O tandem* atómico socialista

Irresponsabilidade, decapitar, extremismo, radicalismo… tudo na mesma frase!

É uma dupla infernal, Francisco Assis mais para o popularucho Ricardo Rodrigues, um intelectual de primeira, com rigorosos raciocínios que dão no resultado contrário ao pretendido. Estes dois homens ameaçam o Parlamento.

 Sempre que algum dos seus adversários políticos respira (já não digo que fale),  é submerso por uma torrente de  impropérios “políticos” de uma originalidade e profundidade dignas de nota.  Não há, claro está, um argumento que acrescente transparência ao diálogo mas acaba-se com ele,  no velho estilo ” pode-se exterminá-lo”!

 Quando ouço um e outro fico sempre a pensar se os senhores deputados, no remanso do lar, não têm um frémito de emoção ao reverem-se.

 Enfim, dois pândegos!

Um deputado de invulgar talento

Já escrevi sobre Ricardo Rodrigues o mês passado: o homem caminha a passos largos para o título de deputado banheiro do PS. Banheiro no sentido tradicional e veraneante do termo, aquele que nas praias arma barracas.

Agora numa embrulhada das antigas termina por admitir que o seu primeiro mentiu quando se referiu à TVI, já que pergunta a Manuela Ferreira Leite como sabia ela que o homem tinha mentido. A embrulhada é bem explicada no Cachimbo de Magritte e no Arrastão.

Abençoado in dubio pro reu que vai permitindo elevar o nível humorístico na Assembleia da República.

E vai uma apostinha em como a fonte desta notícia, a recusa do PS em votar as propostas do BE e PCP contra a corrupção por serem precipitadas, é o nosso vice-presidente do grupo parlamentar socratista?

Ricardo Rodrigues: um deputado com pergaminhos

Transcrevo em seguida parte de um artigo publicado no suspenso Semanário Privado, e que retirei do seu blogue. É uma estória exemplar da capacidade de um partido em acarinhar os seus nas horas difíceis, levantá-los do chão, dar-lhes um rumo e um amparo para a vida. Pungente exemplo da solidariedade que faz do PS uma família.

Ricardo  Manuel de Amaral Rodrigues tem sido membro do Conselho Superior do Ministério Público, e foi dado como possível Ministro da Agricultura, e mais tarde como provável Secretário de Estado da Justiça.

Por algo que se deve aproximar do pudor continua deputado, e já se fez ouvir, contestando as propostas legislativas de combate à corrupção. Com toda a naturalidade, é claro.

 

 

Passo a citar:

 

O deputado Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada socialista – e figura proeminente do partido -, parece não se conseguir livrar de um passado menos claro e que, volta e meia, teima a vir ao de cima.

 

Estávamos em Novembro de 2003, era Ricardo Rodrigues secretário regional da Agricultura e Pescas do governo de Carlos César, quando rebenta um enorme escândalo de pedofilia nos Açores, conhecido também por «caso garagem do Farfalha». Várias figuras conhecidas da discreta «boa sociedade» de Ponta Delgada vêem o seu nome enredado no escândalo, entre elas um conhecido médico e um procurador-adjunto, convenientemente transferido para o Tribunal de Contas do Funchal – e nunca, ao contrário do primeiro, «incomodado» judicialmente.

Rodrigues vê, também, o seu nome «enlameado» pelo diz-que-diz insular e, antes que a coisa atinja outras proporções, demite-se do Governo Regional. Porém, apesar do falatório, o agora deputado nunca foi constituído arguido no processo. Mas, azar dos azares, no início de Janeiro de 2004, são conhecidas ligações de Ricardo Rodrigues a um outro escândalo, neste caso financeiro, que envolvia uma burla tendo por alvo a agência da Caixa Geral de Depósitos de Vila Franca do Campo, S. Miguel, a poucos quilómetros de Ponta Delgada.

 

Ligações perigosas

 

Nessa época conturbada, a comunicação social passou a dizer à boca cheia o que se segredava à boca pequena e, «indignado», o responsável socialista resolveu processar um jornalista que, não só referiu este caso, como também o malfadado escândalo de pedofilia. Cinco anos depois, o Tribunal da Relação de Lisboa não lhe deu razão e, desgraça das desgraças, espanta-se, no acórdão, por o deputado não ter sido investigado nem ter ido a julgamento, no processo de Vila Franca do Campo.

 

O inquérito policial que investigou Ricardo Rodrigues por crimes de «viciação de cartas de crédito e branqueamento de capitais» remonta a 1997 (nº 433/97.8JAPDL), sendo que relatórios da PJ enfatizam a sua estreita ligação à principal arguida, Débora Maria Cabral Raposo, entretanto detida e em cumprimento de pena, depois de vários anos com mandados de captura internacionais, e classificada pela polícia como «burlona e traficante de estupefacientes».

 

Rodrigues foi sócio e advogado de Débora, sendo que com ela frequentou os melhores hotéis e utilizou os serviços das mais conceituadas agências de viagens, tendo deixado um considerável rasto de «calotes»…

(…)

O estratagema encontrado para lesar a Caixa Geral de Depósitos foi gizado por Débora, ex-bancária e apontada como «cérebro da operação». Esta e o gerente da CGD, Duarte Borges, engendraram um esquema de acesso a empréstimos fraudulentos servindo-se de um singular expediente. Como Borges usufruía de capacidade para conceder empréstimos até 2.500 contos, apenas com a finalidade de «adquirir novilhas para recria», angariavam putativos agricultores para acederem ao crédito, a troco de algumas dezenas de contos.

 

Denunciado em acareação

 

Este expediente, permitiu à «associação criminosa» prejudicar o banco do Estado num valor aproximado de 1 milhão e meio de contos, utilizados em operações de «engenharia financeira» muito duvidosas e, segundo a PJ, com ligações a redes internacionais de tráfico de droga, com quem Débora Raposo teria estreitas relações. Um dos tentáculos destas operações era o Colégio Internacional, no Funchal, cujos sócios eram Débora , Ricardo Rodrigues e a sociedade offshore Hartland Holdings Limited, uma obscura empresa com sede num apartado da Ilha de Man, no Reino Unido.

 

As declarações nos autos do ex-gerente da CGD são esclarecedores: «Foi referido pelo arguido detido, Duarte Borges, na acareação (…), que tem consciência que enviou vários milhares de contos (da CGD, provenientes de empréstimos agrícolas) à Débora Raposo / colaboradores, tendo indicado, entre outros, o arguido Ricardo Rodrigues. Mais, referiu que a Débora e os colaboradores, onde se encontra o arguido Ricardo Rodrigues, negociavam Cartas de Crédito, com dinheiros dos empréstimos fraudulentos em vários países».

 

Como, em 2003, referia uma fonte policial, «os indícios e elementos probatórios fortes, nunca foram assim entendidos pelo Ministério Público, vá-se lá saber porquê». Seis anos depois, a Relação de Lisboa deu razão retroactiva ao agente policial. Entretanto, vá-se lá também saber porquê, depois do destapar mediático do escândalo financeiro e dos rumores da pedofilia, que levaram o então secretário regional a demitir-se «por uma questão de honra», Ricardo Rodrigues teve uma das mais meteóricas ascensões na nomenclatura socialista. É caso para dizer que o PS protege os que caem em desgraça…