Sobre rankings, apenas o óbvio…

Enquanto cidadão importa-me e muito que Portugal tenha os melhores quadros superiores. Se tiver um problema de saúde espero ser atendido por um profissional médico altamente especializado e qualificado, da mesma forma que confio nas capacidades do engenheiro ou arquitecto que constroem as pontes que cruzamos ou edifícios onde trabalhamos e habitamos.

Espero por isso que as faculdades, sejam públicas ou privadas, escolham os melhores alunos para ingressarem nos seus cursos. Quero lá saber as condições em que nasceram ou cresceram aqueles em que deposito a minha vida. Vem isto a propósito da já costumeira discussão sobre rankings e modelos de ensino, peditório para o qual evito contribuir. Ouço muito por aí que a escola deve preparar pessoas para a vida, mais do que ficar limitada aos currículos académicos. Em matérias de discussão pedagógica não entro, porque de todo não domino o assunto, mas sei que prestigiadas instituições de ensino garantem os melhores empregos, porque formam os melhores alunos.
Não nascemos todos iguais, ainda que sejam proporcionadas as mesmas oportunidades, haverá sempre quem apresente capacidades superiores aos seus pares e com elas obtenha rendimentos que os demais não conseguem alcançar. Felizmente que assim acontece, porque a alternativa seria uma igualdade nivelada pela mediocridade, porque os melhores não teriam incentivo para trabalhar e progredir.
Nada tenho contra a ascensão social, bem pelo contrário, quero que não existam barreiras nem travões que impeçam a progressão aos bons alunos, não importa a sua origem. Não aceito é que por força da ideologia todos sejam considerados bons. No mundo empresarial competitivo, implacavelmente o mercado de trabalho se encarregará de separar o trigo do joio, restando a muito incompetente encontrar abrigo no Estado, o que não é assim tão difícil para os que têm padrinhos e protetores políticos, nomeadamente se andaram pelas jotas onde se encontram com facilidade.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Infelizmente, actualmente, aquilo a que chama o “mundo empresarial competitivo”, separa, de facto, o trigo do joio, escolhendo o joio e neutralizando o trigo.

    Dou-lhe o exemplo do jornalismo actual, regulado por meia dúzia de tubarões (se tantos) que se encarregam de chamar a si justamente os seres mais incompetentes e invertebrados – mentais e físicos – para executarem o nobre ofício do Jornalismo, mas que acabam por transformá-lo na mais ridícula e mentirosa caricatura, com um doentio gosto pelo sangue, pela morte, pelo fantástico enfim, pela miséria. De resto, miséria, é a imagem do actual jornalismo.

    E neste caso – posso-lhe citar outros – a ideologia é que os considera como “bons”, o que para essa gente, quer dizer, mansos, meigos e que espalham com toda a lata do mundo as notícias mais falsas e deturpadas que interessam divulgar pelos tubarões ao assinante das publicações.

    Portanto um “post” seu que eu era capaz de subscrever, termina de uma maneira nada realista, negativa, porque o que escreve nos últimos parágrafos, até admito que seja uma crença sua. Mas, na sociedade actual, governada por um capitalismo em clara decadência e que a tudo deita a mão para se não afogar é, definitivamente, uma perfeita mentira.

    Pela parte dos Funcionários do Estado – note que não tenho ,qualquer avença de tal parte – acho que o António de Almeida é de uma injustiça atroz, pois enrola-os a todos, no manto dos incompetentes.
    Se eu fosse funcionário do Estado, creia que lhe responderia à letra.
    Sobre padrinhos, até estou de acordo, mas depois do exemplo que lhe dei dos Jornalistas, os amantes do privado – o tal mundo empresarial competitivo – não podem mandar pedras e não é por terem telhas de vidro. Simplesmente, porque já nem telhado têm.

    • António de Almeida says:

      Começo pelo fim, não visei os funcionários públicos, principalmente os que têm carreiras, mas atirei aos lugares de nomeação, penso que o post é claro nessa parte.


      • O jornalismo é uma actividade económica demasiado regulada, pelo que falar em mercado é manifestamente um exagero. Prefiro jornalismo que assume uma opção política editorial e diz ao que vai, em vez de pretensa independência..,

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Acha que o que se passa é … “assumir uma opção política editorial e diz ao que vai, em vez de pretensa independência… “?
          Ou será vender a alma ao diabo?
          Ouve e vê a SIC, por exemplo ou lê o inenarrável Observador, isto para não falar das notificações que me caem no meu computador do Público, DN, JN, Sol que dizem “ipsis verbis” o mesmo, sem qualquer valor acrescentado?
          Isto é jornalismo?
          O Jornalismo é crítico, investiga e não se limita a dizer o que os “his voices masters’ ” apregoam. Jornalismo é coisa séria e o serviço de reportagem (com todo respeito que me merecem os repórteres) é coisa muito diferente.

          E quando diz : (…) restando a muito incompetente encontrar abrigo no Estado, o que não é assim tão difícil (…), está a referir-se a quem?

          Por favor caro António de Almeida, tenho-o na consideração de uma pessoa que não pensa nem age como o normal “jornalista” de hoje.
          E, com toda a sinceridade, gostaria de continuar a ter.

          Cumprimentos.

          • António de Almeida says:

            E quando diz : (…) restando a muito incompetente encontrar abrigo no Estado, o que não é assim tão difícil (…), está a referir-se a quem?

            Às diversas entidades, direcções, institutos, autoridades, observatórios, inspecções, que empregam boys…

          • António de Almeida says:

            SIC? Público? DN?Observador? Isso é jornalismo tuga encostado ao Estado.
            Sei que o Ernesto viaja e alcança outros horizontes, CNN, NYT, FOX… é outro campeonato. Veja se um POTUS não fica à beira de um ataque de nervos… para me ficar pela actualidade.

        • ZE LOPES says:

          Tem razão! O jornalismo é tão regulado, tão regulado que até já nem dexam inventar notícias. O que constitui um forte atentado à criatividade artística. Que saudades do “Jornal do Incrível”. “Trutas Devoram Piranhas em Setúbal”. Onde é que, nos dias de hoje, é possível publicar uma “manchete” como esta?


      • António de Almeida

        As Faculdades públicas, não têm que “escolher” os melhores alunos, até porque à partida, nem sabem quem são !

        Essa “selecção” a fazer-se, tem de ser ao longo dos Cursos, e não por escolha prévia e arbitrária, que seria, eventualmente, alicerçada nas origens familiares modestas dos candidatos ! Isto é, o filho do pedreiro, não seria “bom” ! Ao contrário do filho do Juiz, por exemplo…

        Essa “escolha” deixe-a às Universidades particulares, que têm “parido” gente como relvas e coelhos, e toda a casta de “intelectuais” saídos das “universidades de Verão”…as tais em que, “por força da ideologia”, todos sejam considerados “bons”…

        Sim, “não somos todos iguais”, mas há uns mais iguais que os outros, e a esses, sim, é que são proporcionadas, mercê das contas bancárias e/ou do cartão partidário dos paizinhos, as “melhores oportunidades”, ainda que, depois, por vezes, se revelem incompetentes e incapazes de qualquer actividade produtiva e útil ! E, mais uma vez por exemplo, observe a A.R. e tire as suas conclusões…

        Quanto ao que diz sobre os funcionários públicos, embora tente agora emendar a mão, parece-me evidente que a sua ambígua opinião subliminar, e repito, parece-me, é que a sua intenção, foi meter a Função Pública toda nos mesmo saco !

  2. Rui Naldinho says:

    Os rankings valem o que valem, meu caro. Foram criados rankings só até ao 12. Ano de Escolaridade, porque é aí que a direita quer atingir os seus alvos. Os professores, em especial os do secundário, intervalo da vida académica de milhões de crianças onde os verdadeiro problemas da educação e das relações de parentalidade se fazem sentir, e que, “ganhando muito”, eles deverão ser proletarizados, como já o são inúmeras profissões.
    Ou acha que os professores dos colégios, do topo desses ranking’s, com alunos escolhidos a dedo, ganham melhor do que os do ensino público?
    Seria lógico que isso acontecesse, ou não?
    Já agora, porque não um ranking das Universidades, essas sim, as formadoras da nossa massa crítica, o médico ao qual o António se vai tratar?
    No privado, com honrosas excessões, é só Relvas, Sócrates e outros artistas da mesma espécie. Fora os escândalos de compadrio e corrupção.
    Mas aí, ninguém quer ranking’s nem filtros, porque esse tornou-se num negócio que vale a pena manter, quanto mais não seja para que o “menino bem” tenha um canudo, mesmo que seja uma valente treta.
    Cumprimentos

    • António de Almeida says:

      Capitalismo encostado ao Estado, julgo que conhece a minha opinião. Não me vê escrever uma linha em defesa desse tipo de capitalismo…

      • ZE LOPES says:

        Há três coisas que nunca consegui ver, até agora, na minha existência: um homem a parir, um defunto a ressuscitar e capitalismo que não esteja fortemente encostado ao Estado.

  3. Fernando says:

    António, qual é a sua opinião sobre Elon Musk?

    • António de Almeida says:

      Um talento a conseguir financiadores para os projectos que lidera.

      • ZE LOPES says:

        Não admira! O “musk” tem uma capacidade de atração irresistível…Cheira a…massa!

      • Fernando says:

        De facto, é preciso algum talento em manter empresas que dão prejuízo ano após ano, seguramente os biliões que já recebeu do Estado ajudam…

        E será que teria conseguido tirar do chão o foguete sem a ajuda da NASA (Estado)?
        A mesma (mais decrépita, resultado do desinvestimento) NASA que há cinquenta anos pôs o Homem na lua?
        Talvez teria, mas tenho sérias dúvidas…

  4. Paulo Marques says:

    Bom para o António, que consegue fazer um ranking da qualidade das pessoas consoante as suas necessidades independentemente das inúmeras variações que elas possam ter, isso é uma capacidade analítica que até Deus inveja.
    Mas aqui o cego nem consegue ver a qualidade do privado em escolher gestores acima do medíocre a viver do louro do que os outros fazem, sou só humano. Nem em que é que os rankings de escolas em condições e com inputs completamente diferentes ajudam alguma coisa, mas não tenho a sua divindade.

  5. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    António Almeida.
    A SIC encostada ao Estado, estou completamente de acordo. Balsemão e outros tubarões como o Salgado e Oliveira e Costa, andam manifestamente ligados ao estado (e sobretudo a presidentes) por compadrios claramente à estado fascista.
    Mas não me refiro a isso. Refiro-me à dita independência… que nem nos espíritos mais optimistas existe.

    Viajo sim senhor e justamente por viajar tenho a felicidade de conhecer muitas culturas, falar com muita gente e apreciar o sentir das pessoas.
    Mas não se deite a adivinhar 🙂 porque eu não quero nada com CNN, FOX e quejandos, embora veja de tudo … apenas de passagem, porque são verdadeiras “galinhas chocas” das notícias. Mais importante, é que penso pela minha cabeça.

    Mas não é outro outro campeonato, não. É exactamente o mesmo campeonato onde o espectacular e a exploração de pseudo-factos, da superficialidade e, acima de tudo, da regulação pelo seu “His master’s voice”, é a imagem de marca.

    Potus, ligo-lhe tanto como ao Trump e à primeira can«misa que vesti 🙂 . Potus e Trump estão bem um para o outro. Tudo é artificial… Até o cabelo.


  6. Add seus posts aqui https://www.waaap.net

  7. ZE LOPES says:

    Ora bem. Realmente não sei qual a atividade de V. Exa., mas arrisco: é anestesista! Se não é, deveria ser. Até hoje ninguém, com um simples post, me fez entrar em estado cataléptico-comatoso. E já não é a primeria vez. Foi difícil, mas acordei, que é o que interessa. Estou aqui a arriscar de novo, à custa de umas anfetas que um amigo tinha lá em casa. Arrisco, porque é uma verdadeira missão nacional!

    Aqui na minha terra já se tornou corrente uma expressão “isso é conversa de Almeida”. Sim, porque o vulgar “conversa de café” dificilmente poderia aplicar-se com propriedade. “Conversa de Almeida” não é simples “conversa de café”. É mais parecido, sim, com conversa de tasca à hora do fecho.

    Ora analisemos “”Se tiver um problema de saúde espero ser atendido por um profissional médico altamente especializado e qualificado, da mesma forma que confio nas capacidades do engenheiro ou arquitecto que constroem as pontes que cruzamos ou edifícios onde trabalhamos e habitamos”.

    Ora nem mais! Eu também! Os outros modestos habitantes no Almeidal país, idem! O problema é: a que preço? Sim, porque coisa e tal, estamos numa sociedade capitalista e coisa e tal, em que cada um deve cobrar o que pensa que merece e coisa e tal, e o mercado se encarregará de, através da lei oferta e da procura, e coisa e tal, em sã concorrência e coisa e tal, estabelecer o ponto de equilíbrio e coisa e tal…O mesmo para os medicamentos, e os meios complementares de diagnóstico e coisa e tal, e medicamentos inovadores e coisa e tal…Sim, os mais almeidais capazes certamente conseguirão obter os almeidais cuidados necessários e coisa e tal, Até estarem falidos como os outros! Os outros, os que já encontraram em subterrâneos o seu merecido repouso…

    “Em matérias de discussão pedagógica não entro, porque de todo não domino o assunto, mas sei que prestigiadas instituições de ensino garantem os melhores empregos, porque formam os melhores alunos”. Lindo!

    E em seguida: “Não nascemos todos iguais, ainda que sejam proporcionadas as mesmas oportunidades, haverá sempre quem apresente capacidades superiores aos seus pares e com elas obtenha rendimentos que os demais não conseguem alcançar”. Acredita nisto?

    Ah! Ah! Ah! Ahhhhhhhhh! Ahhhhlmeida, V. Exa. é tão cómico! Capacidades Superiores! Ah! Ah! Ahahahah…lmeida!

    Sr. Almeida: os “melhores empregos” não dependem da instituição de ensino que frequentaram os tais “alunos”. Ainda não há muito tempo estive a falar com gente que frequentou o MBA numa universidade do interior do país, tendo depois mudado para Madrid. Porquê? Porque havia maior possibilidade de contactos. Não porque o ensino fosse melhor! As elites escolhem os seus, a passagem por “estabelecimentos” “prestigiados”, pedagogicamente, não interessa. Interessa é se esteve lá.

    Uma pergunta: o que se aprende nesses estabelecimentos? Sim, tipo “Nova” e “Católica” e afins…A aumentar as comissões bancárias para centenas de euros por ano? (Dizendo-lhe que pode mudar, há concorrência, para uma instituição que…leva milhares por ano)? A aumentar a energia elétrica muito acima da inflação? A encerrar estações dos correios, fazendo com que um idoso seja forçado a deslocar-se dezenas de quilómetros para receber a reforma? A gerir um banco como se fosse uma sucursal do seu bolso?

    Finalmente vamos à treta da “seleção dos melhores” pelas universidades. Agora voltou a moda: os exames do ensino secundário deixaram de servir. Já ninguém se lembra que isso já foi tentado nos anos 80 do século passado. E foi abandonado porque os alunos do 12º ano foram obrigados a andar de instituição em instituição a fazer exames. Alguns – tenho gente na família! – fizeram mais de 10 exames! E andaram pelo país, de instituição em instituição! Está ao alcance de todos? Ou só dos Almeidas?

  8. Rui Silva says:

    Os rankings só fazem sentido em sistemas Socializantes/Centralizado-Burocráticos de ensino.
    Num sistema Capitalista o único “ranking” admissivel é o salário dos alunos após a conclusão do curso.

    Rui Silva

    • Paulo Marques says:

      É pena que isso seja 5 anos e $100000 tarde demais para ser útil.
      Mas esse ranking dava positivo ou negativo ao Bava, ao Salgado ou ao Granadeiro? É que senão prefiro o oráculo do Almeida, que sabe sempre quem são os melhores. Ele podia era partilhar, deve estar podre de rico, o sacana.

  9. JgMenos says:

    Que rosário de cretinices…

  10. JgMenos says:

    …tudo para dizerem: deixem os coitadinhos no anonimato que talvez possam, quem sabe, vir a dar doutores.

    • ZE LOPES says:

      Nem mais! Deve ser por isso que os esquerdalhos andam por aí a fazer um peditório para ser erguido um Monumento ao Doutorado Desconhecido!

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