Convento, Tomar mais cuidado com as Fogueiras da Inquisição


Depois da tempestade mediática a propósito de incomensuráveis e gravíssimos danos provocados no Convento de Cristo, em Tomar, pela equipa do filme “O Homem Que Matou Dom Quixote”, tempestade criada, como é habitual, pela apresentação unilateral daquela versão dos factos que mais interessa ao “clickbait” e à inflamação das audiências – e sem prejuízo do resultado do inquérito que será sempre necessário aguardar para formar uma opinião mais consistente sobre o assunto – entendi, porque prezo o contraditório e torço o nariz quando esse princípio não é devidamente respeitado por quem o deve respeitar (os jornalistas, óbvio), republicar o seguinte esclarecimento da produtora UKBAR, responsável pelas condições de rodagem do filme parcialmente rodado no Convento de Cristo:

[Ukbar Filmes]

“Em virtude das alegadas informações que têm sido veiculadas nos últimos dias relativas a “destruição” no Convento de Cristo em Tomar durante a rodagem do filme “O Homem Que Matou Dom Quixote” do realizador Terry Gilliam, cabe à UKBAR, produtora portuguesa do filme, assumir as suas responsabilidades e esclarecer o seguinte:

Verificaram-se, de facto, alguns danos, que foram devidamente contabilizados, pela equipa de peritagem associada ao Convento, que tão bem conhece o espaço e fez a sua avaliação antes e depois da rodagem. Para que conste, esses danos saldaram-se em seis (convencionais e de fabrico recente) telhas partidas e quatro fragmentos pétreos de dimensões reduzidas e variáveis, de aproximadamente 8 centímetros, no máximo. Importa também esclarecer que, segundo o perito independente, nenhum destes danos foi causado por algum tipo de uso indevido ou excessivo, mas poderia ter ser provocado por qualquer visitante. Em referência às tarefas de recuperação, irão ser aplicadas as mesmas técnicas que se aplicam habitualmente para este tipo de construção e que o Convento utiliza ano após ano para tratar a deterioração habitual do mesmo. Os danos a reparar estão contabilizados num orçamento total de 2.900€.

No que toca ao corte de árvores, ele ocorreu durante a limpeza no final da rodagem, tendo os serviços do Convento de Tomar justificado a decisão com o facto de não se tratarem de espécimes autóctones (e que foram plantados há alguns anos para a rodagem de outro filme), que deveriam ser substituídos.

No que à utilização do fogo dizia respeito, ele não pôs de forma nenhuma, em momento algum, a integridade do edifício, nem dos presentes na rodagem, em causa. Sob a supervisão do Comandante do Corpo dos Bombeiros Municipais de Tomar e de elementos da Proteção Civil, os bombeiros foram convocados, fizeram-se presentes e estavam alerta para qualquer eventualidade. Mas a sua intervenção não foi necessária, uma vez que tudo se processou dentro da normalidade e com o profissionalismo que a situação exigia.

Desde o primeiro momento, tivemos consciência da responsabilidade de estar a utilizar um espaço histórico, que para além de Monumento Nacional é Património Mundial, e nunca nos passaria pela cabeça desvirtuar. Alertámos todos os participantes na rodagem para esse facto de forma a que se movimentassem com delicadeza e respeito. Foram cumpridas todas as condições estipuladas nos termos do aluguer do espaço. Houve sempre acompanhamento técnico por parte dos profissionais do Convento, tanto nos períodos diurnos como noturnos; e foi também nossa preocupação que o seu normal funcionamento fosse afetado o mínimo possível. Não deveriam, portanto, a mesquinhez e as pequenas invejas ser suficientes para criar fantasmas que atentem contra o potencial que nosso cinema tem.

Este filme trouxe a Portugal um capital genuíno e criou trabalho para técnicos, atores e empresas portuguesas. Veio demonstrar também que Portugal tem talento e capacidade para estar a par de países com mais avultados recursos económicos. Quando o filme estiver concluído, teremos um grande orgulho em mostrar ao mundo inteiro um edifício com a riqueza cultural milenar do Convento de Tomar, que será projetado em ecrãs à escala planetária. E contribuirá, esperamos, para incrementar o interesse em Portugal, trazer mais turistas ao país e chamar a atenção para o cinema – e a cultura – que aqui se produz.
Para mais informações ou esclarecimentos, contactar, por favor:

press@ukbarfilmes.com

http://www.ukbarfilmes.com/

 

 

 

Comments

  1. Continuo a dizer: há sempre alguém para justificar o injustificável, sendo o injustificável o uso de espaços públicos para festas, rodagens de filmes comerciais e etc. A estupidez começa logo aí. Todo o chorrilho de justificações neste comunicado, inclusive a (vejam só) utilidade da equipa do filme para fazer o desmatamento da envolvente é, no mínimo, surreal. Mas claro, vão pondo paninhos quentes. Um dia destes ninguém se espantará que se use o próprio edíficio como material de combustão. Afinal de contas já há artistas que incendeiem igrejas por video-projecção. Muito mais artístico é atear-lhes fogo.

  2. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Não vou comentar a explicação: palavras para quê?

    Deixo uma pegunta: Quanto pagou a Ukbar pelo aluguer do Convento de Cristo? Já que são tão “transparentes” e amigos da verdade, suponho que não se importarão de nos esclarecer. Confesso que tenho curiosidade em saber quanto custou pôr em risco um espaço que tão importante é para Portugal, e que é património mundial.

    Quanto às explicações, não comento, mas gostei sobretudo da dada para o corte das árvores: Não são espécies autóctones, portanto, cortam-se, e no seu lugar planta-se… cascalho. Não é bonito, mas, por maioria de razões, deverá ser cascalho autóctone?

  3. Rui Mateus says:

    Foi uma simples fogueira, foi um simples corte de árvores não autóctones. Tudo simples 😈😠

  4. joão lopes says:

    tendo em conta que o turismo é a principal industria em Portugal,então esta na hora de falar da mercantilização de patrimonio classificado,parques e reservas naturais protegidos,de festas privadas nos jeronimos,da mais que provavel destruição da costa alentejana…tudo isto em nome do dinheiro.Rebanhos de turistas podem danificar o castelo de são jorge? podem sim senhor.Agora ,a mesquinhez,maldicencia e a hipocrisia foi a de quem utilizou o nome do realizador ,quando na verdade nada aconteceu.

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