A barrela: Miguel Sousa Tavares lava mais branco

Quem viu os «Sinais de Fogo» desta semana, no qual foi entrevistado Gonçalo Amaral, não pode ter deixado de ficar surpreendido com a súbita transformação de Miguel Sousa Tavares. O jornalista voltou a ser o «animal feroz» a que nos habituou ao longo dos anos. Rude, directo, roçando por vezes a falta de educação, nomeadamente quando não deixa os seus convidados falar.
No entanto, uma semana antes, ao receber o primeiro-ministro, Miguel Sousa Tavares foi de uma candura a que não estávamos habituados. Calmo, simpático, educado, ofereceu a José Sócrates mais 60 minutos de publicidade e ouviu, sem pestanejar nem questionar, as patranhas do costume.
Algo vai mal no país, muito mal, quando pessoas que desde sempre foram independentes se tornam de repente os maiores defensores do Governo ou, pura e simplesmente, deixam de emitir as suas críticas de sempre. Falo de Miguel Sousa Tavares, mas falo também de Marinho e Pinto, por exemplo.
Nos «Sinais de Fogo» desta semana, Miguel Sousa Tavares trucidou Gonçalo Amaral. Na semana passada, foi o que se viu. Mais uma barrela. MST lava mais branco.

Comments

  1. J. Mário Teixeira says:

    Caro Ricardo
    Uma coisa é a defesa pelo respeito das normas processuais vigentes – concorde-se ou não com elas -, do segredo de justiça – concorde-se ou não com ele -, e a crítica às más práticas de investigação criminal e de jornalismo dito de investigação. As críticas, ainda, à transformação da comunicação social, como palco de administração da Justiça.
    Outra coisa são as críticas, mais que muitas, que Marinho e Pinto já fez e faz a este Governo.
    Relembro só alguns casos, que contrariam a ideia de apoio ao Governo:
    – criticou e critica a proliferação de cursos de Direito, responsabilizando este Governo e os anteriores;
    – criticou o Governo pela discriminação que representava o aumento das indemnizações às famílias das vítimas de Entre-os-rios para que pudessem pagar as custas;
    – criticou o Governo pela alteração da Lei das Armas, por se tratar de uma medida demagógica face às manchetes dos jornais de então;
    – criticou e critica o preço a que este Governo pôs a Justiça, pugnando pela revogação do Regulamento das Custas e por uma Justiça gratuita;
    – criticou e critica constantemente a desjudicialização de processos que merecem todos os cuidados, como o processo de inventário;
    – criticou e critica as constantes mudanças na lei processual penal;
    – afirmou em Outubro de 2009 que “em Portugal quem tem a pasta da Justiça é um ministro de papel, de palha. Não manda nada”.
    Não me parece que tudo isto seja de quem defenda o Governo.
    Lamentavelmente, por evidentes razões de audiência e de tiragem, além de interesses governativos e e de outros bem instalados, a projecção mediática de tais críticas ao Governo é sempre menor. Mas está aí a Internet para quem quiser comporvar.

  2. Luis Moreira says:

    O medo por um lado e a bufaria por outro instalam-se1

  3. Pablo Moisés says:

    Então eu não vos percebo…

    …por um lado procuram um blogger da área “socrática”, implicando de certa forma nas vossas palavras que já ninguém se atreve a defender este governo.
    …por outro, se houver alguém que perante uma situação concreta, se abstenha de criticas fáceis e tente perceber o que se está a passar à volta do primeiro-ministro, e mesmo que essa pessoa tenha dado provas anteriormente de não ter medo de se levantar por aquilo que acredita…
    …. então é rotulado como interessado, como comprometido, como uma barrela.!!

    • Luís Moreira says:

      Pablo, um socrista faccioso é só isso! Não desvie a conversa com manobras de dispersão…

  4. Ricardo Santos Pinto says:

    Pablo Moisés, é isso mesmo que pensamos do Sócrates. Por isso é que queremos uma visão alternativa à nossa.

  5. dora says:

    Parabens doutor Gonçalo Amaral numa entrevista de tao baixo nivel o senhor soube estar á altura com educaçao ao contrario do senhor que o entrevistou que foi de um nivel muito baixo sem educaçao e de uma arrogãncia desmedida

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