O futuro do PSD


O PSD à semelhança do PS, tende a ser um catch all party. Quando ocupam o poder as várias tendências ainda que procurem exercer influencia, submetem-se às lideranças, na oposição são um saco de gatos. Perante uma hecatombe como a que o PSD sofreu a nível autárquico, em bom rigor mais em 2013 que em 2017, mas agora esperavam recuperar alguma coisa e afinal ainda conseguiram passar do mau ao péssimo, ficam sem jobs para os boys and girls, deixando no desemprego muitos destacados militantes.

Durante os anos de Cavaco à frente do governo, os socialistas penaram da mesma forma que agora os laranjas, chamemos-lhes assim, porque tenho alguma relutância em chamar sociais-democratas, mas também não posso afirmar que sejam liberais, conservadores, ou coisa alguma do ponto de vista ideológico. Uns serão liberais convictos, outros serão sociais-democratas, alguns afirmam-se de Direita, mas há quem jure que o PPD/PSD nunca foi um partido de Direita, a única certeza que tenho é que não fará grande sentido pertencerem todos ao mesmo partido que muito provavelmente será o mais heterogéneo dos partidos portugueses. O que constitui um problema e mina a credibilidade de quem pretende constituir uma alternativa de governo para o país.
O início da presente legislatura com o derrube no parlamento do governo de Pedro Passos Coelho e tomada de posse de António Costa suportado na geringonça, veio relembrar algo que todos sabíamos desde sempre, em Portugal não elegemos governos nem nomeamos Primeiro-Ministro, elegemos deputados. O governo depende do Parlamento.
Com a saída de Pedro Passos Coelho da liderança do PPD/PSD, já se discutem nomes, hoje Rui Rio e Paulo Rangel aparecem como prováveis candidatos a disputarem a liderança, amanhã veremos se estes se mantêm ou aparecem outros. Para lá da habitual retórica de prometer aos portugueses que agora é que vão ser corrigidos todos os erros do passado e combater a ineficiência do actual governo, não há um discurso claro e preciso do rumo a tomar, das orientações programáticas e ideológicas. Frases como recuperar o PPD ou galvanizar o PSD, podem querer dizer tudo e o seu contrário. Normalmente querem dizer navegar à vista, apagar fogos e no caminho satisfazer clientelas para apaziguar eventuais dissonâncias.
Um PSD mais social-democrata pode roubar votos ao PS, principalmente quando este se orienta mais à esquerda, sim, o PS tem um problema idêntico ao PSD, António Vitorino ou Francisco Assis pouco ou nada têm em comum com Manuel Alegre por exemplo, mas o poder une e quando o PS governa todos se submetem ao líder, particularmente se o líder é alguém como António Costa, um hábil negociador capaz de federar tendências. Mas um PSD social-democrata não conseguirá satisfazer uma ala liberal que existe, não há como nega-lo. Ainda que o PSD nem de perto, nem de longe alguma vez tenha sido um partido liberal.
Existe no panorama político português espaço para uma cisão no PSD, sociais-democratas para um lado, liberais para outro. Ambas as facções teriam muito a ganhar, desde logo o apaziguamento interno, sem que tal significasse ficar arredado da disputa eleitoral, porque como já vimos, o que importa é conseguir obter um número de deputados que permita apresentar uma solução governativa. Uma saída dos liberais do PSD poderia ainda ser acompanhada da saída dos liberais que estão no CDS/PP, deixando o partido aos democratas-cristãos. Coligações pós-eleitorais existem um pouco por toda a Europa e daí não vem mal ao mundo.
A não ser que o PSD prefira viver em constantes intrigas palacianas, terá que discutir programa antes de discutir pessoas, mas daí tirar consequências, os que não se sentirem representados na orientação programática e ideológica do partido, naturalmente acabarão por sair, caça às bruxas e expulsões são completamente desnecessárias. A partir daí o espaço à direita do PS fica clarificado, a meu ver com a necessidade do surgimento de um partido liberal, que nunca foi o ADN do PSD nem tão pouco do CDS/PP.

Comments

  1. Marcelo Araujo says:

    É triste assistir ao ponto a que isto chegou. Cambada de maçonicos interesseiros. O único que poderá salvar o PSD é o Rui Rio. Os outros estão todos contaminados pelo vírus da “hipocroisite”. A culpa é do povo – somos uma cambada de carneiros ignorantes.

    • ZE LOPES says:

      Quando Rui Rio acabar de salvar o PSD vai notar que os únicos militantes que restam são as fotos das galerias da Rua de S. Caetano. E isto não quer dizer que os retratados ainda lá estejam…

    • PARA VOCES TODOS SAO MAÇÓNICOS porque não dizem que eles são da OPUS DEI?.

  2. Lalalalalalala says:

    O professor almeida do Aventar, em mais um tedioso monólogo lapalissiano.
    É o que há.

  3. ZE LOPES says:

    Partido Liberal? Já há! Vá à lista de partidos do Tribunal Constitucional que está lá! Até tem um símbolo muito bonito, que inclui uma avezinha e tudo! Foi fundado em 2008 por gente que cultivava o mérito e coisa e tal. É só aderir, que isso de recolher assinaturas é muita maçada.

    Devem é despachar-se antes que se extinga. Os meritocratas que o fundaram já o tentaram extinguir, mas não conseguiram. Talvez por excesso de mérito, terão encandeado os juízes do Tribunal Constitucional, que os forçaram a continuar a existir.

  4. Realmente parece-me evidente que o PSD é um partido de esquerda soft, digamos assim.
    O CDS com Cristas deu uma forte guinada à esquerda.
    Parece-me também que dentro da maioria abstencionista se encontram muitas pessoas que não se sentem representadas no panorama partidário nacional.
    Só quando aparecer um AfD , os partidos que deviam der de direita serão obrigados a voltar à direita, e assim representarem as pessoas realmente progressistas ( sim não é confusão nenhuma, a esquerda passou a ser em Portugal a reacção e a direita é que pretende a modernização do pais, foi ao que chegamos).

    Rui Silva

    • ZE LOPES says:

      Estou tentado a concordar, mas acho que há uns passos prévios a dar. Em primeiro lugar, mudar o nome do país: de República Portuguesa para Portugal Deutchrepublik. Esta parte seria fácil, fazia-se num dia.

      Depois teríamos de tornar o Alemão como língua oficial. Esta parte também era fácil, já que os portugueses têm muito jeito para línguas. Em três meses estaria feito. Bastaria dobrar as telenovelas e por os participantes do “Love on Top” a falar Alemão e todos teriam de se fazer à vida e aprender depressa. O Rui Rio nem precisa porque fala Alemão (por isso poucos portugueses o entendem. Nem o Pinto da Costa consegue, e é um homem muito inteligente).

      O pior era fundar o AfPD. É certo que o Mário Machado já está solto, mas encontrar mais 7498 Mários Machados soltos para juntar a um Rui SIlva é uma tarefa deveras difícil.

      • ZE LOPES says:

        Também podemos pensar noutra hipótese: é mandar os militantes do PNR para um estágio na sede do AfD. Uma carrinha de nove lugares chegava e se V. Exa. se prontificasse para ir a conduzir chegavam lá num instante.

        Quando regressassem, mudavam o nome ao partido mais uma vez e estava feito. Ficava bastante mais barato.

    • Rui Naldinho says:

      “Realmente parece-me evidente que o PSD é um partido de esquerda soft, digamos assim.
      O CDS com Cristas deu uma forte guinada à esquerda”

      E tu entraste numa centrifugadora, e ficaste assim, sem saberes onde estás!
      Ó SIIIlvaaa!!
      Tu acreditas mesmo naquilo que escreves?

      • ZE LOPES says:

        Eu explico: no domingo passado, andava o SIlva a passear algures quando foi abordado por dois esquerdalhos que o raptaram e atiraram de um 16º andar com um foguete no seu Real Fundo das Costas . Felizmente sobreviveu, mas esteve em coma uma data de horas.

        Quando acordou ia para mandar mais um post a chamar nomes aos esquerdalhos (incluindo os do PSD e CDS) quando tomou conhecimento, através de um enfermeiro dos resultados eleitorais. Deixou o hospital esbaforido com o soro pendurado e foi ele mesmo atirar-se, desta vez de um 17º andar.

        É isso que explica o estado em que está.

    • pucha mas afinal quem representa em portugal o ALL RIGHT?

  5. Rui Naldinho says:

    António, primeiro começo por lhe dizer que estas eleições autárquicas, nessa condição, foram as mais politizadas dos últimos 17 anos. Só as do pântano de Gueterres tiveram o mesmo impacto. E isso favoreceu claramente o PS.
    O PSD começou por fazer Oposição com a presumível catástrofe económica em 2016. Como ela não veio, este ano, com o aproximar das eleições autárquicas resolveu discutir os incêndios em Pedrogão até à exaustão, como se eles também não tivessem culpas no cartório de negociatas que envolvem os fogos e os eucaliptos. Depois veio o roubo do armamento em Tancos. Ou seja, em vez da política regional, a desertificação do interior, as políticas de habitação e transportes nas cidades, o PSD quis discutir política geral, assente nas presumíveis fragilidades ministeriais. Ainda ontem no debate quinzenal se viu, como o PSD nada mais tem a explorar, a não ser Tancos. A comunicação social que lhe e afecta, praticamente toda, deu uma ajuda com aquele relatório patético, feito por alguns amigos. De certa forma o PSD quis transformar as eleições autárquicas, num plebiscito ao governo PS, e em última análise à Geringonça. Foi o que se viu. A derrocada do PSD foi quase total. Neste caso, o PSD perdeu por muitos, porque nem sequer soube ser Oposição.
    Bastava-lhes ler as múltiplas sondagens que foram saindo, para perceberem que esse caminho ia dar ao desastre.
    Eu diria que o PSD, estava condenado a perder, mas pelos mínimos. Se perdesse com honra e glória, ficaria alguma coisa para um futuro próximo. Nada disso aconteceu. Conseguiu perder Lamego, Mirandela, Chaves, autarquias emblemáticas do PSD, com mais de 40 anos nas mãos dos sociais democratas, as quais, mesmo em 2013, resistiram à hecatombe desse ano eleitoral. Deve ser difícil ir mais fundo!

    O PSD como partido nacional, ganhou eleições e várias maiorias absolutas, por ter sido no passado, infelizmente já longínquo, um partido interclassista, social liberal, anti maçónico, com forte pendor nacionalista, provinciano, com um peso a Norte do país, só comparável ao PP na Galiza.
    Hoje o PSD não é nada disso. E não nos recordássemos todos, do que foi a governação socialista de José Sócrates, nomeadamente a partir de 2008, e o PSD hoje estava reduzido a um número ridículo de representação eleitoral.
    Podem vir com aquele discurso do recentramento do PSD, que isso são tudo balelas. Ninguém acredita nisso, a não ser os mesmos do costume. E isso jamais acontecerá, porque o PSD hoje está impregnado de Andrés Venturas. Por outro lado, o PSD agarrado ao seu discurso liberal, nunca percebeu que com a crise de 2011, todos os partidos se tornaram mais pragmáticos, menos contestários, deslocando-se mais para o centro, mesmo aqueles a quem chamam de radicais, apenas por conveniência retórica. Ver o comedimento do BE e do PCP na atual conjuntura só pode ser bom para Portugal. Aliás, isso irrita profundamente a direita.
    Um novo PSD, recheado de Trump(inhos) vai propor o quê, aos portugueses? Enviar os ciganos todos, para a Índia?

    • Mas hoje foi dia de festa, vi na TV o Relvas bastante gordo dizendo ser agora consultor. se não fossem tão amigos dos procuradores já andavam a esgravatar para verem de onde vieram tantos milhões, muito mais que 34. e outra boa noticia para os manos relvas e passos. o JOSE DIRCEU FOI POSTO EM LIBERDADE, o supremo tribunal do Brasil , disse ao TOTO MORO que tivesse juízo, em breve teremos mais um banco. I como será o passos administrador do EFISE?, espero que não faça o mesmo que fez no ultimo emprego FORMENTINVESTE, QUANDO SAIU PARA SER PRESIDENTE DO PSD. deixou lá tantos buracos, que o Engenheiro Ângelo Correia teve de demitir-se e é agora seu inimigo.

  6. O que ninguém no PSD diz é que os principais culpados da saída de Passos Coelho da liderança foi a falta de capacidade de quem o venerava ou seja os líderes distritais e concelhios de saberem passar as mensagens eleitorais e no entanto não seguiram o exemplo do seu líder pondo também estes os seus lugares à disposição dos seus militantes “à serventia é a porta da casa” não é meus senhores?

    Vítor Manuel Marques/Vila Nova de Gaia/Portugal

  7. Paulo Marques says:

    O PSD social-democrata… lol. Nem o Pacheco Pereira o é, e não tou ver ninguém mais à esquerda naquela coisa.

  8. divina comédia says:

    hahaha o que se lê por aqui. o ppd é de esquerda. o cds também. ohohohoho.

    almeida, não te aflijas que os boys do ppd caiam no desemprego: há lugar para todos nas comunicação social portuguesa. e desde que sejam de direita, nem é preciso serem sérios, estarem em contacto com a realidade ou serem minimamente articulados. quanto piores melhor, como se vê pelo alberto gonçalves, henrique raposo, lemos esteves, maria joão marques e outros talibans.

  9. Luís Lavoura says:

    Concordo com praticamente todo o post.

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