Porto: E quando volta o presidente?

Foto Fernando Veludo / Lusa

Quando foi criada a lei de limitação de mandatos para os Presidentes de Câmara fiquei dividido. Por um lado compreendia a necessidade mas, pelo outro lado, temi pelos últimos mandatos e o efeito “ser não o sendo“. Este efeito pode ter múltiplas consequências. Uma delas é um certo desprendimento às responsabilidades para as quais se foi eleito, utilizando uma linguagem cuidada. Na minha terra, o Porto, existe uma expressão que define este estado de alma noutro género linguístico: o “que se foda“.

Uns dias antes de regressar ao Porto tinha lido um pequeno texto do Professor Rui Albuquerque na sua página de facebook sobre os sem abrigo na cidade. Citando:

“Porto, Rua do Campo Alegre, princípio de manhã de uma quinta-feira chuvosa. Quem desce, à direita, debaixo das arcadas de um prédio de habitação, oito miseráveis dormiam no chão, muitos, ou todos, provavelmente ainda a ressacar. Urina, lixo, detritos por todos os lados. Trezentos metros mais abaixo, à esquerda, no Fluvial, encostadas ao muro de uma escarpa relvada que ladeia prédios de habitação, mais de dez barracas onde habitam outros miseráveis e toxicodependentes. Em volta, urina, detritos, lixo. Meia hora mais tarde, chegado à Praça da Batalha, ladeio o Teatro Nacional de S. João. Nos nichos do prédio habitam agora inúmeros miseráveis, alguns, provavelmente todos, toxicodependentes. Montam tendas nas reentrâncias do edifício, onde outrora se viam portas da fachada lateral. No passeio, urina, detritos, lixo abundante”. Rui  Albuquerque, Novembro de 2022.

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Carta aberta ao Moreira

Um grupo de profissionais da Saúde e das Ciências Sociais e Humanas redigiu uma carta ao presidente da Câmara Municipal do Porto, o monarca Rui Moreira.

O conteúdo da carta pode ser lido AQUI.

Stencil e fotografia de: FILHO BASTARDO

Prendam-se os drogados, as prostitutas e os paneleiros

“Câmara do Porto pede ao Governo que criminalize consumo de droga na rua”


O consumo foi descriminalizado, mas não despenalizado. Consumir substâncias psicoativas ilícitas, continua a ser um ato punível por lei, contudo deixou de ser um comportamento alvo de processo crime (e como tal tratado nos tribunais) e passou a constituir uma contraordenação social. [sic]

(fonte: SICAD)

Não sei se os senhores do Porto, o Nosso Movimento, do PS Porto e do PSD Porto conhecem a lei, mas convinha, antes de fazerem e/ou aprovarem propostas populistas de perseguição e opressão, lerem o que já está estipulado na mesma para não fazerem figuras de antas.

O consumo de certas substâncias já é punível por lei, caso o mesmo seja feito na via pública. Um cidadão pode estar na posse de x gramas de y substância psico-activa, sem que isso constitua um crime; o consumo na via pública também não é criminalizado, mas é punível (em primeira instância, como uma contra-ordenação em que o cidadão é instruído a apresentar-se na Comissão Para a Dissuasão da Toxicodependência – caso re-incida, poderá ter penas acessórias de trabalho comunitário a que poderão acrescer multas). [Read more…]

A narina da Sanna

Sanna Marin, primeira-ministra finlandesa, foi “apanhada” a divertir-se e a dançar com as suas amigas, a herege. Tem 36 anos, é uma mulher bonita, várias vezes “apanhada” a divertir-se na noite ou em festivais e, on top of that, chegou ao topo da hierarquia política, num país onde o grau de exigência e monitorização daqueles que exercem cargos públicos por parte da população não é o americano ou o do sul da Europa. E isto, por si só, chega para irritar a velha elite.

A velha elite, sempre moralista, agitou imediatamente o papão das drogas. Lá e cá. Os traficantes de cocaína riram-se e Sanna Marin respondeu com total disponibilidade para realizar um teste de despiste. A velha elite, parada no tempo na década de 60, quer políticos de fachada, cinzentos, sisudos, recatados e do lar. A velha elite que nos trouxe até aqui, reparem. E eu troco toda essa velha elite, balofa, incompetente, podre e a tresandar a corrupção pela narina da Sanna Marin.

Deixem as fardas em paz

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa@DN

Ainda o bem-sucedido processo de vacinação não estava concluído, já os portugueses se tinham rendido à eficiência e ao low profile abnegado do vice-almirante Gouveia e Melo. E foi, de facto, um trabalho notável e exemplar. Merece, a meu ver, todos os elogios. E a recusa categórica do messianismo foi a cereja no cimo do bolo:

Eu não sou político. Qualquer ser que apareça como o salvador da pátria é mau para a democracia, porque a democracia salva-se em conjunto com todos os atores do sistema democrático.

Não foram poucos, aqueles que, num ápice, se converteram à religião das fardas. Alguns por admiração, outros por desencanto de longa-duração com o funcionamento da democracia, outros ainda com os olhos postos numa solução autoritária, olhando para Gouveia e Melo como um meio para atingir um fim. Felizmente para nós, os militares portugueses têm tido um papel central nos combates pela democracia e pela liberdade, e, parece-me, são poucos dados a cantos de sereias fascistas. Basta ver o que fizeram aos antepassados desta nova vaga de extremistas de direita, naquela madrugada inicial, inteira e limpa.

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Excesso, Aqui

João Loureiro diz-se encontrar num filme sempre pop, cumprindo uma tradição familiar iniciada algures pelo mato da Guiné. Um irreal social provocado por diletâncias sem fim. Ah, explicar. Excesso, Aqui? Observo a extravagância…

Skid row: danos colaterais do capitalismo desregulado, selvagem e desumano

SR1

Na west coast da maior potencia económica e militar da história da humanidade, no coração da quarta cidade mais rica do planeta, residência de estrelas de cinema, rockstars e tech moguls, famosa pelos seus excessos e extravagancias, com muito sexo, drogas, rock´n´roll e dinheiro à mistura, situa-se o bairro de Skid Row, a dois passos do Staples Center ou do Walt Disney Concert Hall.

Em Skid Row, cuja população ascende aos 17 mil habitantes, cerca de 2 mil angelenos vivem nas ruas, alguns debaixo de um banco de jardim, nos casos em que a pobreza é absoluta, a maior parte em tendas, instaladas nos passeios da cidade, que podem facilmente ser vistas no Google Maps, na 6th Street e em algumas das suas perpendiculares, como a San Julian ou a Crocker St. Sem surpresas, é tida como a área do país com maior concentração de consumidores de crack e de crystal meth. Uma desgraça nunca vem só. [Read more…]

Cannabis nos mercados

A legalização estará cada vez mais próxima, é muito dinheiro em jogo…

Droga, um negócio com futuro

Droga, a definição não é correcta, porque existem muitas outras substâncias classificadas como droga, mas a palavra está normalmente associada a substâncias psicoactivas. Uso, posse e comercialização, constituem actos ilícitos, sujeitos a penalizações judiciais. Aqui existem algumas variantes, de país para país, entre consumo e tráfico, que podem ir até à pena de morte ou prisão perpétua, na maioria dos casos aplicáveis apenas aos traficantes, mas não só, pois alguns países perseguem brutalmente consumidores. Na Europa a moldura penal é mais branda, mas qualquer que seja o quadro aplicável, o negócio continua a existir, proporcionando enormes lucros a cartéis de narcotraficantes e obrigando os Estados a enormes gastos, numa guerra sem trégua para erradicar o que consideram ser um flagelo. [Read more…]

Um destes dias o proxeneta ainda será investidor…

Aumentar o PIB significa reduzir défice. Com défice mais baixo existe maior folga para contrair dívida. Ao ler esta notícia, que a ser verdade não passa de estender o tapete à contabilidade criativa, pergunto que sentido fará manter ilegal a mais velha profissão do mundo ou continuar a encarcerar traficantes, gastando dinheiro público nas várias etapas do combate à actividade, da investigação ao processo judicial, passando pelos serviços prisionais que ficariam bem mais aliviados se todos os condenados a prisão efectiva fossem libertados. E muito dinheiro do contribuinte poupado. Não seria mais correcto discutir estas temáticas no sentido da descriminalização, regular as actividades e então sim, uma vez legais, contarem para todos os efeitos estatísticos com direitos e deveres? A U.E. está cada vez mais parecida com a Máfia, tendo os governos nacionais como padrinhos…

Entrega-se a quem

provar pertencer-lhe

Há uma guerra civil a estalar no México

Milícias de cidadãos vs. narcotraficantes. Todos armados até aos dentes.

Olhò preço a que anda o “cavalo”, man!

Estado injecta hoje 4,5 mil milhões no BCP e BPI

Foi com esta que báicou o Jimi Hendrix

México: cinquenta mil mortos em seis anos na “Guerra à Droga”

Galeria de imagens.

Tarrafal está de volta?

Foto de Paulo Pimenta

Foto de Paulo Pimenta

Em tempos conheci por dentro o Bairro S. João de Deus, o Tarrafal! Lembro-me de uma conversa com o Cardoso, responsável máximo pela rede de tráfico de droga no bairro. Dizia-me ele:

– “Professor, esta é única forma que esta gente tem de viver. Se chega a algum lado, é cigano e diz que é do Tarrafal, ninguém lhe dá emprego”. [Read more…]

Países da América Latina querem discutir a descriminalização das drogas

Nas Américas, apenas os EUA e o Canadá estão contra. Não admira o negócio das prisões e a guerra à droga dão dinheiro a muita gente.

Hoje dá na net: The Union: The Business Behind Getting High

The Union: The Business Behind Getting High – a proibição de produção e distribuição de droga nada fez para diminuir a disponibilidade desta ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, a qualidade do produto distribuído não é assegurada, a venda faz-se indiscriminadamente a novos e velhos e, como é ilegal, uma boa quantidade dos lucros vai para criminosos, que desta forma podem financiar a sua actividade criminosa (há outros personagens, tão sinistros como os criminosos que também lucram com a proibição!). Enrolado no meio disto tudo está uma das drogas mais inócuas, a canábis (não é mais perigosa que o álcool ou o tabaco). Este documentário mostra como funciona o negócio na Colômbia Britânica e a relação inquieta que os vários personagens mantém com o vizinho EUA. Legendado em português. Página IMDB.

Versão sem legendas mas com melhor qualidade aqui.

Gadaffi tem razão: o mundo droga-se

Depois de Daniel Ortega, chegou a vez de Fidel Castro aparecer em apoio de Gadaffi. Nada de espantar: Fidel prestou-se ao envio de Che Guevara para a Bolívia a mando de Brejnev, e as suas canalhices em nome da revolução que conduziu Cuba ao capitalismo de estado, sob a habitual regência do seu clã familiar são por demais conhecidas.
A argumentação é clássica:

Una persona honesta estará siempre contra cualquier injusticia que se cometa con cualquier pueblo del mundo, y la peor de ellas, en este instante, sería guardar silencio ante el crimen que la OTAN se prepara a cometer contra el pueblo libio.

Mais delirante ainda, no Irão, um exemplo de humor muito negro:

Ahmadinejad está chocado: “Como é que alguém pode bombardear e massacrar o seu próprio povo?

Gadaffi tem razão em duas coisas, como qualquer velho relógio parado. Uma: anda por aí muita droga, e andam a  tomá-las sem saber. A segunda quando choramingou: “A rainha Isabel II de Inglaterra governa há mais tempo que eu e ainda não foi derrubada”. Com duas revoluções em meio século temos de convir que em relação aos ingleses os líbios levam vantagem.

Adenda: como o dono latiu, os cachorrinhos amestrados para os lados do PCP, já levantam a patinha no ar. Quando há uma revolução na Líbia os traidores do costume olham para a América. Não é de estranhar, falamos de velhos amigos de Gadaffi.

Investe em pornografia?

Não sabemos! Quando colocamos o nosso dinheiro numa qualquer empresa financeira, num Banco de Investimentos ou num Fundo de Pensões, nenhum de nós sabe se o nosso dinheiro anda a lucrar com actividades tão éticas como a pornografia, tráfico de armamento ou de droga.

O dinheiro vai no rasto da rentabilidade cega, não interessa se a actividade escraviza ou não seres humanos, é muito possível que o nosso dinheiro ande a financiar essas actividades! Eu sei que dormíriamos melhor sem isto, mas é melhor não termos veleidades. É certo que o nosso dinheiro anda por áreas que nos envergonham. Claro que nos Relatórios e Contas de grandes empresas estes milhões investidos e ganhos não aparecem em actividades que caem mal com a respeitabilidade reinante.

Numa daquelas investigações que só a BBC é capaz de fazer, descobriu-se que até o dinheiro das esmolas, doado pelos fiéis nas igrejas ( sim, na católica tambem…) estava investido em empresas que lucram muito dinheiro com a pornografia. Pode não ser directamente, mas o dinheiro anda lá a fazer mais dinheiro. O chamado “dinheiro fêmea”.

Que empresas? Google, Yahoo, Vodafone, Amazing, praticamente todas as redes de hotéis…todas ganham rios de dinheiro com a distribuição e venda de serviços pornográficos, embora em muitas delas essa actividade não seja a actividade principal.

Desde que haja bons lucros ninguem pergunta nada.

Brasil segundo maior mercado de droga

SPIEGEL: After the US, Brazil is the second-largest drug market in the Americas.

Fernando Cardoso: Drug consumers are primarily from the middle and upper classes. These people must recognize that they are partly responsible for violent crime. Cocaine is becoming a people’s drug. In every society, there is a certain percentage of addicts who are lost causes. Many others, however, could be saved. These are the people we have to reach. Spiegel Online > ver abaixo

Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida um homem equilibrado e respeitável, tal como milhares de homens de estado sérios, erra quando afirma :

“… These people must recognize that they are partly responsible for violent crime …”. [Read more…]