
O Projecto Farol lançou um simulador, “A minha proposta de redução da dívida pública“, onde se pode brincar com três variáveis e concluir ao fim de quantos anos é que a dívida pública atinge os 60%.
Segundo este projecto, o Governo prevê teremos uma taxa de crescimento real do PIB de 1,27%, um saldo primário de 3,50% e uma taxa de juro nominal de 4,30%, o que permitirá que a dívida pública atinja os 60% daqui a 26 anos.
Estes indicadores fazem sentido? Olhemos para o respectivo histórico (gráficos disponibilizados pelo Projecto Farol).
Evolução do Défice/Superavit (%) PIB
Evolução da taxa de crescimento real do PIB
Evolução da taxa de juro
Parece que as previsões do governo fazem sentido, sim. Basta que o PIB cresca como não tem crescido, que os juros se estabeleçam onde não têm estado e que o saldo primário seja o que não tem sido. Simples, como se vê. Mas quem raio é que se importa com o que se passará nos próximos 26 anos se não se ganharem as próximas eleições?




Será que, em vez de “a dívida pública vai descer para 60% do PIB em 26 anos porque o PIB vai crescer 1,27% por ano, o saldo primário vai ser de 3,50% e a taxa de juro nominal se vai manter nos 4,30%”, o raciocínio não é mais “para que a dívida desça para 60% do PIB em 26 anos, é necessário que o PIB cresça 1,27% ao ano, o saldo primário seja de 3,50% e a taxa de juro nominal seja de 4,30%”?
É que também se pode perguntar, com o PIB a crescer como tem crescido, os juros a manterem-se como têm estado e o saldo primário a ser o que tem sido, fazendo o default quantos anos serão necessários para que a dívida pública chegue novamente aos 127% do PIB (mesmo assumindo que o default não tem impacto no crescimento do PIB, no saldo primário nem nas taxas de juro)?