Parece mentira…

… mas, a meses de fazer 100 anos,  os conflitos anteriores à primeira guerra mundial parecem de novo erguer-se.

“Erros meus, má fortuna, amor ardente”

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… murmurava poeticamente, com os seus botões, o banqueiro, olhando o desastroso resumo dos resultados do seu banco. Atirou com o papel, abeirou-se da janela do 20º andar, limpou uma imaginária impureza do seu casaco de seda, abriu a janela. Acendeu um havano, sorriu e, entre dentes, saiu-lhe: ” Que se lixe, alguém há-de pagar”.

Imagem: George Grosz, Swamp Flowers of Capitalism, 1919.

Mensagem a Telma Monteiro, de novo campeã europeia de judo

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Presada Telma:
Tendo acabado de assistir à sua gloriosa (mais uma!) jornada de Varsóvia, vendo como fez voar a sua adversária, que ousou agarrá-la “pelos colarinhos”, confesso que, para além de aplaudir e a felicitar do coração, me ocorreram ideias patrióticas. Ao ver a bandeira nacional subir, pensei para comigo: o Passos Coelho ou o Cavaco não vão perder esta oportunidade. Vão querer condecorá-la!

Ora, querida Telma, se tal acontecer, ocorrerá um momento em que estará a centímetros de um destes senhores, os quais estarão a pregar-lhe uma medalha nos mesmíssimos colarinhos. Nesse momento, oh sim, nesse momento, lembre-se que sentimos que nos representa a todos, lembre-se do modo como venceu todos os combates do torneio. Lembre-se do golpe da vitória final. E faça aquilo que 90% dos seus concidadãos gostariam de fazer se estivessem no seu lugar. Se tem dúvidas, qualquer do nós, seus amigos e admiradores, terá muito prazer em fazer as devidas sugestões.

A bem da Nação.

Apontamento em sábado de Carnaval

Se não fosse a RTP nem me apercebia que é Carnaval, tão ausente essa tradição está do Canadá inglês. Assim, tomei o pequeno almoço ao fim da manhã e de seguida fui ao cineminha do meu bairro ver O Filho de Deus, ontem estreado, confesso que curiosa de ver Diogo Morgado num filme sério de grande fôlego. Gostei, da interpretação dele e do filme. É natural, sou cristã, o filme sensibilizou-me. Mas se o não fosse, ninguém me poderia tirar a simpatia e o orgulho  por um compatriota jovem que, a exemplo de milhares doutros, teve de rumar ao estrangeiro porque na Pátria os chamados poderes públicos são exercidos por gente ignara, bronca, tosca, que tem vindo a espezinhar tudo quanto lhe cheire a Cultura, a Ciência, a Pensamento. Oxalá todos os nossos jovens encontrem a sua hora de oportunidade no estrangeiro. Ao menos isso.
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Lena d’Água em 1976

lena-dagua-1976Fonte

Vende-se Carro Azul de 1975

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Este carro precisa de alguém que lhe dê a atenção que merece, e que eu não tenho conseguido dar.
Isto não significa que se deva dar-lhe um nome e conversar com ele.

Eu não sou apreciador nem de carros antigos nem de Ford’s (o que vem a dar quase no mesmo); nem sou adepto de carros azuis.
Mas reconheço que a prosa poética em que vem embalado este objecto o faça valer pelo menos os 3.200 euros que o dono pede a quem lhe quiser dar mimo e atenção. Eu compraria caso buscasse boa literatura.