Sobre jorge fliscorno

Jorge de nome próprio, Fliscorno de alcunha adoptada. Vê a política como um permanente cartaz de campanha e diverte-se com as confusões que o seu apelido causa.

No país ao contrário

No país ao contrário, nem a lei da gravidade funciona e as coisas são puxadas para cima. Para cima, desde a primeira instância até ao constitucional.

No país ao contrário, os cabrões começam na ralé e acabam na Suiça. Na Suiça, das contas numeradas e dos primos taxistas.

No país ao contrário, as prima-donas da justiça dizem-se incapazes. Incapazes de meter a ferros os cabrões que usam a lei de puxar para cima.

No país ao contrário, roubar comida dá prisão. A prisão de onde os cabrões se esgueiram.

Esgueiram-se e ainda são aclamados.

E o burro sou eu?

Eis os guardiões da democracia que temos

Queixa no Ministério Público por inscrições fraudulentas no PS
A cerca de um mês das eleições internas para as distritais no Partido Socialista — 15 e 16 de Junho —, dispararam as denúncias de caciquismo em variadas federações. Desde o ano passado que o PS é palco de inscrições em massa que depois de analisadas revelam, nas palavras de alguns, um “verdadeiro assalto ao poder”. Os casos verificam-se nas distritais onde existem mais do que uma candidatura à liderança, como em Setúbal, Porto ou Coimbra. (Público de hoje, edição impressa)

Quem vai a votos, seja em que partido for, é escolhido pelos partidos em processos tão claros e democráticos como este. Grandes guardiões estes que nem conseguem praticar o regime que defendem.

Actualmente, um primeiro-ministro é escolhido por uns escassos milhares de eleitores, os militantes do partido. O povo, tão caro aos partidos, não passa do botador da cruz na lista pré-cozinhada.

Esta pseudo-democracia tem que terminar.

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Tanta conversa moralizadora…

… e depois não é que são mesmo todos iguais?

Partidos da Madeira recusam devolver ajudas utilizadas fora da lei

Em causa estão 6,3 milhões de euros desviados para campanhas eleitorais e outras actividades partidárias, em violação da lei orgânica da assembleia que consigna tais apoios exclusivamente para o apoio à actividade parlamentar. O PSD é o partido que maior montante tem a devolver, mais de 4,4 milhões referentes aos dois anos. Segue-se o PS, com 1,3 milhões, o CDS-PP com 229 mil euros, os deputados independentes João Isidoro e Ismael Fernandes (dissidentes do PS e reeleitos pelo MTP) com 170 mil, o PCP com 159 mil, o BE 62 mil e o PND 25 mil euros.

Tanto discurso cheios de moralismo, especialmente por partidos como o PCP e o BE, e depois nem o exemplo conseguem dar. E veja-se ali, o PS, agora que é oposição e até começa começa com o discurso “é preciso fazer diferente” mas tão igual aos outros. E PSD e CDS-PP que têm o poder, se nem as suas estrelas locais consegue conter, imagine-se como alguma vez será capaz de meter mão nos tubarões da república. Finalmente, os pequenotes MTP e PND a quererem ser grandes mas começando o caminho logo pelos tostões do financiamento partidário.

Parabéns leitor, deixou de tomar uma bica para patrocinar mais um acto de elevação política.

Quando o país não está à altura dos seus políticos

Ainda quanto ao tema do Pingo Doce, o comentário com que mais me identifico foi o de Ana Sá Lopes, uma pessoa de esquerda, como ela mesmo se define, no programa da Antena 1 “Contraditório“. Segundo ela, a atitude do Pingo Doce foi “provocadora”, por testar “se estava mais gente no Pingo Doce ou nas manifestações”. E esteve mais gente no primeiro e isso “não foi culpa do Soares dos Santos”. O problema está na incapacidade que o país demonstrou em não conseguir ir para a rua gritar revolta. Em vez disso, as pessoas foram para o Pingo Doce. “A esquerda pôs-se nestes últimos 5 dias a discutir a humilhação. A esquerda é muito paternalista.” E acrescenta que “o problema que a esquerda devia esta a discutir é porque é que teve tão pouca gente gente no 1º de Maio”. Continuar a ler

«Políticas de Sócrates levaram país à quase bancarrota», lê-se no DN

Um certo governo, ao tomar posse, recebeu três envelopes  dados pelo anterior governo e garantindo conterem a solução para três crises. Chegada a primeira crise, foi aberto o primeiro envelope e lá constava «Culpa o anterior governo» e assim se resolveu o imbróglio. Mas eis chegada nova crise e foi preciso abrir o segundo envelope, no qual se lia «culpa a conjectura internacional». Novamente, o problema desapareceu. À terceira crise foi a vez de usar o último envelope e nele constava «escreva três cartas como estas e dê-as ao seu sucessor».

Que solução para país?

Reconheço que é fácil apontar o que está mal mas apresentar soluções nem tanto. Por exemplo,salta à vista que o rumo do governo nisso a que chama cortar nas gorduras (que expressão mais infeliz) tem-se reduzido na diminuição dos serviços prestados aos cidadãos em em pagar menos a quem presta esses serviços. Grandes cortes! Os sorvedouros do orçamento de estado continuam lá. Madeira, BPN, empresas municipais criadas para desorçamentação e/ou duplicação de cargos de chefia, o gigantesco estado central, só para citar alguns, nem ao de leve foram tocados. Agora anda aí a tese de eliminar cargos de chefia mas, veja-se bem, isso não significa menos despesa. Apenas que essas pessoas terão menos trabalho e continuarão a receber o seu. Por outro lado, os impostos aumentam continuamente. Até com truques sacanas como essa hipócrita da segurança alimentar. Veja-se que, só no IVA, quase um quarto do preço do produto comprado são impostos.

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Uma excelente análise do fenómeno promoção do Pingo Doce no passado 1º de Maio

Anatomia de um golpe

Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.

Mais um excelente editorial de Pedro Santos Guerreiro.

As hordas de zombies e a catrefa caviar

O departamento de marketing do grupo [Pingo Doce] está de parabéns: a maioria das lojas ficou em estado de sítio com a horda de zombies consumistas que esvaziaram prateleiras e lutaram por um pedaço do sonho proporcionado pelo magnânimo Alexandre Soares dos Santos, um dos pais da pátria. Sérgio Lavos

Este post repugna-me. Pessoas que aproveitaram para fazer render os seus escassos euros nestes tempos difíceis são uma «horda de zombies consumistas» para o autor. É mais do que sabido que o Pingo Doce é um local onde se compram luxos como margarina, leite e fraldas. Ah!, e papel higiénico, como alguém lá referia no post. Que escândalo, os pobres ainda não usam os dedos, onde é que já se viu?

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A credibilidade deste governo atingiu o zero, mas da escala de kelvin

Subsídios serão repostos ao ritmo de 25% por ano a partir de 2015

Isto corresponde à n-ésima variante sobre o mesmo tema das calendas gregas. Tenho vergonha deste país que carrega parte da população com o fardo de pagar uma muito maior parcela da escandalosa nacionalização do BPN e do miserável buraco da Madeira. Ainda para mais com o enorme desplante de permitir à nobreza da função pública, a administração de topo, ter regimes de isenção destes cortes (já vai em 14!). Os erros foram cometidos por uns poucos, poucos estes que foram eleitos por muitos, e vai ser pago por uns poucos também.

Quando havia o escudo estes buracos também aconteceram muitas vezes. Mas, então, a desvalorização da moeda era o machado que a todos cortava o poder de compra por igual. Lembro-me, por exemplo, de haver depósitos a prazo que pagavam 18% ao ano, tal era a inflação. Agora, que esse algodão de limpar nódoas da má governação se foi, sobra-nos a sabedoria de Mazarin.

E não sou funcionário público.

Abençoados BPN e Alberto João

Por vossa arte e com o apanágio dos que em 2010 estipularam as colectas e respectivas deduções, este ano não só não vou receber IRS de volta como ainda vou pagar o dobro do que costumava receber. Obrigado, ó filósofo parisiense, por tão belo presente para os que cá ficaram. Felizmente que este esforço adicional vai para duas nobre causas como o BPN que nacionalizaste e para a ilha dos que agora governam.

Azar meu, claro, não ter comprado carro eléctrico nem equipamentos de energias renováveis, nem ter melhorado a classificação térmica da minha casa que sempre  via parte da factura paga em deduções à colecta   (ver aqui e aqui). Os luxos são para quem pode e se todos pudessem deixava de ser luxo.

Os donos de Portugal

Tinha lido sobre o assunto e despertou-me suficiente interesse para que esperasse pela estreia do filme “Os donos de Portugal“. Achei-o interessante mas como documentário pareceu-me fraco. Opta sistematicamente por um ponto de vista em vez de apresentar os diversos pontos de vista e deixar o espectador formar a sua opinião. Assim é mais propaganda do que documentário. E isto apesar da componente factual. Mas isso faz parte da propaganda, misturar factos com teses. Por exemplo, um apenas, para o fim aponta a crise internacional como a razão do desmoronamento do sistema financeiro. Mas convenhamos, existem outras teses sobre este assunto. Um documentário, que é uma peça jornalística, deve evitar tomar posição, sob pena de despromoção para peça propagandista. É pena, a teia de poder da sociedade portuguesa é um tema que merece ser devidamente ilustrado. E, perante esse conhecimento, que cada qual fizesse os seus juízos.

Contos velhos, rumos velhos

Os tempos e os regimes mudam mas as motivações das pessoas mantêm-se. Le Diable Rouge é uma peça teatral de 2008, com autoria de Antoine Rault. O extracto seguinte, dela retirado, é um diálogo entre Colbert e Mazarin, passado noutro tempo e noutro lugar, no reinado de Luís XIV, em França. Mas bem poderia ter tido lugar hoje em Portugal. Ou em 2008 neste mesmo Portugal.

Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço… Continuar a ler

Este 25 de Abril

cravos 25 abrilEste ano o 25 de Abril fica marcado por duas linhas de acção. Por um lado o governo fez saber que terá tolerância zero nas manifestações de hoje, indo pelo caminho da ameaça crua e que, não me surpreenderia, levasse de facto a maior revolta. E por outro lado, algumas personalidades optaram por não ir à cerimónia evocando argumentos que poderiam ter usado durante os anteriores governos mas que, parece, disso se terão esquecido. Estão bem uns para os outros.

Pelo caminho, é de recordar que no ano passado a cerimónia do 25 de Abril foi cancelada no Parlamento devido a este estar dissolvido. Decisão que teve o acordo de  todos os partidos, amplamente criticada e à qual se lhe apontou não existir verdadeiro impedimento para que tivesse sido cancelada.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Para onde vão os seus impostos?

Como saberá, até ao fim do mês é tempo para entregar o IRS, pelo que passei pelo portal do governo onde encontrei um simulador com o título “Para onde vão os seus impostos?” e com um sub-título a dizer “Saiba para onde vai cada cêntimo dos seus impostos”. Naturalmente que logo fui experimentar.

Simulação para rendimento anual bruto de 10 mil euros Simulação para rendimento anual bruto de 20 mil euros Simulação para rendimento anual bruto de 100 mil euros Continuar a ler

Terminou a minha ressaca

A minha ressaca-Sócrates terminou. Foram seis anos a seguir a propaganda diária, a ver as jogadas de meter uns contra os outros, a ouvir a negação da realidade e a seguir o dinheiro que se estoirou onde bem se sabe.

Hoje ouço vozes que durante seis anos estiveram caladas perante as mesmas políticas que estão em curso. Hipócritas! Dão-me asco. Mas piores do que esses são os que nos governam e que, ao contrario de mim, desejam que a ressaca-Sócrates continue na linha da frente, por forma a justificarem o virar do bico do prego, indo contra o próprio programa eleitoral que levaram a votos. Até no artificio de culpar o anterior estão a fazer o mesmo que os outros fizeram em 2005.

Acabou. Hoje, no dia da liberdade, liberto-me do carrasco para me passar a dedicar aos coveiros.

Em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal

Foto: Agence France-Presse/Getty Images

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas

Se o resultado se mantiver na 2ª volta, vamos ver se apenas foram promessas vãs. Por exemplo, serão as seguintes promessas para manter?

  • Restabelecer imediatamente a idade da reforma nos 60 anos (ler)
  • Criar 150 mil empregos reservados aos jovens (ler) – onde é que já vi isto?
  • Criar 60 mil postos suplementares na educação (ler)
  • Aumentar a proporção de remuneração fixa dos clínicos gerais (ler)

Num país a viver apertos financeiros, veremos se a promessa fácil chegará a bom termo.