Saudades da Santa Inquisição

Não vislumbro grande diferença entre este escrito e sermão-tipo de um qualquer fundamentalista religioso, algures numa montanha no Afeganistão. Segundo Ricardo Cristóvão, pároco de Alcobaça, a solução para “romances e poesias mundanas” é a fogueira. Tal como no tempo da Santa Inquisição, em que se queimavam livros e pessoas vivas no fogo purificador, a proposta do clérigo radical passa por reduzir toda a literatura herege a cinzas, pois as suas páginas, certamente obra de Satanás, “excitam a sensualidade” e “inflamam paixões”. No fundo, assegura o padre Cristóvão, trata-se do “meio mais seguro e poderoso para perder os jovens” à disposição do demónio. E basta um destes livros para desgraçar toda uma família. Allah akbar!