Pedrógão, conhecer é lembrar

O ministro Capoulas dos Santos atribuiu hoje a tragédia de Pedrógão a fenómenos meteorológicos paranormais.
Há aspectos em que este governo se está a tornar melhor do que o anterior. Um deles é a falta de vergonha.

Notícia de 18 de Maio de 2017:

Ah! E o pantomineiro era o outro!

Um disse isto, o outro disse aquilo . E em Pedrógão Grande! E agora ninguém lhes pergunta nada?

“4 horas à espera do 112”

Em Pedrógão. Lá no fundo. Lá longe.

O SIRESP falhou novamente

Estrutura accionista da PPP SIRESP: SLN, PT Ventures,  Motorola, Esegur e Datacomp.

O SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal) tem como objectivo ser um sistema de comunicações móveis comum às forças de segurança, emergência médica e protecção civil. Está marcado pela polémica desde o seu início. Falhou agora no incêndio de Pedrogão Grande e, ironicamente, já antes tinha falhado durante 6 horas neste mesmo concelho, aquando da grande tempestade de 19 de Janeiro de 2013 (cf. vídeo abaixo ao minuto 7:51).

Em caso de catástrofe, quando as comunicações são mais precisas, as falhas no SIRESP têm acontecido. Não serão a causa dos problemas, mas assim não contribuem para a solução. Vale a pena recapitular como é que este sistema problemático entrou em funcionamento (adaptado do tretas.org): [Read more…]

Falha total do sistema de Protecção Civil

© Expresso

A consternação, cada um que a viva a sós consigo, para que ninguém mais possa avaliar a sinceridade com que o faz.
A denúncia da tentativa de desresponsabilização imediatamente iniciada por governantes e políticos, essa, deve ser pública e sem tréguas.

Há vários factos inéditos nesta tragédia. Um deles é a imediata resposta do sistema de propaganda e contra-informação que, de modo muito eficaz, procurou culpabilizar a trovoada seca e os relâmpagos pela absoluta inaptidão dos meios de protecção civil, inaptidão essa que ainda há poucos dias foi denunciada, pela segunda vez, pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Real e líder dos autarcas socialistas, a propósito do acidente ocorrido no túnel do Marão que, felizmente, causou apenas danos materiais. Desta vez.

A “optimização de recursos” e o governo do país guiado pelas folhas de Excel tem os seus custos. Por vezes incomportáveis, como é o caso vertente. Em ano de eleições autárquicas, seria importante avaliar a quantidade de dinheiros públicos que estão a ser desviados para festas, festivais culturais, conferências sobre investimento inteligente, inaugurações de pedras, subsídios a instituições para compra de votos, pagamento a snipers anónimos que campeiam pelos blogues, perfis falsos de feicebuque, compra de meios de comunicação locais e o mais que constitui o regabofe dos orçamentos autárquicos em ano de eleições, ao mesmo tempo a que se assiste à degradação contínua dos serviços públicos e ao abandono do interior do país.

Sábado, 17 de Junho de 2017, cerca das 9h00, quase toda a comunicação social fez eco do aviso lançado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que colocou quatro distritos em Alerta Vermelho, prevendo temperaturas de 44 graus para algumas zonas do país e elevado risco de incêndio em praticamente todo o território, com natural agravamento nas zonas do interior.

Eram 14h00 quando o incêndio teve início, em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande. Só às 19h00 o IC8 foi cortado, entre a zona industrial de Pedrógão e o nó de Outão. Estavam no terreno 180 bombeiros, dois meios aéreos e 52 viaturas, num dos maiores incêndios de sempre em Portugal. A Barragem do Cabril, um imenso reservatório de água, fica a escassos dois ou três quilómetros do centro de Pedrógão Grande.

Às 21h30, já com várias aldeias cercadas pelas chamas, um bombeiro desaparecido, vários feridos entre civis, o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande afirma: “É impossível acudirmos a todas as aldeias. Estamos a todo o custo a ver se nos chegam bombeiros de Lisboa”.

Às 23h45, quase dez horas depois do início do incêndio, o Secretário de Estado Jorge Gomes fala e confirma a morte de, pelo menos, 19 civis.

Às 00h35 o primeiro-ministro chega à Autoridade Nacional de Protecção Civil. Cinco minutos depois, chega o Presidente da República a Pedrógão Grande, afirmando que “se fez o máximo que se podia ter feito”.

Às 5h00 o Governo declara “estado de contingência activa”, explicando que “isso torna possível o acesso a mais meios e a outras possibilidades” (!)

Às 9h00 confirma-se a existência de 43 vítimas mortais.

Às 10h00 estavam no terreno, segundo o jornal Expresso, “cerca de 800 operacionais, apoiados por 244 viaturas”. Quando chegaram, não se sabe.

Às 10h10 o director da Polícia Judiciária afirma ter sido encontrada “a árvore que foi atingida por um raio”, alegadamente responsável pelo maior e mais mortífero incêndio de que há memória em Portugal.

Às 10h30, cerca de vinte horas depois de ter início o incêndio, chegam meios aéreos de Espanha e estão a caminho três aviões fornecidos pela República Francesa.

Às 13h30 o governo decreta três dias de luto.

 

Paulo Fernandes, do departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em declarações à RTP, afirma que houve uma “falha total do nosso sistema de proteção civil”. Em causa, por exemplo, “o não encerramento de algumas estradas ao trânsito” e o facto de “não haver um único meteorologista especializado em incêndios florestais que esteja a trabalhar em situação operacional.

 

As longas gravatas de Trump

Aí está a explicação. Trump viu Amor Sem Aviso, um filme de 2002, e reviu-se no ar tonto do Hugh Grant. Acertou.

Portugal e o rating da Fitch: dating with ratings

Na passada sexta-feira António Costa mostrou-se satisfeito com uma decisão da Fitch, ao mesmo tempo que Passos Coelho a desvalorizava, afirmando que não era a primeira vez que a agência dava uma visão positiva sobre a dívida portuguesa.

Com efeito, depois da derrocada de 2011, foi preciso esperar até Abril de 2014 para a Fitch atribuir-nos um “BB+; Outlook Positive”. Esta revisão manteve-se sem alteração até Março de 2016, altura em que foi revista em baixa para “BB+”, tendo assim ficado durante um ano, até ao passado dia 16.

Este relato é factual. Passemos agora à análise.

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O que fazer para ajudar bombeiros e vítimas?

Segue a transcrição do texto de Andreia Sanches e Sérgio B. Gomes, no Público. Convém prestar atenção às actualizações.

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Muitas pessoas questionam-se sobre [Read more…]

Falta Cumprir-se Portugal

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© Adriano Miranda / Público

Sobre um povo que outrora se expunha ao acaso dos ventos e das ondas do mar e que insiste, ainda, permanecer à mercê da natureza e dos burocratas, cito uns parágrafos legais, daqueles que redigimos para nos preservamos, a nós e aos nossos, do livre arbítrio daquelas forças.

Reza assim:

“2 – Os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edificações, designadamente habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos, são obrigados a proceder à gestão de combustível numa faixa de 50 m à volta daquelas edificações ou instalações medida a partir da alvenaria exterior da edificação, de acordo com as normas constantes no anexo do presente decreto-lei e que dele faz parte integrante.
3 – Em caso de incumprimento do disposto nos números anteriores, a câmara municipal notifica as entidades responsáveis pelos trabalhos.
4 – Verificado o incumprimento, a câmara municipal poderá realizar os trabalhos de gestão de combustível, com a faculdade de se ressarcir, desencadeando os mecanismos necessários ao ressarcimento da despesa efectuada.”

Querem ver casas e pavilhões industriais no meio da floresta?
É ir pelos caminhos de Portugal.

Algo não bate certo

No país que bate recordes no défice, cujo ministro das finanças é um Cristiano Ronaldo, que cai novamente do goto das agências de rating, que vê a taxa de desemprego “descer” para níveis nunca vistos, cujo PIB dispara como um míssil, que substitui o Banco público por carrinhas, há dezasseis pessoas que morrem na estrada, dentro do carro, atingidas por um incêndio, sem que autoridade alguma o tivesse prevenido.

Onde fica Pedrógão Grande? Será que, neste caso, a Protecção Civil também estava a operar a partir de Almada?