Nunca fiz greve

Nunca fiz greve. Em primeiro lugar porque quando não estou bem numa empresa, mudo. Em segundo lugar porque não trabalho no sector estado.

A verdade crua e dura é esta: nas últimas décadas, a greve não tem sido um direito mas sim um privilégio de algumas pessoas, quase todas trabalhadores do estado e com posição laboral absolutamente estável.
Com a mesma regularidade do Natal, das janeiras e da época balnear, ano após ano aí temos as mesmas greves. Este ano com a particularidade de haver greve geral.

Preocupam-se com a estabilidade do seu emprego e pedem salários mais atractivos, o que me parece normal. Alguns sectores, com a educação à cabeça, travaram uma longa luta não apenas pela componente salarial mas também pela qualidade do serviço prestado. A outros – e estou a pensar nas recorrentes greves das empresas de transportes de passageiros, ironicamente não os vejo discutir a competitividade das suas empresas, afinal de contas, o alicerce da saúde financeira que lhes manteria os empregos e, certamente, lhes permitiria ambicionar melhores salários.

Outra coisa que não vejo discutida por quem faz greve é a competência. Mesmo na classe docente. Tanto se batalhou pela avaliação e pela suposta avaliação (é de sublinhar a magistral diferença nestes dois termos, já que a segunda, preconizada pelo ME, mais não é do que gestão de custos salariais) e no entanto os incompetentes parecem intocáveis. Parece que quem não faz ondas passa por entre os pingos da chuva. Mas eles andam aí e até conheço alguns. Sendo de de sublinhar que hoje em dia despedir alguém do “quadro” é missão quase inglória, e que tal uma greve geral para forçar mudança legislativa conducente a que os incompetentes possam ser despedidos?

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