Contra inquérito à construção de novos colonatos – Israel corta relações com o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Hoje dá na net: A História Sionista
A História Sionista, documentário de Ronen Berelovich onde se retrata a limpeza étnica, colonização e o regime de apartheid impostos à Palestina, com o objectivo de produzir um estado judeu.
Legendado em Português.
Palestina na UNESCO, retaliação de Israel e dos EUA
A UNESCO, estrutura da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura, aprovou por larga maioria o ingresso da Palestina, como 195.º membro da organização – 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções.
Portugal esteve entre os abstencionistas. Fontes do MNE, e segundo julgo saber o próprio ministro, Paulo Portas, justificaram a abstenção de Portugal com a necessidade de alinhamento no seio da UE. Um falsa desculpa, visto que a França votou a favor e, portanto, não houve uma posição concertada a nível dos 27 estados-membros. De resto, a UNESCO é dirigida por Irina Bokova, uma búlgara e cidadã da UE, cujo discurso não poderia ser mais entusiasta, como se prova por esta versão em francês.
Do tom reprobatório do embaixador de Israel, Nimrod Barkan, nada há a estranhar ou a comentar. É um acto que se inscreve na política da agressão e da anexação ilegal de territórios pelo seu país.
Há judeus com cara, há sim senhor
É fatal: escrevo duas linhas sobre sionistas e na caixa de comentários aterra a brigada mossad. Limpinho.
Como não tomo uma parte do povo judeu pelo seu todo, fica aqui um exemplo de que nem todos os judeus evoluíram para sionistas. Norman Finkelstein é atacado por uma jovem chorando lágrimas de crocodilo, e responde-lhe a doer:
E assim fica demonstrado haver quem saiba honrar a memória dos seus pais.
vídeo legendado em castelhano, via Renato Teixeira.
Homens – entulho

(adao cruz)
Homens – entulho
Para além de nós há o mundo, e durante muito tempo ignorei o mundo.
Esqueci as valas comuns que toquei ao de leve, muito ao de leve, não fosse os mortos magoar.
Nas margens verdes do Dniepre, regadas de lágrimas, onde cresceram flores sobre o chão de Babi-yar.
Umas de sal e água no mar quente de Bissau bordando a lodo o cais de Pidjiguiti, outras de sangue esguichado das cabeças à tona de água em último respiro, outras de terra ensopada em rios de morte.
No ventre de um Wiriyamu fuzilado, na penugem de Chinteya, nas balas de Vaina, no esventrar de Zostina.
Nos gestos de um vulcão de raiva, em cada taça de vingança que nem a morte amansa nos túmulos da Palestina.
Sangue de Cristo – In Nomine Patris – mártires sem martirológio, corpos fecundos erguei bem alto os ossos descarnados que a morte é de acordar e semear flores na aposta de outros mundos. Erguei os rostos mirrados dos famintos da Terra, dos homens-entulho da grande vala comum, cavada no peito dos Humilhados e Ofendidos pelos homens sem rosto, rasgada no ventre dos Condenados da Terra pelos homens sem alma.
Palestina – Entre um Whisky e um arroto!
Conhecem-se alguns desenvolvimentos sobre o que aconteceu no navio Mavi Marmara, que foi assaltado por um comando Israelita do que resultaram nove mortos e alguns feridos. Mas os mais importantes testemunhos são-nos dados pelos relatórios das autópsias aos cadáveres e por um Sargento que participou na ocupação do navio. As autópsias indicam que os mortos apresentam mais que uma bala disparada a curta distância e que há pelo menos um que levou um tiro na testa e outros dois, levaram tiros nas costa e na nuca.
O sargento Israelita que reconheceu ter morto seis dos nove activistas, relata que disparou quando descia a corda do helicóptero, e que o fez, porque os seus camaradas que estavam à sua frente a “pousar” na coberta do navio, estavam a ser agredidos pelos activistas e deitados ao mar. Era gente treinada, e com armas para a luta corpo a corpo ( foram encontradas armas e coletes de protecção).
Não sabemos qual será a verdade, o que sabemos é que no teatro de guerra não há bom senso, nem dialogo, nem razão, há mortos e feridos, e tambem sabemos que o que verdadeiramente está em jogo num cenário de “mata, mata” é que uns morrem e outros ficam para contar. E sabemos ainda melhor que quem está de fora, quem não correu risco nenhum, está pronto a apontar o dedo acusador!
Entre dois whiskies tomam-se decisões e partido sem cuidar de ver as circunstâncias que fazem o homem e a sua acção, os bons são os “nossos”, os bandidos, cães, fascistas e nazis são os “outros”. Se alguem tenta colocar a questão ao nível de uma discussão desapaixonada sob o ponto de vista ideológico, interessando compreender para evitar mais dor e sofrimento, ( a diferença viu-se bem nas duas noites em que aqui no Aventar se discutiu o assunto) percebe-se, rapidamente, como as pessoas chegam a conclusões que, se não iguais, são muito próximas e com soluções humanas e respeitosas para com os povos em conflito. (não se pode mandar um dos povos ao mar…)
Mas os bem pensantes,(somos de esquerda! Como se a guerra fosse de esquerda ou de direita) ainda têm um último arroto, antes de largarem a presa. É que a solução passa pela democracia, dois Estados de Direito, num só território e dois povos coexistindo pacificamente. Nem um ” finest old scotch whisky” 15 anos ajuda a engolir “veículos democráticos” necessários para a solução do problema.
E que tal uma Água das Pedras?
Palestina : Jogos de poder!
“Effective leaders help others to understand the necessity of change and to accept a common vision of the desired
outcome.”
John Kotter
No presente caso do actual conflito da Palestina (ver abaixo) torna-se cada vez mais óbvio que tudo não passa de um mero jogo de poder que tem como fim principal enfraquecer a “Pax Americana” e fazer com que ela apareça cada vez mais um “tigre de papel” perante o mundo. Nesse jogo, tanto os palestianos necessitados como Israel e a “indústria mundial dos bons e preocupados samaritanos” apenas têm o papel de peões e os últimos o de idiotas úteis.
Seria ideal que a “Pax Americana” finalmente acordasse e puxasse um “joker” chamado “New Deal”. Isto lhe permitiria ganhar de novo poder solidário juntos dos povos do mundo e nós nos livrariamos da crescente ameaça de um dia ficarmos sujeitos a quaisquer leis arcaicas.
Rolf Damher
SPIEGEL ONLINE, 06/04/2010
The Problem with Aid: International Donations Not Always Welcome in Gaza
The aid shipment that the Palestinian activists’ flotilla was hoping to bring to Gaza before they were halted by Israeli commandos is now awaiting delivery. But Hamas will only let the badly needed goods into the territory under certain conditions. In the Gaza Strip, aid is not always greeted with enthusiasm.
By Ulrike Putz in the Gaza Strip
You can download the complete article over the Internet at the \following URL:
http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,698766,00.html
Palestina – Porquê agora a Frota da Liberdade?
Não há situação nenhuma de calamidade eminente. Não há Intifada. O Muro é profundamente eficaz, não há “mártires suícidas” nem mortes de inocentes.
Mas os “autodenominados” defensores da causa palestiniana, mais não têm feito que diminuir a possibilidade de se encontrarem soluções justas, como seja um estado autónomo a que os palestinianos têm direito nem a uma vida normal. Pelo contrário, sempre prontos a fazerem o papel de “idiotas úteis” uma e outra vez, o que fazem é que a causa tome mediatismo pelas razões erradas.
Correcto, e onde há unanimidade de posições, é trazer para a luz do dia a politica de colonatos que , na prática, inviabiliza as fronteiras de um estado palestiniano com um território digno desse nome. Os colonatos, depois do sofrimento humano, é a maior barreira para se encontrar uma solução aceitável de coexistência pacífica, devia estar na frente das preocupações da comunidade mundial. Mas a verdade é que dá trabalho e não dá folclore, é preciso determinação, trabalho de sapa, fora das objectivas e dos holofotes da televisão.
Porque não seguiu a frota para a parte de Gaza controlada pelo Egípto? Ou pelo Líbano onde os palestinianos experimentam condições de vida bem mais dificeis? Ficam aqui perguntas que não pretendem obter respostas, nem encobrir o que o exército israelita fez de excessivo, mas antes chamar a atenção para factos que exigem explicações, e que vão direitinhos para a Turquia e para sua política de liderança de toda uma região, encostando-se a países como o Irão, e a Síria .( Estados democráticos e moderadíssimos, exemplos de virtudes humanistas…)
Os “idiotas úteis” e os menos idiotas, mas igualmente úteis, verberando o que nem sequer alcançam na complexidade das políticas geoestratégicas, deixando que o povo mártir da palestina e a sua causa, sejam usados em operações que em nada o ajudam , fazem o papel que lhes é distribuído, agora a favor da Turquia , o estado que “gazeia” milhões de Curdos. A Turquia que faz aos Curdos( assassinando-os aos milhões e arrazando povoações inteiras com o “gaz pimenta”) o que Israel ainda não conseguiu ( ou não pode fazer por se tratar de um estado democrático e de Direito) aos Palestinianos, passou agora a ser o paladino da paz!
O preconceito ideológico, pretensamente superior, em todo o seu esplendor! Agora estão ao lado da Turquia que assassinou milhões de Curdos, e ai de quem não pensar como os “bonzinhos” da esquerda! A esquerda jacobina, que herdou, não se sabe de quem nem por que meios, uma clarividência moral superior aos que não pensam da mesma forma, que estão sempre de acordo entre si mesmo quando não sabem bem do que se trata.
E de que lado estavam vocês em 1992?
A diferença entre a missão Lusitânia Expresso em 1992 no mar de Timor e o que agora ocorreu em águas internacionais ao largo da Faixa de Gaza é apenas a de que os indonésios souberam conter-se, os israelitas não. E parece que os portugueses não levavam berlindes.
A diferença entre a Palestina e Timor-Leste não é nenhuma: a mesma ocupação, a mesma tentativa de fazer um povo desaparecer da face da terra.
A Fretilin também era uma organização terrorista?
A memória das pessoas é mesmo muito curta. A leitura sempre ajudava a suprir a amnésia, mas para isso era preciso saber ler, o que está logo vedado a quem nem escrever articulando ideias consegue, limitando-se a despejar o mesmo loop, dias a fio. Temos as caixas de comentários cheias disso.
Palestina – O veneno ideológico!
Esta questão da palestina há muito que interessa a todos nós. Uma e outra vez somos chamados a trocar argumentos e uma e outra vez ninguem apresenta nada de novo, ninguem se move um centímetro da sua posição inicial . Mas todos sabemos que enquanto fazemos gala do nosso “excelso saber” há pessoas a morrerem, a passarem fome, e isso não interessa para nada.
O que interessa é a posição ideológica, o mundo a preto e branco, um é fascista e nazi, porque não pensa como eu, o outro é comunista e “filho da puta” porque me quer roubar a liberdade, veneno destilado, que não trás qualquer contribuição para a resolução do problema e que nega as evidências.
Há aqui perguntas, feitas por pessoas a quem reconheço razoabilidade e bom senso noutros assuntos, que não suportam a mais pequena análise se honesta. A única pergunta que se deve colocar e que é razoável é porque não deixam que os povos se pronunciem ; que se crie um estado de Direito, onde haja a primazia da Lei; onde exista a separação de poderes; uma constituição sufragada e onde estejam estabelecidos os direitos de cada povo, com a sua religião, os seus costumes. Numa palavra, uma democracia!
Todas as outras propostas não passam de veneno ideológico, baba rançosa de quem tudo resume ao ser de “esquerda” ou de “direita”, sem nunca perguntarem nada a quem sofre e a quem vê os seus morrrerem todos os dias. Não apresentam um único argumento válido ou original, se estendermos as suas posições, chegamos a conclusões vergonhosas como seja a de que um dos povos tem que ser deitado ao mar, exactamente o argumento que mantem esta guerra sem fim.
E porquê ? O que leva gente inteligente, boa, bem intencionada a querer que todo um povo seja deitado ao mar? Seja ele qual for, é gente de carne e osso, pais, mães e filhos! Querem matar? Matem os políticos! De ambos os lados!
Uma pergunta sem maldade
Uma pergunta sem maldade
Se algum dos amigos que tão acerrimamente defende a conduta de Israel, fosse israelita ou a sua família vivesse em Israel, teria a mesma posição que tem? Acredito que sim. Se esse mesmo amigo fosse palestiniano ou a sua família vivesse na Palestina, teria a mesma posição que tem? Acredito que não.
No entanto, eu, se fosse palestiniano ou a minha família vivesse na Palestina, não tenho dúvidas de que teria a mesma posição que tenho. Se fosse israelita ou a minha família vivesse em Israel, tanto quanto me conheço, tanto quanto respeito a forma idónea como tentei personalizar a minha vida, estruturar o meu pensamento e desenvolver a minha razão, sem certezas absolutas, como é óbvio, acredito que a minha posição seria a mesma. Há aqui alguma diferença significativa, não entre bons e maus, não entre sérios e não sérios, mas entre razões.
PS: Agradecia que fizessem um esforço para não escreverem comentários insultuosos.
Israel e Palestina, quem tem direito a quê?
O tema quente do momento é, sem dúvida e mais uma vez, a questão israelo-palestiniana. Nos últimos dias tenho visto afirmações e posições que não julgava possíveis, havendo muito quem advogue o extermínio, puro e simples, do opositor. Sem pretender fazer uma sondagem (essas, quando são sérias, não são feitas por blogues) convido os leitores, que tão veementemente se manifestam em todo o lado, a responder às seguintes questões:
1- Acha que a Palestina tem o mesmo, ou menos, direito que Israel a ser um estado independente?
2- Acha que Israel tem o direito de impedir a efectivação do estado palestino?
3- Acha que a Palestina tem o direito de pedir o fim do estado israelita?
4- Acha um dos opositores mais culpado do que o outro no quadro da situação actual?
5- Porquê?
6- Como se sai deste impasse?
7- Qual o papel do resto do mundo na resolução do conflito?
Respondam às questões na caixa de comentários (a todas ou apenas às que quiserem), digam as vossas razões e tentem ser sérios intelectualmente, quanto mais não seja porque, a cada dia que passa, há vítimas civis de ambos os lados.
Uma paz impossível
Nos últimos dias, as posições extremaram-se, de novo, entre os pró-Israel e os pró-Palestina. Cada uma das partes utilizou os seus argumentos, quase todos retirados de uma cábula quase podre de velha, sem procurar, como sempre acontece, entender as causas dos outros.
Este é um daqueles conflitos em que ninguém tem toda a razão. Está partida em bocadinhos graças às pedras da intifada ou aos mísseis estratégicos que destroem comunidades inteiras em busca de um terrorista.
Do ponto de vista histórico, religioso, social, político e económico ambas as partes têm a sua razão. Mas cada uma delas está pouco interessado nos interesses dos outros. Cada uma dedica-se, da melhor forma que sabe, a gritar a sua defesa e a ameaçar a outra parte. Assim acontece com uma parte significativa daqueles que suportam os argumentos do lado que apoiam. É um permanente ‘ou nós ou eles’.
Logo, está instalado um permanente diálogo de surdos, apenas atenuados por escassos gestos apaziguadores de alguns líderes. Mas que não passam de tentativas pontuais e sempre vãs.
Por isso a paz não é possível no Médio Oriente. Nunca foi, desde há mais de dois mil anos, não é hoje e não será nunca num futuro decente.
A Palestina, pasto de uma geração de ódios.
A questão da Palestina não será resolvida pelas actuais gerações no poder, cresceram com o ódio, não há família que não chore um morto ou um estropiado. É uma questão de orgulho pessoal, já pouco contam os verdadeiros interesses da paz e dos povos. Antes morrer que recuar ou ser visto como perdedor, mesmo que ganhem todos.
As gerações mais novas, libertas desses constrangimentos, já conseguiram estabelecer pontos de entendimento, o que abre caminhos para a negociação e para a vivência em comum. Se querem ter uma vida fraterna, próspera e em paz vão ter que conviver uns com os outros, uma parte importante da população de Israel é de proveniência Palestina, têm a sua vida repartida pelas universidades Israelitas e a sua família trabalha em empresas do Estado de Israel. Não há volta a dar, a não ser o entendimento!
Mas se para quem vive no local é dificil, incompreensível se torna que pessoas longe do conflito, sem sofrer as sequelas da guerra, lance lenha para a fogueira meramente por razões ideológicas. Não dão um passo no sentido da paz, da compreensão do problema. Tudo se resume a quem está do nosso lado e a quem não está. Quem está ,ideologicamente, perto ou longe dos USA assim reage, sem cuidar de saber se tal posição ajuda ou aprofunda o problema.
Sempre contra Israel, sempre a favor dos palestinianios! Sempre contra os Palestinianos, sempre a favor de Israel.
Como o Nuno Castelo-Branco mostra aí nesse belo e avisado artigo se calhar o problema é mais complexo e, em vez de ódio, exige discernimento! E a Ana Paula, mesmo tomando partido, clama segundo o direito internacional aplicável. Com ódio é que se não vai a lado nenhum!
Condenar Israel – Apoiar a Palestina!
Chocante e inqualificável é o mínimo que se pode dizer da actuação de Israel contra os activistas pró-palestinianos que tentavam fazer chegar alguma ajuda humanitária a Gaza. A persistência do cerco e a agressividade sistémica contra os territórios ocupados da Palestina, faz lembrar métodos de extermínio dissimulados que não passarão incólumes na História, reconhecido que é o exercício abusivo do terrorismo de Estado de Israel. É urgente que o povo israelita e a comunidade judaica dê o rosto e a voz contra esta permanente violação dos Direitos Humanos, sob pena da comunidade internacional, pelo menos, em termos de sociedade civil, deixar de reconhecer a legitimidade do Estado de Direito de Israel… porque, em pleno século XXI, Israel não fará o mundo recuar nos seus princípios democráticos, na defesa dos Direitos Humanos e do Estado de Direito, pela persistência patológica do seu desempenho como Estado agressor. Enquanto Israel mantiver esta postura de tudo atacar (consequência de uma deformação cultural assente no medo e incentivada, política e socialmente, pela manipulação doentia de um trauma materializado na catarse de uma permanente lógica de guerra), as palavras de ordem continuarão a ser: Solidariedade com a Palestina, Já! Solidariedade com a Palestina, Sempre!
(Este texto foi também publicado AQUI)
Os assassinos de Israel e o insuportável silêncio do Nobel da Guerra Paz
O pecado original, já se sabe, está na criação de Israel, que nunca devia ter existido. Agora que não se pode exterminá-los, como sair disto?
As culpas são de ambos os lados, como é óbvio. Porque ao regime terrorista e imperialista de Israel, dito democrático, corresponde uma organização como o Hamas – infinitamente menos poderosa, mas infinitamente mais moblizadora para acções de carácter terrorista. Israel não precisa, o próprio Estado é terrorista e empenha todos os recursos nas suas acções criminosas e na tentativa de expandir um território sem qualquer base legal.
Estávamos habituados a ver, nos regimes terceiro mundistas de África, missões humanitárias a serem impedidas de chegar ao destino. Agora, são os países dito desenvolvidos que procedem da mesma forma e com as consequências que se vêem.
Entretanto, do outro lado do mundo, por onde anda o Nobel da Guerra Paz, incapaz de condenar uma acção destas?
Os semitas deserdados e as «pátrias ancestrais» (Memória descritiva)
Já aqui falei algumas vezes do Estado de Israel e daquilo que penso sobre a legitimidade das pretensões judaicas sobre o território da Palestina. Mas, já agora, volto a dizer – acho que foi uma ignomínia. Com base no que diz um livro e por mais que digam, o Antigo Testamento (ou a Torah), não passa de um livro, os palestinianos foram desapossados das terras, enxotados, como se de um rebanho se tratasse, para campos de refugiados, obrigados a viver como pedintes em terra alheia.
Uma vergonha, uma prepotência da diplomacia britânica que, até ao primeiro quarto do século XX, entendia poder intervir em qualquer parte do mundo, sob qualquer pretexto ou mesmo sem pretexto. Apenas porque sim, porque lhe convinha. Papel hoje competentemente desempenhado pelos Estados Unidos. Naturalmente que os judeus construíram o seu estado, hoje habitado por quase oito milhões de seres humanos e seria outra ignomínia «riscá-lo do mapa», como pretendem os extremistas da causa islâmica. Um erro não se emenda com outro erro. E seria o caso. [Read more…]
Israel – a recorrência da Shoah no discurso político – (Memória descritiva)
Circulam pela net, e em e-mails, fotografias de uma manifestação realizada em Londres pela comunidade muçulmana (ao que parece, recentemente, mas não consegui obter a data). Vêem-se manifestantes exibindo cartazes onde se diz entre outras coisas: «Matai aqueles que insultam o Islão», «Europa: Pagarás, a tua demolição está em marcha»; «O Islão dominará o mundo»; «Europa, pagarás. O teu 11 de Setembro vem a caminho»; «Prepara-te para o verdadeiro holocausto». Segundo se diz também nessas mensagens, tratava-se de uma manifestação pacífica.
Habituei-me a acolher com cepticismo e cuidado estas informações que, muitas vezes mais não são do que desinformações. Lá estão as fotografias, com os cartazes escritos em inglês, mas todos sabemos como é fácil manipular fotografias. Verdade ou mentira, não há dúvida que entre os muçulmanos passa uma corrente de intolerância e ódio que nada contribui para que, quem não compartilha a sua crença, possa ao menos ser solidário com a sua legítima revolta.
Existem, mas são poucas, as vozes que nos defendam a causa palestiniana, por exemplo, com serenidade e isenção. Compreendo que seja difícil ser isento quando estamos a ser chacinados, vemos as nossas casas bombardeadas, as nossas crianças assassinadas, a nossa terra ocupada. É difícil, mas aos muçulmanos pede-se esse supremo acto de heroísmo.
Do lado judaico existem , sempre existiram, essas vozes. Bem sei, que os judeus, embora em permanente perigo de extermínio à mínima distracção, estão numa situação diferente. Mas não se julgue que a posição dos israelitas é fácil.
Como disse num texto anterior, entendo que a criação do Estado de Israel foi um erro da diplomacia britânica. No entanto, hoje a nação judaica é um facto consumado. Milhões de pessoas a povoam. A sua destruição, como propugnam os fundamentalistas islâmicos, seria um crime.
O crime que foi o dar o território dos palestinianos aos judeus, não se apaga com o crime de exterminar os israelitas. Não se deve desistir da utopia de um estado em que judeus, muçulmanos, cristãos, ateus, convivam pacificamente. É uma utopia própria de quem vê o problema do exterior e que não agrada nem a judeus nem a palestinianos. Mas é a única solução digna de seres humanos.
Vem tudo isto propósito de duas das tais vozes vindas do lado hebraico, de dois livros, um que a professora israelita Idith Zertal (1944), professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, nascida antes da fundação do Estado num kibutz de Ein Shemer, ficou entusiasmada por finalmente ver traduzido em hebraico – a obra de Hannah Arendt (1906-1975) «Origens do Totalitarismo» – que li precisamente na sua edição espanhola, outro, um ensaio da própria professora Idith Zertal – «A Nação e a Morte», cuja edição em castelhano foi há dias apresentada e do qual tomei conhecimento por textos que li no El País. Falemos primeiro de Hannah Arendt.
Israel: O pecado original

O pecado original, em minha opinião, foi a criação de um Estado hebraico, em parte como compensação por tudo o que se passou durante a II Guerra Mundial, embora a ideia tivesse raízes mais profundas. Um Estado completamente artificial, construído por gente vinda de todo o mundo e que serviu apenas para ocupar um lugar que era dos palestinianos, mesmo que governados pela Inglaterra.
60 anos depois, parece-me lógico que Israel ganhou o direito à existência. Não há nada a fazer!
Só não ganhou, ainda, o direito ao respeito internacional. Porque, apesar de, internamente, ser uma democracia, externamente continua a ser o mais imperialista e o mais terrorista dos Estados.
Chegados a este ponto, penso que ninguém tem razão. Nem os terroristas palestinianos, nem os israelistas que, em nome da defesa das suas fronteiras, têm sido ao longo dos anos tão terroristas como os seus inimigos.
No meio, o povo de ambos os lados. Como sempre, a arraia-miúda é que sofre, porque estão nos bastidores aqueles que realmente comandam os seus destinos.
E não ver nada de criticável na acção de Israel só demonstra a que ponto pode chegar um ser humano na defesa das suas ideologias.
Lindo de dizer!
Chaga do anti-semitismo deve desaparecer, diz papa.
Também concordo, mas como é que o papa quer que isso aconteça, mantendo-se praticamente silencioso quanto às atrocidades israelitas na Palestina? O papa não vê que a manter-se esta vergonha e este incomensurável escândalo, a chaga se agrava cada vez mais, e cada vez mais contagia mais gente, gente que nunca foi anti-semita?
A máquina do tempo: Santo Eugenio e os campos de extermínio
Bento XVI, apelou no domingo passado, durante a tradicional oração do Angelus na Praça de São Pedro, a um sentido mais religioso destas festividades, dizendo que o Natal «não é um conto para crianças», mas sim a «resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz».
A mensagem começou com uma expressão de pesar porque em «Belém, que é uma cidade símbolo da paz na Terra Santa e em todo o mundo, não reina a paz». Bento XVI explicou em seguida que o Natal «é profecia de paz para cada homem, compromete os cristãos na tomada de consciência de dramas, com frequência desconhecidos e escondidos, e dos conflitos do contexto em que se vive». Recordou que o Natal tem que fazer com que os homens se transformem em «instrumentos e mensageiros de paz, para levar o amor aonde há ódio, perdão onde haja ofensas, alegria onde haja tristeza e verdade onde haja erros».
Entretanto, a comunidade judaica critica a decisão do papa de aprovar as «virtudes heróicas» de Pio XII, primeiro passo para a sua beatificação, apenas faltando que se reconheça um milagre feito por sua intercessão para que Eugenio Pacelli seja considerado beato.
Será que os judeus têm razão? Vamos ver. [Read more…]
Poemas com história: Esplanada da praia

A dourada pirâmide de Caim
A Eneida, A Odisseia, Os Doze Césares, Gilgamesh, O Livro dos Mortos ou o Hino a Aton, são alguns daqueles textos que para sempre ligarão o Ocidente a um passado que em termos civilizacionais não se encontra assim tão distante, nem no espaço – o cadinho do nosso ethos, o Mediterraneo e a Mesopotâmia – e muito menos ainda, no tempo.
A Bíblia consiste numa amálgama de textos, uns destinados a contar a experiência do povo de Israel, outros que foram assimilando aspectos considerados geralmente aceites, como absolutas verdades originárias da história oral dos povos que habitaram a vasta área marginada a oeste pelo Nilo e a este pelo Tigre e Eufrates.
O Dilúvio, o sonho da Terra Prometida – este nosso Shangri-la do Ocidente indo-europeu – e toda uma série de relatos edificantes que estabeleceram um primado ou conceito de ordem moral, procuravam uma identificação unificadora dos ainda relativamente escassos contingentes humanos, em alguns casos dispersos por um território que à época era infinitamente mais vasto e de difícil acesso para aqueles que quiseram criar raízes, sedentarizando-se. O Êxodo consistiu na lendária base fundamental que uns milénios mais tarde, justificaria a criação de um Estado que se formatou em torno dessa acreditada gesta. Pouco importa se Gilgamesh já tivesse experimentado a enxurrada que dos céus inundou aquele todo o mundo que os semitas, egípcios e até mais a norte os anatólios, consideravam como completo e único. Se o Pai Nosso é fruto da fervilhante criatividade e imaginação de Amenófis IV trasmutado em Akhenaton, a verdade é que hoje surge como a suprema oração, o fio condutor da conversa, ou melhor, do implorar do comum mortal de qualquer uma das religiões do Deus Único .
Vestes sagradas, cerimoniais complexos e carregados de fumos de incensos, chamas purificadoras, águas milagrosas e livros erguidos em direcção à luz solar – talvez aquele deus que ainda resiste no subconsciente da maior parte dos homens -, fazem parte de uma tradição que ininterruptamente se adaptou a novos espaços, realidades étnicas – adequando os ritos e a crença ao passado pagão – e geográficas. Loucos de Deus sempre existiram e sempre existirão, numa quase sempre solitária interpretação de um mundo ao qual, soberbamente se julgam destinados a servir como vingadores de um ente superior, basicamente austero e avesso ao negregado hedonismo. Grosso modo, as histórias edificantes focam contextos muito específicos, onde invariavelmente a fixação da hierarquia, a morigeração de costumes, ou a simples necessidade de zelar pela perfeita saúde física das comunidades, impunham as regras a acatar universalmente. Os cataclismos naturais impuseram algumas semelhanças entre textos de culturas tão distantes quão diversas em vários continentes. A própria necessidade e expressão artística – muitas vezes fortemente condicionada pelo engrandecimento do poder -, levou à adopção de soluções técnicas que os mais crédulos ainda hoje, pensam ser um elo muito longínquo de um passado comum, outrora ligado por um fabuloso continente perdido pleno de super-homens, afinal, a perdida ponte entre nós e o divino.
Bíblias foram queimadas em fogueiras, assim como homens também o foram apenas por acatarem uma versão errónea à luz do oficialismo imperante num certo espaço político e social. O que parece bastante anacrónico e causa perplexidade, é o constante acirrar de posições que de tão irredutíveis se tornam merecedoras da indiferença mais ou menos generalizada. Aqueles que não compreendem – ou fingem não entender – os contextos históricos em que os textos surgiram como uma necessidade para a conformação social, acabam por equivaler-se aqueles outros que à semelhança de autoproclamados filhos de uma das Tribos Perdidas de Israel, vociferam contra os "ímpios" de uma modernidade que não aceitam e querem ver destruída. No fundo, o fanatismo Saramago equivale-se ao de um Menino de Deus, de um Mormon ou de um Hamisch.
O caso deste escritor que nestes dias acaba por preconizar o fim da sua própria pátria de nascimento, parece intencional, decorrendo normalmente de um percurso de vida pautado pelo endurecimento da convicção num destino de predestinado e ao encontro daquele que afinal foi o verdadeiro Mito do Século XX. Pouco lhe importam as histórias, os contos, as experiências e desejos individuais ou colectivos – estes stricto sensu, há que frisar – dos homens que fizeram a pequena e a grande História. O devir de uma supersticiosa certeza, numa constante e maniqueísta liquidação de "inimigos de classe" – descurando assumida e completamente as realidades da inter-permeabilidade entre algumas ou todas -, conduz ao dogma que impõe a destruição do outro. Um dos derrotados do século – e aqui já o alçamos a um muito contestável estatuto que pouco interessa reconhecer ou não -, Saramago finge não ter compreendido a vastidão imensurável de um legado que antes de tudo tenta impor regras onde o conceito de Bem pode ir-se adaptando aos novos tempos e realidades que a sucessão de gerações infalivelmente estabelece.
Para Saramago, a Bíblia parece ser um …manual de maus costumes, crueldade e do pior da natureza humana... Curiosa conclusão que não atende à realidade de outras épocas e á própria necessidade de afirmação da certeza de pertença a um determinado grupo. Apesar disto, não existe vivalma sobre este planeta, que alguma vez tenha escutado uma só palavra do escritor, acerca dos manuais de brutalidades, das cartilhas que impõem pela mais iconoclasta violência, a "construção científica" de um outro homem, tão desumano como Moloch ou tão escravizado a uma quimera como os ilotas. Saramago nem sequer dá conta da clara cópia do preceituado necessário à construção do seu Novo Templo, de uma religião tão tingida de vermelho como as escadarias sacrificais dos aztecas. Pouco lhe importam que as estórias – disso não passam – edificantes da sua religião versem a denúncia, a opressão do imaginado inimigo ou a acefal
ia
geral em benefício de um imposto dogma. A visão da certeza, do Bem estabelecido pelo Caim da sua Verdade, exclusivamente pertencerá aos eleitos, aos poucos que escolhidos inter-pares, decidem pela amorfa e anónima soma de números em que a humanidade obrigatoriamente se torna, anulando-se como motor da continuidade da própria História.
Agarrado ao encharcado lenço de uma derrota que jamais esperou ver chegar, pouco mais resta ao escritor premiado com o Nobel, senão aferrar-se à sua grande certeza: a metálica matéria. No seu caso, o ouro, não em forma de bezerro, mas da vaidade que lhe garante um final confortável e feliz.














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