúde. As crianças cujos progenitores têm competências reduzidas nesse domínio são mais suscetíveis de ter dificuldades a nível da leitura.

(…) O investimento em serviços de educação de elevada qualidade é um dos melhores investimentos que os países podem efetuar.

(…) É necessário colmatar o fosso socioeconómico, causa principal dos problemas de literacia, garantindo serviços de educação de elevada qualidade a todos.

(…) Se existe uma mensagem importante a dirigir aos governos europeus é a de que precisamos de elevar as nossas aspirações. (…)

Isto não é para nós… não temos governos que invistam em educação como se tem visto; vivemos uma grave crise económica; e os nossos governos não aspiram a valores elevados.

Não percebo, façam-me o obséquio de soletrar

Temos uma crise, e façamos de conta que é da responsabilidade exclusiva dos governos nacionais. Há eleições, e numa primeira fase ganham os partidos que alternam no governo. A crise continua. Agora numa segunda fase começam a cair ambos os partidos responsáveis pela crise, que já vinha de trás, porque todos gastavam acima das suas possibilidades e alternavam no governo, nas empresas públicas e na corrupção.

Logo o que aconteceu ontem na Grécia é perfeitamente normal, desejável, finalmente os eleitores começam a afastar do poder os culpados pela crise, e chama-se democracia. Certo? errado, dizem os comentadores, os mercados, ai jasus que vem aí o comunismo e o fascismo, todos juntos e a cavalo.

Onde é que eu não percebi? Democracia é só quando ganham os mesmos do costume?

Convenhamos

Assisto com naturalidade às confrontações de opinião acerca do actual momento do país, em que, invariavelmente, se atribui culpas aos partidos políticos que estiveram no poder. Ainda que concordando acerca de tais culpas, recordo que temos Governos eleitos democraticamente desde 1976, e que a nossa classe política é feita de portugueses: não foi importada doutro país ou continente.

Não há mais Salazares ou Caetanos para deitar as culpas: chegamos ao descalabro por mérito próprio, porque não fomos capazes de melhor. E prova de que enquanto povo não fomos capazes de fazer melhor, é a expressão numérica da dívida privada. A abstenção não fica atrás e a eleição para cargos de poder político de condenados em processos-crime, também não. [Read more…]