Esclarecimento

esclarecimento

Secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins: Senhores jornalistas, anunciem que, depois das eleições de 2015, vamos estrear cortes nas pensões, novinhos em folha. Mas atenção, digam que esta informação vem do Ministério das Finanças.

Passos Coelho: “Ainda não há relatório, só pode ser especulação”.

Luís Marques Guedes: “Porventura a interpretação que alguns órgãos de comunicação fazem de conversas que tiveram com alguns, ou algum, membro do Governo, seguramente é exagerada para não dizer abusiva. Porque uma coisa é fazer-se um ponto de situação dos trabalhos que estão a decorrer, outra é tirar daí conclusões. Isso é um passo exagerado e abusivo

Paulo Portas: “O que aconteceu foi um erro, não devia ter acontecido, o grupo de trabalho não concluiu a sua tarefa, não fez qualquer proposta, não conheço qualquer documento e, não havendo proposta, nem documento, é evidente que o Governo não pode ter feito qualquer avaliação política, muito menos tomado qualquer decisão política”

Esclarecimento: informam-se os portugueses que, até ao dia 25 de Maio, qualquer notícia desagradável sobre o país que está melhor será mera calúnia dos jornalistas. Mais, se algum Secretário de Estado der alguma conferência sobre assuntos que ainda não queremos divulgados, que se saiba que um triunvirato governamental prontamente sairá ao ataque do mensageiro, perdão, em negação da mensagem.  Obrigado.

Anarcomiguxos

A palavra não é fácil de explicar: migucho é um equivalente brasileiro para amiguinho, abreviado na nova língua portuguesa dos teclados, em tuga penso que se escreve mgo. Anarco, neste caso, vem da pretensão da extrema-direita moderna se apresentar contra o estado, excepto quando, armado e feroz, lhe suporta o poder económico.

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Anarcomiguchos é a designação de uma página no Facebook, onde gente de várias esquerdas se diverte com os seus adversários políticos, inspirados pelo astrólogo Olavo de Carvalho e muito concentrados no mises.org. Assenta que nem uma luva, no Brasil onde os devotos da ditadura militar ainda são um entretenimento, não nos chega, que os temos no governo e dali não irão sair se continuarmos a suportar o arco do capitalismo selvagem que nos tem governado neste século, fora o passado.

Porque o anarcocapitalismo está para o anarquismo, como o emo está para o punk – é o seu lema. E tanto mar nos separa, é o remate que aqui me interessa, a esquerda portuguesa até finge ser este mais um governo de direita como os outros, enquanto da serpente todos os ovos estalaram. Alguma malta, depois num campo de concentração qualquer, ainda discutirá o assunto.

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Na Linha do Equador: Volta à ilha de barco

Maria Gomes Moreira

Este foi o último fim-de-semana da Madalena em São Tomé, e por isso resolvemos fazer um programa “magnata”: dar a volta à ilha de barco.
Expectativa: um dia daqueles que se vê nos filmes – todos a apanhar sol no barco, a tirar imensas fotografias, relaxados a ler um livro e ouvir música, fazer um piquenique, atracar numa praia paradisíaca para apanhar sol…
Realidade: acordar às 4h da manhã para estar as 5h na praia, onde uma canoa a motor nos esperava. Estavam nuvens por isso nem conseguimos ver o nascer do sol. Cada onda que passávamos era um banho que apanhávamos. Pela primeira vez tive frio em São Tomé!!! Cada vez estavam mais nuvens e mais ondas e apesar de o “comandante” da canoa dizer que estava tudo bem e que não estávamos a passar por nenhuma tempestade, o céu cinzento não estava a inspirar muita confiança, então pedimos para parar no sítio mais perto para esperar que o mau tempo passasse. Se isto fosse um filme, tínhamos parado numa qualquer praia ou ilha deserta com canibais. [Read more…]

Os polacos não percebem

Por que razão o “Expresso” dá guarida a um raposo. Nós já desistimos de perceber, sr. Embaixador.

A virtude da Teodora

teodoraPara quem tem dúvidas, lá está a etimologia para nos ajudar. O nome Teodora, compõe-se, providencialmente, de theo (deus) e doro (dom), isto é, Teodora quer dizer “dom de deus”. É por isso que ser Teodora é um elevar-se a alturas desconhecidas do comum dos mortais; é um aproximar-se da perfeição.

Assim, perante a perplexidade geral, uma particular Teodora (neste caso a Cardoso) exerceu o seu virtuoso poder trazendo aos seus ignaros concidadãos um caminho salvador. Como acontece frequentemente com estes espíritos superiores, não foi compreendida, outrossim vilipendiada, maltratada na praça pública e pescada nas redes sociais.

E, todavia, Teodora teceu uma hipótese perfeita. Acompanhem-me:

a) éramos obrigados a receber todos os nossos rendimentos em determinadas contas bancárias;

b) de cada levantamento seria feita uma retenção, sendo que o total das retenções constituiria a base do nosso IRS;

c) e tais retenções seriam geridas por quem? – pelos bancos, claro;

d) uma vez que os bancos se encarregariam das operações – com muito gosto, claro – era justo que, além das gordas vantagens que essas avultadas reservas lhes trariam, fossem devidamente remunerados pelo trabalho;

e) e quem lhes pagaria, quem? – o ministério das finanças, claro;

f) e quem paga o ministério das finanças? – nós, evidentemente.

E é aqui que nos abeiramos da perfeição, do créme a la créme da sofisticação financeira: uma PPP em que os protagonistas são as finanças e os bancos! A pureza absoluta! O lucro sem porcarias, sem obras, sem concursos, sem necessidade de ministros corruptos. Uma ideia que é, ela própria, um… theo doro.