“Macaco Velho” e os Movimentos de Cidadãos


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Miguel Teixeira

Macaco velho“, diz-me o meu sogro, também ele um ex-vereador do Turismo aqui do município de Luís Correia, é a expressão utilizada no Brasil para designar o indivíduo que tem uma enorme experiência política, que se profissionalizou na área, fazendo disso a sua vida, fundamental para o “ar que respira”, que conhece todos os artigos e artifícios da lei, formais ou informais, que podem inviabilizar as candidaturas do adversário e assim posicionar-se como “única solução possível”, nem que para isso a Democracia (conceito vago para ele), possa ser reduzida e atrofiada.
O “Macaco Velho” brasileiro, continua a explicar-me o meu sogro, “é um cara muito difícil de lidar, extraordinariamente chato, calculista, frio, que nunca se dá por vencido, mesmo que a candidatura adversária seja admitida a eleições e obtenha o apoio da maioria do eleitorado, o “macaco velho” , continua a impugnar a eleição, dando-me o exemplo do município vizinho de Cajueiro da Praia, onde o Prefeito foi eleito de forma limpa, gere o município desde Janeiro com o beneplácito da Justiça, tendo no entanto 39 processos de impugnação das eleições que lhe deram a Vitória, correndo nos tribunais, processos esses interpostos pelo “Macaco Velho”, que provavelmente não darão em nada, mas impedem que o Prefeito eleito se possa concentrar na resolução dos problemas da autarquia a que preside. No entanto, conclui o meu interlocutor, ninguém pode levar a mal que o “macaco velho” tenha este comportamento.
“É a sua natureza, nunca admite uma derrota ou a possibilidade da mesma, porque tem uma ideia limitada e condicionada da democracia. A democracia que defende é unicamente ditada pela “cabeça dele” e tem verdadeiro desprezo pelas alternativas, mesmo que elas sejam propostas e ratificadas pelos eleitores”.
Meditando nestas palavras do meu sogro, devo dizer que a atual lei que possibilita o aparecimento de Movimentos de Cidadãos Eleitores, é uma lei tão “bem feita” pelos representantes dos partidos políticos, “Macacos velhos”, (que sabem que podem ser afetados pela mesma), com um inimaginável grau de burocracia e exigência, que na prática acaba por colocar na mão dos Tribunais a sua admissibilidade.
E quando o exercício da Democracia fica nas mãos dos juízes, atingimos o “grau zero” da própria Democracia. A lei que permitiu em Portugal o aparecimento de “movimentos de Cidadãos eleitores” é profundamente ambígua em alguns dos seus “articulados”, com uma carga burocrática brutal, feita “à la carte” para ser manuseada e manietada ao sabor dos interesses pessoais e políticos de “macacos velhos” para quem a democracia é “uma anedota”. Sobre esta notícia, como cidadão eleitor só tenho a dizer que lamento, esperando que o Tribunal superior de recurso, possibilite que seja o povo a decidir democraticamente quem quer ver a gerir os destinos de Cabeceiras, através do voto direto e universal. Como deve ser.
Dizer por último que é para mim de uma enorme tristeza verificar que, (independentemente de ser o IPC, podia ser o PS a estar nesta situação ou o PSD ou qualquer outro movimento ou partido a minha atitude seria a mesma), alguns dos meus conterrâneos ficam contentes com esta notícia. É algo que me entristece, porque provavelmente a sua alegria é proporcional ao grau de Democracia, liberdade e respeito pelo outro, que têm dentro das suas próprias “cabeças”.

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