Blasfemando


No Blasfémias, Helena Matos chama-nos a atenção para um texto de JMF, apontando as razões pelas quais existem tantos incêndios no nosso país. Como se fosse preciso recorrermos aos bons ofícios de JMF, para destrinçarmos as causas das calamidades de verão. Já há mais de quarenta anos, anda Ribeiro Telles a apresentar as falhas, as negociatas, os crimes, o desleixo e principalmente, as urgentes soluções para o reordenamento do território. É este o problema fundamental que arrasta atrás de si todos os outros, desde a desertificação, liquidação dos recursos agrícolas, deterioração das águas e até, a própria estrutura política de um Estado, sem rei nem roque. Neste país onde existem “comissões ad-hoc” para tudo e mais alguma – invariavelmente “encartes” para amigos, amigas e primos e primas, camas e mesas várias -, Telles sabe o que diz. Tem um projecto e faltam apenas, os poderes para o executar.

Tenho JMF em boa consideração, mas, francamente, virem agora “descobrir a pólvora” num artigo do Público? Isso é uma blasfémia, Helena.

A barrela: Miguel Sousa Tavares lava mais branco

Quem viu os «Sinais de Fogo» desta semana, no qual foi entrevistado Gonçalo Amaral, não pode ter deixado de ficar surpreendido com a súbita transformação de Miguel Sousa Tavares. O jornalista voltou a ser o «animal feroz» a que nos habituou ao longo dos anos. Rude, directo, roçando por vezes a falta de educação, nomeadamente quando não deixa os seus convidados falar.
No entanto, uma semana antes, ao receber o primeiro-ministro, Miguel Sousa Tavares foi de uma candura a que não estávamos habituados. Calmo, simpático, educado, ofereceu a José Sócrates mais 60 minutos de publicidade e ouviu, sem pestanejar nem questionar, as patranhas do costume.
Algo vai mal no país, muito mal, quando pessoas que desde sempre foram independentes se tornam de repente os maiores defensores do Governo ou, pura e simplesmente, deixam de emitir as suas críticas de sempre. Falo de Miguel Sousa Tavares, mas falo também de Marinho e Pinto, por exemplo.
Nos «Sinais de Fogo» desta semana, Miguel Sousa Tavares trucidou Gonçalo Amaral. Na semana passada, foi o que se viu. Mais uma barrela. MST lava mais branco.