
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

A Eneida, A Odisseia, Os Doze Césares, Gilgamesh, O Livro dos Mortos ou o Hino a Aton, são alguns daqueles textos que para sempre ligarão o Ocidente a um passado que em termos civilizacionais não se encontra assim tão distante, nem no espaço – o cadinho do nosso ethos, o Mediterraneo e a Mesopotâmia – e muito menos ainda, no tempo.
A Bíblia consiste numa amálgama de textos, uns destinados a contar a experiência do povo de Israel, outros que foram assimilando aspectos considerados geralmente aceites, como absolutas verdades originárias da história oral dos povos que habitaram a vasta área marginada a oeste pelo Nilo e a este pelo Tigre e Eufrates.
O Dilúvio, o sonho da Terra Prometida – este nosso Shangri-la do Ocidente indo-europeu – e toda uma série de relatos edificantes que estabeleceram um primado ou conceito de ordem moral, procuravam uma identificação unificadora dos ainda relativamente escassos contingentes humanos, em alguns casos dispersos por um território que à época era infinitamente mais vasto e de difícil acesso para aqueles que quiseram criar raízes, sedentarizando-se. O Êxodo consistiu na lendária base fundamental que uns milénios mais tarde, justificaria a criação de um Estado que se formatou em torno dessa acreditada gesta. Pouco importa se Gilgamesh já tivesse experimentado a enxurrada que dos céus inundou aquele todo o mundo que os semitas, egípcios e até mais a norte os anatólios, consideravam como completo e único. Se o Pai Nosso é fruto da fervilhante criatividade e imaginação de Amenófis IV trasmutado em Akhenaton, a verdade é que hoje surge como a suprema oração, o fio condutor da conversa, ou melhor, do implorar do comum mortal de qualquer uma das religiões do Deus Único .
Vestes sagradas, cerimoniais complexos e carregados de fumos de incensos, chamas purificadoras, águas milagrosas e livros erguidos em direcção à luz solar – talvez aquele deus que ainda resiste no subconsciente da maior parte dos homens -, fazem parte de uma tradição que ininterruptamente se adaptou a novos espaços, realidades étnicas – adequando os ritos e a crença ao passado pagão – e geográficas. Loucos de Deus sempre existiram e sempre existirão, numa quase sempre solitária interpretação de um mundo ao qual, soberbamente se julgam destinados a servir como vingadores de um ente superior, basicamente austero e avesso ao negregado hedonismo. Grosso modo, as histórias edificantes focam contextos muito específicos, onde invariavelmente a fixação da hierarquia, a morigeração de costumes, ou a simples necessidade de zelar pela perfeita saúde física das comunidades, impunham as regras a acatar universalmente. Os cataclismos naturais impuseram algumas semelhanças entre textos de culturas tão distantes quão diversas em vários continentes. A própria necessidade e expressão artística – muitas vezes fortemente condicionada pelo engrandecimento do poder -, levou à adopção de soluções técnicas que os mais crédulos ainda hoje, pensam ser um elo muito longínquo de um passado comum, outrora ligado por um fabuloso continente perdido pleno de super-homens, afinal, a perdida ponte entre nós e o divino.
Bíblias foram queimadas em fogueiras, assim como homens também o foram apenas por acatarem uma versão errónea à luz do oficialismo imperante num certo espaço político e social. O que parece bastante anacrónico e causa perplexidade, é o constante acirrar de posições que de tão irredutíveis se tornam merecedoras da indiferença mais ou menos generalizada. Aqueles que não compreendem – ou fingem não entender – os contextos históricos em que os textos surgiram como uma necessidade para a conformação social, acabam por equivaler-se aqueles outros que à semelhança de autoproclamados filhos de uma das Tribos Perdidas de Israel, vociferam contra os "ímpios" de uma modernidade que não aceitam e querem ver destruída. No fundo, o fanatismo Saramago equivale-se ao de um Menino de Deus, de um Mormon ou de um Hamisch.
O caso deste escritor que nestes dias acaba por preconizar o fim da sua própria pátria de nascimento, parece intencional, decorrendo normalmente de um percurso de vida pautado pelo endurecimento da convicção num destino de predestinado e ao encontro daquele que afinal foi o verdadeiro Mito do Século XX. Pouco lhe importam as histórias, os contos, as experiências e desejos individuais ou colectivos – estes stricto sensu, há que frisar – dos homens que fizeram a pequena e a grande História. O devir de uma supersticiosa certeza, numa constante e maniqueísta liquidação de "inimigos de classe" – descurando assumida e completamente as realidades da inter-permeabilidade entre algumas ou todas -, conduz ao dogma que impõe a destruição do outro. Um dos derrotados do século – e aqui já o alçamos a um muito contestável estatuto que pouco interessa reconhecer ou não -, Saramago finge não ter compreendido a vastidão imensurável de um legado que antes de tudo tenta impor regras onde o conceito de Bem pode ir-se adaptando aos novos tempos e realidades que a sucessão de gerações infalivelmente estabelece.
Para Saramago, a Bíblia parece ser um …manual de maus costumes, crueldade e do pior da natureza humana... Curiosa conclusão que não atende à realidade de outras épocas e á própria necessidade de afirmação da certeza de pertença a um determinado grupo. Apesar disto, não existe vivalma sobre este planeta, que alguma vez tenha escutado uma só palavra do escritor, acerca dos manuais de brutalidades, das cartilhas que impõem pela mais iconoclasta violência, a "construção científica" de um outro homem, tão desumano como Moloch ou tão escravizado a uma quimera como os ilotas. Saramago nem sequer dá conta da clara cópia do preceituado necessário à construção do seu Novo Templo, de uma religião tão tingida de vermelho como as escadarias sacrificais dos aztecas. Pouco lhe importam que as estórias – disso não passam – edificantes da sua religião versem a denúncia, a opressão do imaginado inimigo ou a acefal
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geral em benefício de um imposto dogma. A visão da certeza, do Bem estabelecido pelo Caim da sua Verdade, exclusivamente pertencerá aos eleitos, aos poucos que escolhidos inter-pares, decidem pela amorfa e anónima soma de números em que a humanidade obrigatoriamente se torna, anulando-se como motor da continuidade da própria História.
Agarrado ao encharcado lenço de uma derrota que jamais esperou ver chegar, pouco mais resta ao escritor premiado com o Nobel, senão aferrar-se à sua grande certeza: a metálica matéria. No seu caso, o ouro, não em forma de bezerro, mas da vaidade que lhe garante um final confortável e feliz.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

Mourinho é uma recente prova viva de que as derrotas não são inevitáveis, coisíssima nenhuma. E o jornalista da Cadena SER ficou sem resposta à altura e, pior, sem a informação.

Os africanos invadiram África. Ele há cada coisa…
É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa
The Guardian. O que interessa é a arte, a arte, a arte!

(Foto de Francis Goodman/Getty Images)
Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
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