A minha vila

A minha vila faz anos esta semana…

(O coreto ao lado não é o coreto da minha vila. O meu não é tão bonito como este de Évora, mas é o nosso coreto onde, ontem, um grupo de meninos da catequese se sentou para mais uma sessão.

Poucos dão importância aos coretos da sua vila e aos coretos portugueses em geral, com tantas histórias para contar e onde muita música se tocou (e ainda se toca)… Pavilhões lindíssimos, alguns deles! Vale a pena fotografá-los).

O que eu ia dizendo da minha vila…

A minha vila (onde não nasci) consegue espantar-me. Morreu há pouco tempo uma mulher que secava o milho no passeio largo, tipo eira, em plena Estrada Nacional.

A cultura da terra ainda tenta fazer frente aos tempos modernos. Os tractores passeiam-se pelo asfalto impondo o seu andamento às demais viaturas apressadas.

Na minha vila, uma mulher septuagenária deixa o saco do pão fresco pendurado em algumas portas, todas as manhãs, antes das oito.

Na minha vila, os cachos de uvas e as figueiras debruçam-se em muros centenários, moradias soalheiras de numerosas sardaniscas.

Na minha vila, há um barbeiro que atende os compadres também ao domingo de manhã num anexo em cuja parede se albergam umas «alminhas» de 1839.

Na minha vila, os vizinhos oferecem alfaces, nabiças, pão cozido em casa, flores e até gatinhos.

Quando se faz a festa em honra do santo padroeiro, vemos na procissão a senhora da farmácia e o marido, o carpinteiro, a funcionária da escola primária, o filho da vizinha que toca trompete na banda, o senhor do supermercado, o presidente da junta que ajuda a carregar com o andor, etc.

Na minha vila faz-se, em Setembro, um concurso de Sopas e eu não gosto de faltar…

Na minha vila, tivemos até há bem pouco tempo, uma funcionária dos Correios que deixava o papel «volto já» na porta, sempre à mesma hora, para ir tomar café, sempre no mesmo sítio, frente ao coreto. Sabia o nosso nome, só não sabia o número de contribuinte, claro.

Na minha vila, renasci.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    E que foram pintados por MALUDA que o céu já levou
    O corêto do Jardim de Lisboa onde eu, também, assistia a concertos de bandas ao domingo ou o de Faro – onde até dancei no verão – e de repente os turistas dançaram – que lindo foi – estava já desactivado – temos mobiliário urbano delicioso e histórico e obras de arte do ferro – que Maluda imostalizou – creio que até houve uma série de sêlos de correio – que era dos mais belos do mundo – mas já não há sêlos – um amigo Martins Barata desenhou alguns – agora para poupar há apenas carimbos – ou enviam-se mails – certas economias e poupanças empobrecem muitas facetas da criatividade dos homens – estamos reduzidos ao pragmático que por vezes é pobretana – já nem faço colecção de sêlos – oferecí-os a quem era filotologista e fazia colecção a sério – mas restam-me alguns tão lindos

  2. maria celeste ramos says:

    Perdão por alguns erros de vocábulos mas nunca me lembro de emendar e precipito-me a enviar pois sou distraída – perdão mais uam vez – mas dá para perceber

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