Um “polícia” na TAP


[Rui Naldinho]

Diogo Lacerda Machado | Foto: DN

Este governo achou por bem reverter aquele negócio ruinoso para os contribuintes portugueses, entre os muitos que a esquerda socrática e a direita passista nos brindaram ao longo de mais de uma década, a venda maioritária do capital da TAP. Esta decisão é quase tão importante para o cidadão, como o ordenado que recebe ao fim do mês, porque em última análise quem se lixa é sempre o mexilhão.

Contrariamente a muito boa gente, sempre admiti a privatização total da TAP, desde que o comprador assumisse por sua conta e risco todo o passivo da empresa. Ora, o que Passos Coelho fez, não foi nada disso. Vendo bem, se a coisa corresse de feição, a TAP era deles, se a coisa corresse mal, a TAP continuava nossa. Porque quem avalizaria perante a banca todos aqueles créditos, era o Estado. Negócios destes é o que por aí há mais. “Lucros privados e passivos públicos!”

Por sua vez, recorde-se o verdadeiro dono daquilo tudo. Da parte privada, diga-se. Um cidadão estrangeiro, de fora da Comunidade Europeia, meio brasileiro, meio norte-americano, e mais que fosse, David Neeleman. O senhor Barraqueiro, de apelido Pedrosa, não passa de um simples testa de ferro, sem dinheiro para tais voos. Mas toda a gente fingiu que não era assim, a UE incluída. Isso sim, foi uma verdadeira pouca vergonha.

Os governos da República estão fartos de privatizar empresas lucrativas, sem que antes agendem nos contratos de compra e venda, um conjunto de cláusulas leoninas, com lucro garantido à cabeça, doa a quem doer, para depois nos venderem aquela ideia, já muito gasta, de que com os privados, as PSI 20 ainda dão mais lucros do que se estivessem em mãos Públicas. No caso da TAP, como a empresa estava falida, o ideal era dar-lhes a oportunidade de privatizar os lucros, nacionalizando o passivo.

Diogo Lacerda Machado, advogado e amigo pessoal do actual primeiro ministro foi o responsável governamental que conduziu essa reversão. Foi ele que liderou todo o processo de retoma por parte do Estado Português do controle da transportadora aérea, naquilo que é estratégico para Portugal. O Estado sai das decisões de carácter técnico financeiro, mas tem a última palavra em opções estratégicas, com direito a veto, que ponham em causa as rotas, a segurança, e a fiscalidade. Desta forma o Estado não gere, mas tem uma espécie de “polícia”, espero que bom, cuja função será acima de tudo salvaguardar o contribuinte nacional, e as nossas comunidades, na diáspora.

A mim também me preocupa que uma sociedade com mais de vinte advogados, a BAS, do qual o futuro vogal da TAP é sócio, já tenha recebido 876 mil euros + IVA, de ajustes directos. Mas fico estarrecido de medo com o que pode acontecer aos meus parcos recursos financeiros, por um só homem, o-ex-secretário de estado Sérgio Monteiro, já ter recebido 460 mil euros de dinheiros públicos, para vender um banco que se dizia BOM, mas afinal estava moribundo, tendo aparecido apenas um interessado para o levar quase de borla. Até nisso o PS é mais “poucochinho” que o PSD.

Se o futuro vogal do Conselho de Administração da TAP, Diogo Lacerda Machado, cumprir bem o seu papel e não adormecer para uma valente soneca, como aconteceu com Vítor Constâncio e Carlos Costa, no Banco de Portugal, desejo-lhe as maiores felicidades, e que faça por nós aquilo nunca foi feito antes. Salvaguardar o erário público. Os portugueses agradecem.

Comments

  1. JgMenos says:

    Felizmente a geringonça, por seu lado, paga 30 milhões, fica com 50% dos riscos e 18% dos lucros e acima de tudo, assegura uma meia-dúzia de mamas e os correspondentes canais de favorecimento da matilha.

    • Paulo Marques says:

      Sempre é melhor que as privatizações da caraguejola, em que o estado fica com 100% dos riscos e 0% dos lucros.

    • José Fontes says:

      Menos (em inteligência) mas Mais (em estupidez):
      A negociata da privatização da ANA foi uma maravilha.
      Especialmente as consequências da não construção – por fases – do novo Aeroporto de Alcochete (no Campo de Tiro de Alcochete, entre esta vila e Benavente, uma zona sem população).
      O que se gastava na 1.ª fase desse novo aeroporto vai gastar-se no Montijo, pondo milhares de aviões sobre populações no corredor Barreiro Alcochete (vila).
      Uma maravilha conseguida pelo contrato leonino que o teu dono Passos fez com a ANA, por 50 anos.

  2. Ana A. says:

    Cada qual tem o quinhão que merece!
    E eu, na qualidade de reformada antecipada por desemprego de longa duração, em 2015, tendo sido brindada com um corte na pensão de 13,02% + 13%, porque a culpa de não haver trabalho para todos deverá ser, naturalmente, imputada a cada um de nós, dizia eu, então, que só posso sentir-me feliz, por ter contribuído com a minha quota-parte, para a justiça e equilíbrio das contas públicas!
    Até já pensei em deixar-me morrer por inanição, para dar lugar a outros, mais produtivos. Mas em reunião de família, a minha filha, uma jovem estudante de 19 anos, achou por bem dissuadir-me, pois afinal, ainda lhe faço alguma falta!

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