O finar da Loja do Cidadão dos Restauradores (Lisboa)

sec estado joaquim pedro cardoso costa

Esta mastodôntica figura é o secretário de estado da Modernização Administrativa. Tem uma carreira cheia e anafada como ele próprio. Sempre exercida em círculos do poder.

Impulsionado por obesa ambição, em 2008 fundou e foi vice-presidente do partido ‘Movimento Esperança Portugal’, onde permaneceu sempre a mover-se, em louco dinamismo, até provocar o desmoronamento em 2011/início de 2012 do inócuo partido.

Com a agilidade que o move nos meios político-sociais, e de que a imagem da cabeça, pescoço e tronco dilatado é elucidativa prova, chegou ao citado o cargo de secretário de estado da Modernização Administrativa.

Truculento quanto basta, foi a figura escolhida pelo governo de Passos e Portas para extinguir a Loja do Cidadão, no centro de Lisboa, mais precisamente nos Restauradores.

A ‘Loja do Cidadão, agora em extinção, atendia uma média de 3.000 pessoas por dia, ou seja, cerca de 780.000 / ano, com o custo de uma renda de 600.000 euros/ano, equivalente, portanto, a menos de 0,77 euros por atendido.

Nesta azáfama pela exterminação de serviços públicos, ou melhor, na entrega a privados da respectiva exploração, uma das soluções governamentais é utilizar as estações dos CTT, recém-privatizadas. Teremos a oportunidade de verificar em futuro breve qual o custo que os cidadãos, nesses espaços, vão pagar adicionalmente pelos serviços prestados. E mais, dada a exiguidade das superfícies de substituição, a mudança implicará, de certeza, a escassez na variedade de oferta desses serviços.

Caminhamos em sentido inverso ao desenvolvimento e renovação do serviço público em países mais desenvolvidos. Justamente ao contrário do que, por exemplo, sucede no Reino Unido, país em que tais serviços são estimulados e expandidos; a despeito do governo conservador no poder.

Passos Coelho e Paulo Portas, com as trapalhadas da governação em que entrincheiraram o País, perderam definitivamente a noção de qualquer sentido ideológico da acção política. Arrumadas de início a social-democracia e a democracia-cristã, inventam, no dia-a-dia, um neoliberalismo à portuguesa: ‘o que faz falta é lixar a malta’, canta o PM em falsete, replica o outro em gestos largos e não poucas vezes entufados.

Se o agora habitante da ‘Massamá fina’, do condomínio fechado e sofisticado, tivesse em consideração a magreza financeira nacional que apregoa, em vez de encerrar ou diminuir serviços públicos, reduziria o seu gabinete que custa à volta de 150.000 euros por mês, com uma equipa de luxo: Chefe de Gabinete, oito assessores, sete adjuntos, quatro técnicas especialistas, nove secretárias pessoais, uma coordenadora, doze técnicos administrativos, nove elementos de apoio auxiliar e doze motoristas.

Ao todo, somam sessenta e três (63!) funcionários públicos privativos de Passos, o que para um autoproclamado modesto cidadão nos hábitos de vida é comprometedor. Mas, por falta de coerência e de vergonha, é o inverso do exemplo que exige ao País, em claro e pesado abuso dos recursos suportados pelos nossos impostos. Que moral tem este homenzinho, com gabinete sumptuoso nos meios humanos, para invocar ‘as despesas de pessoal do Estado’, quando forja e anuncia contínuos cortes de reformas, pensões e salários, concomitantemente com o aumento de impostos e de taxas moderadoras e de outros custos do que vai restando dos serviços públicos em fase de extinção?

(Adenda: graças a uma observação do comentador Hugo, foi detectado um erro no cálculo do preço por pessoa atentida; o novo cálculo, correcto, reduziu o custo acentuadamente, ou seja, para 1/5 do que havia sido indicado inicialmente. Do lapso, peço desculpa, com agradecimentos ao comentador Hugo.)

Comments

  1. vitor torres pinto says:

    Há lojas do cidadão em excesso.
    Com custos de manutenção e salários, manifestamente excessivos, duplicando tarefas.
    São pagos suplementos remuneratórios, a funcionários de departamentos, com procedimentos de rotina e meramente intermediários.
    Enquanto os intermediados, com vasta variedade e dificuldade de actos incomparavelmente maior, não precisam de suplementos, que vão desde os 10€ diários.
    E insisto: na maioria dos casos, a LC é mera intermediária, sem qualquer possibilidade de decisão.
    Há muitos serviços públicos, às moscas, pela ilusão colectiva de que ali é mais rápido.
    Já lá fui algumas vezes: filas não faltavam, salvo em alguns sectores menos procurados, dependendo da época do ano e do mês.
    De bom tem a segurança, que os demais serviços, fora de Lisboa, não têem – e que se impõe a arracuaceiros, agitadores e disfuncionais (estes, mais do que se imagina…).

    As LCs serviram, em muito, à propaganda socretina de modernidade eleiçoeira, pois no resto, não mostrou obra, salvo a que acarretou a ruína do país. Por decénios.
    E porquê custos tão brutais?
    Sim 700 mil€, de renda, são uma brutalidade.
    O Estado não é Louis Vouitton, Cartier, Prada, D&G ou Gucci…
    Uma boa parte dos serviços públicos, fora de Lisboa, estão instalados a custo zero ou mínimo, em instalações autárquicas ou próprias de diversos Ministérios.
    Muitas rendas foram renegociadas e aceites pelos senhorios privadosd, após 2011, porque…
    E as LCs pagavam milhões, porque…
    Por decisão suprema de quem…e imagine-se, porque…

    Foram as contas de dividir “per capita”, que tramaram o colectivo, pelo efeito multiplicador de todos os investimentos “poeira para os olhos”, que além do mais, duplicaram tarefas, com despesas constantes maiores.
    As SCUTS não se pagavam por elas próprias?
    Pois, pois: os números, depois de torturados, dizem o que “a gente” quiser.
    Preciso mesmo é: “qu€ €L€ corra”…

    • Nightwish says:

      É como as estações dos correios, se não existirem os reformados deixam de ir buscar a reforma! Isso é que é empreendorismo.

    • Carlos Fonseca says:

      As Lojas do Cidadão correspondem a um modelo copiado do Reino Unido, onde são estimuladas, como demonstro pelo documento da PW&C que liguei ao ‘post’. Não tenho nada a ver com o Sócrates, nem com a cambada do trio do ‘arco do poder’, de que, como centenas de milhares, sou vítima há anos.
      Além de tudo, a sua prosa é um itinerário próprio de um labirinto. Começa nas Lojas de Cidadão, acaba nas SCUTS. Os espaços das Juntas de Freguesia não são gratuitos, nem mesmo as estações dos CTT em localidades em que as juntas assumiram a gestão para não encerrarem. Vá a Galveias, por exemplo, e informe-se quanto custa à junta manter uma estação de correios aberta para servir uma população de 2.000 habitantes, mais de 80% reformados rurais e com idades superiores a 65 anos.
      Se é apoiante do governo, aplauda mas sem recorrer a argumentos vácuos.
      E por aqui me fico, não dando mais continuação a esta polémica sem sentido.

      • vitor torres pinto says:

        Labiritico: Pois seja.
        Os CTT não eram Administração Pública.
        E agora, fenecerão privadamente.
        As juntas de Freguesia, não são administração públicas, são organizações autárquicas.
        Também não defendo governança alguma.
        Sofri/o com uma e com outra.
        Por isso: quanto a labirintos e independência canónica…com as comparações e concatenações que expressou no “post”, francamente…da LC dos Restauradores até…

        Os modelos ingleses adoptados não são “adaptados”,
        Tomamos o modelo da fase 1 ou 2.
        Eles estão em fase ulterior, reformando a experiência anterior
        Pex: o modelo SIADAP, ainda em execução, pisa/ou a evolução britânica, “step by step”.
        Como se a dita evolução não existisse.
        O “chicote e cenoura”, apenas passou a “chicotinho” das “notas”, que actualmente, não valem um caracol morto.
        Apertaram-se os objectivos em camisas de onze varas, para serem mais baixinhas e manter subidas “lesmal” nos escalões remuneratórios, quando a lei lhes der efeito legal.

        Termino lamentando a sua resposta.
        Aliás, citando o seu superior topete: “E por aqui me fico, não dando mais continuação a esta polémica sem sentido.”

        Porreiro, pá!

        • Martunis says:

          “Os CTT não eram Administração Pública.”
          Assim que consegui parar de me rir segui rapidamente caminho.

      • vitor torres pinto says:

        NOTA: não há que fiar na aldrabice dos serviços públicos nos CTT.
        Suspeito que a “novidade” serviu para aumentar a apetência pelas ções dos CTT.
        Esparrela em que muitos cairam.

        A “fome” accionista que vai pelo lunático mundo financeiro (que escangalhou e se escangalhou) é verdadeiro “stupor mundi”…

        Esta governaça segue o registo aldrabão & manhos das anteriores.
        Só que a coisa vai refinando…
        Sempre para pior, claro

        Como dizia o russo: este ano é pior que o passado, mas melhor do que virá.

    • ALGUNS PRETENSOS “COMENTADORES” SÃO PAGOS PARA FAZEREM COMENTÁRIOS DESTE GÉNERO NAS REDES SOCIAIS, A SOLDO DO PODER. ESTE É UM EXEMPLO DO QUE A VOZ DO DONO E O EMPREENDEDORISMO A SOLDO DO PODER PODEM FAZER. NÃO TENHAM ILUSÕES CARÍSSIMOS.
      , .

    • Nuno Alves says:

      Vito Torres Pinto: está visto que se trata de um profundo conhecedor de matérias da administração pública, especialmente de lojas do cidadão. O que tu não sabes (mas não parece ser ignorância, é apenas falta de estudo), é que o modelo de lojas do cidadão, trazido do Brasil (Bahia), é considerado mundialmente como um “case study”, sendo considerado como um exemplo inovador no tocante à reforma da administração pública, reconcorrentemente citado em estudos e olhado como modelo de sucesso em “public administration”.

      Caro Vitor, seria bom estudares o tema antes de abrires a boca e dizeres asneiras. Por conseguinte, não critiques uma “ciência” que desconheces. Estuda gestão e administração pública, verás que o conhecimento compensa. A ignorância não.

  2. portela says:

    Renovação do serviço público? Caro Fonseca, renovação já era, agora o termo governamental equivalente é: refundação.
    .
    Houve um corte epistemológico!

    • Carlos Fonseca says:

      Portela, os nossos governantes cortam tanto que nem a epistemologia escapa.

      • portela says:

        Não é só nas pensões, não!

        Há que ter um olho no burro e outro no cigano. Dos documentos eles publicam, temos de atender ao “sentido literal” e principalmente ao sentido “sinto mal”, que diz respeito aos sintomas implícitos.
        .

        • portela says:

          É que eles vendem o refundar, para nos lixarem com o refundir. Ou seja o derreter de novo, cuidado com os gajos!.
          .

  3. Hugo says:

    Realmente, a renda é uma barbaridade (seria interessante saber quem é o proprietário e que tipo de relações terá tido com quem assinou o contrato de arrendamento do lado do governo). Com 600 mil euros/ano remodelava-se um edifício inteiro e não se pagava renda nenhuma. Na Fontes Pereira de Melo, a dois quilómetros de distância, há vários. É uma situação que me faz lembrar o que se passou com o arquivo do ministério das obras públicas, que estava num edifício próprio na avenida da Liberdade (renda 0) e foi transferido para perto do largo do Rato para um edifício onde paga renda.

    Já agora, uma dúvida: como é que o Carlos fez a conta aos 156 mil utentes/ano. A Loja do Cidadão só trabalhava 52 dias por ano?

    • Carlos Fonseca says:

      Tem razão, vou emendar. O governo saiu beneficiado do meu errado cálculo.
      Não é impossível renegociar uma renda – conheço várias empresas e estabelecimentos comerciais que o fizeram sempre no sentido da baixa.
      Não tenho nada ver com o ‘trio do arco do poder. Deu cabo do País desde Cavaco. Portanto, não defendo uns e favoreço outros. São todos a mesma merda. Por isso, não excluo que tenha havido ‘manipulação de interesses’ no arrendamento. Nem sei qual era o preço por m2 então praticado e qual é a área do espaço da Loja do Cidade. Sei que não é pequeno.

  4. Ai que este senhor tem coias bem especiais que os outros da sua família não têm – gorduchinho sim não aproveita os benefícios da farda preta que lhe daria noção de menos gorduroso
    mas tem alo que mais nenhum tem – um BEBETTE no lugar do queixo e uma cristinha de galo adaptada à sua idade – se calhar é paizinho de meninos da geração Y que deixam ver o que devia ser apenas muito privado – Os portugueses são mesmo fantásticos com o Rossio a abarrotar de gente que inclui muitos turistas belgas e alemães e outros – Onde estarão os “fugitivos” que demandaram um lugar de “homeless de luxo” na europa humanista ?? – Na avª dos Aliados a festa cola-se à de Lisboa e de Londres – a trégua da chuva veio a propósito – ao menos que o “tempo” não ajude os “tais” a estragar a alegria que resiste – onde estarão “esses” a beber champanhe ?? E os alunos de Apolo dançam – ora tome lá senhor PC (o tal) Vamos ouvir os “azeitonas” na Praça de D.João I para continuar a “festa” já que ainda não se é obrigado a trabalhar dia 31 depois das ?’Há bolo-rei e marisco para todos – a abundância portuguesa

  5. carlos says:

    3.000 pessoas / 8 horas do dia = 375 pessoas/hora

    corresponde a 6,25 pessoas / minuto

    quantos empregados são ?

    • Carlos Fonseca says:

      Vá lá contá-los. Se forem demais, recoloquem os empregados em serviços centrais (alguns privados ou do SEE, como EDP, PT, ZON, CTT, privatizados na maioria, Imprensa Nacional e Caixa Geral de Depósitos não são funcionários públicos). Já agora veja que, com o desemprego e pedidos de subsídio, a Segurança Social, às 11h, chega a finalizar a distribuição de senhas para o resto do dia.
      Chamo a atenção para o facto da argumentação do governo assentar no valor da renda e não no número de activos ao serviço, parte significativa dos quais, repito, é pessoal do sector privado.
      Aproveite para testar quantas pessoas são atendidas em 9,6 segundos, segundo as suas contas. Em diversos serviços, repito, as senhas para o dia terminam muito antes do encerramento da loja.
      Se for um Mira Amaral qualquer, a reformar-se da CGD, manda o motorista entregar os papéis no serviço e em meia-hora fica reformado com 18.600 euros mensais, por 18 meses de trabalho.
      Os defensores das políticas deste governo deveriam ter vergonha, mas não a têm.

  6. carlos says:

    não vou conta-los, mas pareceu-me um número algo elevado e só salientei isso.

    não sou defensor das políticas deste governo, mas lido melhor com estas políticas deste que nos está a tirar da bancarrota do que as do anterior que lá nos colocou.

    não como da poltica e dela nada espero.
    quando discuto estes assuntos é para evoluirmos, daí ter tentado chamar a atenção para números q me pareceram algo elevados no q escreveu.

    • Carlos Fonseca says:

      Eu nem com este nem com o anterior, o anterior do anterior, o anterior do anterior do anterior e por aí fora, governos de Cavaco incluídos. Todos juntos, e depois dos esforços recuperação bem mais racionais e humanos do falecido Prof. Ernâni Lopes, Cavaco e seguintes conduziram o País à desgraça que, fora certos privilegiados da ‘nova legião’, estamos a sofrer.
      O funcionamento de serviços não tem o ritmo de uma linha de enchimento de bebidas, deveria sabê-lo para comentar. Deste modo, não se pode avaliar como função contínua, o processo de produção de serviços.
      A fonte de onde retirei os números foi o jornal ‘Expresso’ e foram confrontados com outras fontes.

  7. lanca says:

    O semblante mais ou menos cheio do personagem não me incomoda, irrita-me mais ter passado uma manhã na LojadoCidadão das Laranjeiras sem conseguir tratar de um simples cancelamento de matrícula. Efeciência zero…

    • Carlos Fonseca says:

      E acha que, encerrando lojas, haverá melhoria? Diversas vezes, na Segurança Social, me sucedeu o mesmo, tanto nas Laranjeiras como nos Restauradores. O semblante – e o currículo! – é apenas um traço da boçalidade e da incapacidade de quem é líder supremo dos serviços que não o satisfizeram.

  8. Santos says:

    Sr Carlos Fonseca,

    O link da frase seguinte não estará errado?

    “Justamente ao contrário do que, por exemplo, sucede no Reino Unido, país em que tais serviços são estimulados e expandidos”

    Tinha curiosidade em verificar qual o link que queria ter posto. Cumprimentos
    Santos

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