O Partido Comunista ao serviço dos capitalistas

 

 

 

 

 

 

 

Há uns anos, ninguém diria que um dia o Partido Comunista Português iria ser um mero serventuário dos mais ferozes capitalistas portugueses.
Mas é verdade. Afinal, de suportar um Governo com políticas de Direita até apoiar capiltalistas, vai um pequeno passo. É uma questão de hábito.

Ontem, o Partido Comunista Português decidiu declarar o seu apoio a capitalistas condenados que devem milhões a um Banco cujo resgate foi e será pago por todos nós, contribuintes.
A presença da deputada Rita Rato no beija-mão ao presidente do Benfica vincula todo um Partido.
É que o presidente do Benfica não deixou falir um restaurante. O presidente do Benfica deve 500 milhões de euros. O PCP sente-se confortável com isso.
No fundo, não é surpreendente. De um Partido que disse não acreditar que houvesse ditadura na Coreia do Norte, não é de espantar. De uma deputada analfabeta que desconhece os gulag, também não.
E quanto ao tráfico de droga na Guiné-Bissau, nada a dizer?

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspetivas em Português”»

how much difference does it make?

—  Ament, McCready, Gossard, Abbruzzese & Vedder, “Indifference

Se for para bem, sigamos para bingo.

— Rodolfo Reis, 25/6/2017

I think you’re fighting a losing battle at the Eurovision. But in the rest of the world, you’re quite right, sir.

— Graham Norton

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Descubra as diferenças.

Português Europeu antes do AO90:

«Sociedade de Autores apoia projecto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Português do Brasil antes do AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Português Europeu com AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspetivas em Português”».

Português do Brasil com AO90:

«Sociedade de Autores apoia projeto “Literatura Mundo: Perspectivas em Português”».

Quanto ao sítio do costume, tudo exactamente como dantes.

Sigamos para bingo.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Ainda sobre a merda do SIRESP

Segundo o Jornal de Negócios, o Estado português terá recusado vender a posição da falida Galilei na empresa SIRESP SA. A herdeira da fraudulenta SLN detinha 33% da empresa, mas a comissão de credores, liderada pela estatal Parvalorem, rejeitou a proposta da Green Services Innovations, alegadamente por estar muito abaixo do valor previsto.

É incrível que alguém queira comprar uma parcela desta porcaria inútil, mais incrível ainda que se recuse qualquer valor por ela. Num país de PPP’s onde o lucro fica sempre no sector privado e os encargos quase todos do lado do público, qualquer meia-dúzia de euros seria bem-vinda. Neste caso, porém, a empresa britânica estava preparada para avançar com 2,5 milhões de euros, valor que, considerando a avaliação da SIRESP SA, encomendada pela comissão de credores à Ernst & Young, que atribui um valor total de 9,7 milhões à empresa, não é seria assim tão mau, principalmente por se tratar da inutilidade do SIRESP.  [Read more…]

Somos inimputáveis

A estratégia adoptada pelo governo, pelo Presidente da República e por todos os partidos com representação parlamentar, sem excepção, na gestão política da tragédia de Pedrógão Grande, é a da afirmação da suprema inimputabilidade do poder.

Foi perceptível, no próprio dia dos acontecimentos, que o Estado tinha falhado o seu dever de protecção dos cidadãos e do território. Foi igualmente claro que esse fracasso não resultava de um episódio agudo, fortuito e extraordinário, mas de uma condição degenerativa e crónica do poder público e das suas estruturas fundamentais.

Ê claro que essa degeneração não começou ontem, nem teve início com este governo. Ela é um processo gradual de captura e diluição do interesse comum pelas redes dos interesses económicos privados. É o roubo quotidiano da soberania e dos instrumentos que a podem garantir.

Se uma tragédia desta magnitude não leva os responsáveis públicos nela implicados a um acto de brio cívico e dignidade política, nada levará. É essa a mensagem que o poder político quis fazer entendida pelo povo que ainda se ocupa em procurar entender: somos inimputáveis.

O cerco

Ouve-se muita vez que os políticos são inimputáveis e estes defendem-se dizendo que são os eleitores que julgam as suas acções. Eu acho que é pouco. Em todas as profissões, excepto na política (sim, a política é uma profissão), a responsabilidade profissional é um facto, com consequências na carreira e, por vezes, na justiça também. Por exemplo, um engenheiro que projecte mal uma obra será responsabilizado; um professor que não seja correcto com um aluno terá um processo disciplinar; um advogado que represente mal o seu cliente estará a contas com a Ordem.

A propósito do SIRESP e das negociações feitas em 2006, António Costa, vê as acções de então serem agora duplamente escrutinadas, dado o seu papel de actual primeiro-ministro e a assinatura que deixou no contrato. Enquanto Ministro de Estado e da Administração Interna do XVII Governo Constitucional, Costa podia não ter assinado o contrato do SIRESP, até porque a anterior vergonha assinada pelo governo de gestão de Santana Lopes, 3 dias ter perdido as eleições, tinha sido legalmente anulada. Mas assinou. E, para ter base política para o fazer, conseguiu uma redução de 50 milhões no valor do contrato. Acontece que o consórcio do SIRESP não é um grupo de inocentinhos e baixou o preço graças a redução de funcionalidades. Costa sabia disso. Só podia saber, mas olhou para o lado. E agora está a pagar o preço político desse acto. E a responsabilização pessoal? Essa não existe. Coitados, são políticos.

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