Os exames e as desigualdades sociais

Numa notícia com o título “Exames agravam desigualdades entre alunos e alimentam mercado das explicações”, divulga-se uma tese de doutoramento em Educação, dando, também, a palavra à autora. O título do estudo é Exames nacionais, apoios pedagógicos e explicações: a complexa construção dos resultados escolares em Portugal. Só é permitido o acesso a um resumo.

Embora a ideia de que os exames são causa das desigualdades entre os alunos não esteja presente no resumo, a autora afirma-o: «Andreia Gouveia afirma que é “inegável” que os exames são uma causa para o “agravamento das desigualdades sociais no acesso ao reconhecimento escolar”.»

O Paulo Guinote pergunta, e bem: “A Ver Se Percebo… Se Acabarem os Exames Acabam as Desigualdades e os Pobrezinhos Passam Todos a Entrar em Medicina e Arquitectura e na Carreira Diplomática e Etc?”

Pois. A verdade é que os exames não são causa de desigualdade social, são, isso sim, um reflexo. De uma maneira geral, aliás, as desigualdades sociais são uma das causas das desigualdades nos resultados educativos, mesmo que muita gente teime em confundir os rankings com a Ovibeja. [Read more…]

Por esse fato

«I’m a determinist: “que sera, sera”». You can’t do that.
— John Searle [26:23]

I want to deny flat out a premise that you started with, that you mentioned yourself just a minute ago, you said: “The future is inevitable, if determinism is true”. First of all, I want to say, that phrase, “the future is inevitable”, well just doesn’t mean anything. The future’s going to happen, whatever it is.
Daniel Dennett

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Onde? No sítio do costume.

Como estamos no último dia de Janeiro de 2018, convém recordar a garantia dada pelo ILTEC em meados de Março de 2013:

o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior

Continuação de uma óptima semana.

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Graças a Deus, são caucasianos

US-CRIME-CHILDREN-COURT-TURPIN

Louise e David Turpin formam um sádico casal de monstruosas aberrações, que submeteu os seus 13 filhos a uma existência de terror e tortura. Privados de liberdade e sujeitos a uma alimentação miserável, tendo apenas direito a uma refeição por dia, só podiam tomar banho uma vez por ano e eram constantemente punidos com castigos de semanas ou meses que incluíam serem acorrentados ou amarrados à cama sem poder usar uma casa de banho. Em tribunal, Louise sorriu. [Read more…]

Deixem a Legionella privada em paz!

CUF

Imagem via Diário de Notícias

Treze pacientes da CUF infectados pela Legionella depois, os partidos de direita ainda não pediram a cabeça de nenhum dos membros da poderosa família Mello, nem atribuíram a culpa ao governo, aos comunistas, aos bloquistas ou à CIG. Algo de muito estranho se passa para os lados do Caldas, da São Caetano e dos bunkers dos seus spin masters.

Entretanto, e enquanto na CUF se tentam controlar os danos e apurar responsabilidades, perante o silêncio ensurdecedor dos governantes no exílio, somos confrontados com mais um falhanço do anterior governo, que segundo António Leitão Amaro havia proibido (LOL) a Legionella. Não só não proibiu (LOL) como a sua entourage não parece muito preocupada com a versão privada do problema. Pudera! Entre a santíssima iniciativa privada e a sua liberdade de fazer o que lhe apetecer, doa a quem doer, não se mete a colher.

Sobre a classificação de posts e comentários

Houve uma operação inesperada que alterou algumas configurações do Aventar. Estamos progressivamente a repor as funcionalidades, mas algumas não ficarão no estado anterior a este incidente. Uma delas é as votações dos posts e comentários (polegares para cima e para baixo), que se perderam, estando agora a zeros. Lamentamos o inconveniente, mas são ossos ofício.

Actualização: Foi possível repor os votos dos polegarezinhos.

Postcards from Greece #62 (Corfu)

«What are you doing here? It’s winter!»

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espantou-se o dono do bar onde, eram já mais de onze da noite entrei em busca de um café. Tinha já ido a 2 ou 3 sítios, sem sucesso, ou seja, sem que tivesse encontrado o precioso líquido. O senhor era bastante falador, mas compreende-se, sendo eu a única cliente, que ele tivesse querido saber de onde eu era e o que estava ali a fazer, pois… se era inverno! Eu respondi-lhe que estava a conhecer um bocadinho de Corfu e que preferia assim, no inverno, porque no verão deve ser impossível. Confirmou que no verão os turistas são mais que muitos mas ainda assim… ‘é inverno, não há nada para fazer aqui’. Disse-lhe que gostava de tirar fotografias e de pouca gente e por isso para mim esta foi a altura ideal para visitar Corfu. Depois falou-me de tudo e mais alguma coisa. Queixou-se dos impostos, logo a seguir, e consequentemente, do governo (apesar de ter dito ‘I voted for him the 3 times!’ quando lhe perguntei o que achava do Tsipras), da juventude e até dos turistas! Fiquei um bom bocado a ouvi-lo diante da minha grande chávena de café (pedi um ‘americano’, dado o adiantado da hora), praticamente sem poder dizer nada, porque ele estava apostado em falar. É inverno. É provável que eu tenha sido a única pessoa que entrou no bar hoje.
 

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Luís Filipe Vieira e Rui Rangel constituídos arguidos

LFV

Fotografia: Pedro Cunha@Público

A manhã de hoje fica marcada pelas buscas da Polícia Judiciária à casa e gabinete do juiz desembargador Rui Rangel, antigo candidato à presidência do SL Benfica, bem como à casa de Luís Filipe Vieira e às instalações da Benfica SAD. Ambos foram constituídos arguidos, estando em causa “suspeitas de crimes de recebimento indevido de vantagem, ou eventualmente de corrupção, de branqueamento de capitais, tráfico de influência e de fraude fiscal“, e foram também detidas cinco pessoas, no âmbito desta operação conjunta da PJ e do Ministério Público. [Read more…]

Abriu a caça ao funcionário público!

O portuguesinho tem um odiozinho pelo funcionário público, mesmo que goste da ideia de ter uma administração pública com qualidade (de preferência, sem funcionários públicos, gente desprezível e vil). Esse odiozinho nasce da ideia de que o funcionário público trabalha pouco (tem um horário de trabalho), ganha acima da média (na administração pública, há uma enorme percentagem de trabalhadores com formação superior) e tem demasiados direitos (e o portuguesinho prefere que os outros percam direitos a lutar por ter os mesmos).

O liberaloidismo socrático-passista, descendente directo dos cavaquismos, conseguiu impor a ideia de que o salário de um funcionário público é crime de lesa-pátria, quanto mais a recuperação de congelamentos sobrepostos. A opinião pública, influenciada por muita publicada, revolta-se. Os padres do regime, estrategicamente colocados nas televisões, falam em “reformas estruturais”, eufemismo que corresponde ao despedimento de funcionários públicos, à privatização de recursos públicos e ao cultivo de baixos salários em nome de défices e em benefício do poder financeiro e empresarial. Hoje, tudo isso está entranhado em consciências e em inconsciências. [Read more…]

Amazon Go

Eis quando as cookies do browser se cruzam com as cookies do supermercado. Em múltiplos sentidos.

Imagem: CNBC

A Amazon estreou um conceito de supermercado sem caixas registadoras. É o sonho húmido dos grandes grossistas: aumentar a margem de lucro graças a menos despesas com pessoal.

Entretanto, a coisa ainda tem um longo caminho a percorrer, como se constata pelos diversos relatos por aí fora. Por exemplo, o sujeito da imagem seguinte conseguiu roubar pensos higiénicos. Parece que muitos se indignaram devido a esta atitude, sem que, no entanto, alguém reparasse na particularidade destes produtos estarem ao lado das especiarias. [Read more…]

Fórum Económico Mundial – O Baile dos Vampiros

Foto: AFP

Terminou anteontem um dos rituais mais escancaradamente denunciadores desta “ordem mundial canibalista” – como classifica os nossos tempos o sociólogo Jean Ziegler, que também é o autor da acertadíssima denominação “Baile dos Vampiros” aplicada ao Fórum Económico Mundial, realizado anualmente em Davos, nas montanhas suíças.

Neste baile, os gigantes económicos mundiais, a elite da globalização, dá-se ao trabalho de fingir que tem nobres preocupações para além das evidentes e comezinhas de manter os dentes afiados para garantir os lucros próprios e continuar a sugar e a crescer. O manto desta suposta nobreza oferece aos seus lacaios políticos um pretexto para lhes irem comer à mão desavergonhadamente e venderem por bagatelas cada vez mais ínfimas o sangue dos países e povos que fingem servir, enquanto os colossais dráculas lhes ditam – e eles apontam no caderno – os trabalhinhos de casa para a disciplina de desregulação. [Read more…]

Postcards from Greece #61 (Ioannina)

A cidade ao pé do lago

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O lago de Ioannina, ou lago Pamvotida, é o maior lago da região do Epirus. Está situado a 470 metros de altitude e a sua abundância de água deve-se às montanhas ali em volta, e à água que nasce delas e à neve que, na primavera, alimenta os rios. O lago, já o escrevi no postal de ontem é infinitamente belo e eu podia, também já o disse, ficar a contemplá-lo para sempre. Esta manhã o lago está coberto de uma leve neblina que faz com que tudo pareça irreal, com que tudo flutue naquela fronteira, que agora não se vê, mas se supõe, entre a água e o céu. Até eu. Fico ali a olhar para aquilo antes de subir até à praça 25 de março, onde fica o museu arqueológico. A praça é estranha, apesar de ter uma vista assombrosa sobre o lago. Mas é descuidada e está cheia de homens que andam de um lado para o outro. Não me sinto confortável ali e desço rapidamente para a Averof. Antes de entrar na praça 25 de março passei pelo relógio de Ioannina, no meio de um jardim, rodeado de obras. Ainda o vejo daqui na rua Averof que começa a descer em direção ao castelo.
É nessa direção que vou mas antes de chegar ao castelo corto à esquerda para a pitoresca rua Anexartisias. A rua está cheia de cafés bares, lojas disto e daquilo. É comprida, mas estreita e tem muitos arcos que dão para pequenas vielas ou pequenas alamedas, algumas forradas a azulejos. Entro num desses arcos que me parece bastante bonito, logo ali encontro a Route 66. Não a verdadeira, claro, mas um bar com esse nome. Admiro o edifício, mas não entro. Continuo em frente, caminhando sobre os mosaicos vistosos da Stoa Liampei até chegar a um café – Montage – forrado com fotografias de estrelas de cinema. Vejo a cara da Jean Seberg e resolvo entrar. O café é, além de muito cinematográfico, bastante bonito e o café propriamente dito é bom. Depois do café saio para a Kaniggos e volto, na esquina a seguir, para a Anexartisias. Deambulo entre lojas de tudo e de nada, e volto para trás, para ir à fortaleza. Entro nela pela porta B. Sei que à esquerda da porta, um pouco mais adiante, porque vi no mapa, há uma sinagoga. Está fechada. Mas as ruas dentro da fortaleza são bonitas e tranquilas. Não se vê praticamente uma alma e sabe-se que eu gosto disso.

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Paul Romer, o homem que falou demais

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[Paul] Romer [Economista-chefe do Banco Mundial] told the Wall Street Journal that Chile’s recent slide in the index was almost entirely due to methodological changes that could have been politically motivated, and not by deterioration in the South American nation’s business environment.

Chile ranked as high as 34 under the administration of President Sebastian Pinera in 2010 to 2014, but as low as 57 during Bachelet’s two terms in office, which ran from 2006 to 2010, and from 2014 to now.

Chilean economist Augusto Lopez-Claros, who was in charge of compiling Chile’s ranking for the World Bank report, said accusations of political manipulation were “wholly without merit.” Chile’s recent rankings decline was due to other countries, including Mexico and Colombia, stepping up their efforts, as well as fully-justified and transparent methodological changes, Lopez-Claros said in an emailed note.

That wasn’t how Romer saw it. [Bloomberg,13/01/2018]

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Postcards from Greece #60 (Ioannina)

The island without a name

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Dou um salto de 3 postais, porque em Salónica nada de relevante se passou. Fiz entrevistas, fui à AUTH e até houve uma defesa de tese através do Skype. Mas bom, repito, nada de relevante se passou no meu quotidiano. Tanto que nem dei pela manifestação da Aurora Dourada em que parece que houve distúrbios e um incêndio. Ainda bem que não dei por nada, é o que penso. Mas leio com tristeza estas notícias, especialmente por saber que, ao que parece, se tratou da maior das manifestações deste partido de extrema direita.
 
Além do salto de 3 postais, também vou atrasada dois dias. Ao todo deveria ter escrito 5 postais, desde o último. Tive um problema com o computador, antes de ontem. Tive de reinstalar todo o sistema. Coisas da vida. Agora parece normal, vamos ver se sim. Isto aconteceu já eu estava em Ioannina, ou Janina, onde cheguei dia 24 (o dia a que se refere este postal, portanto) às 3 da tarde, depois de uma viagem belíssima entre os montes cobertos de neve. A certa altura, já perto da cidade vê-se o lago inteiro e a pequena ilha – ou nisí , em grego – a que muitos sites se referem como a ‘ilha sem nome’, porque, de facto, não o tem. Gostei logo desta designação, é evidente. E depois de pousar a mala no muito simpático e confortável e com um pequeno almoço fabuloso, hotel Z, em frente ao lago Pamvotida, saí para a rua decidida a apanhar o barco das 16h. Tinha lido que os barcos que saem do pequeno porto para a ilha sem nome o faziam apenas de hora a hora, no inverno, pelo que esperava conseguir apanhar o das 16h. Mas o lago distraiu-me. Se já estiveram em Ioannina compreenderão, seguramente.
 

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A neutralidade da net explicada pelo Burger King

Há umas semanas, a entidade reguladora das comunicações dos EUA, a FCC, cancelou as directivas criadas pelas presidência de Obama que obrigavam os operadores de telecomunicações a servir todos os conteúdos de todos os sites de forma igual. Ou seja, agora podem deixar de seguir o que foi padrão na Internet desde que esta existe. A motivação é meramente comercial, permitindo criar pacotes artificiais, no sentido de não corresponderem às necessidades dos clientes, mas sim à estratégia da empresa.

O assunto foi polémico nos EUA, houve até uma “sondagem” organizada pela FCC, mas que se concluiu estar repleta de dados falsos, e no fim, a FCC fez aquilo que Trump tinha decidido, ou seja, favoreceu os gigantes das telecomunicações. Curiosamente, os  liberais cá da terra não atiraram as vestes ao chão, como fariam se Chavez mandasse um traque.

Apesar do assunto não estar morto, enquanto Trump comandar o governo dos EUA, não haverá alteração de política. Entretanto, iniciativas como a do Burger King traduzem em termos simples as implicações de uma aparente alteração burocrática.

Manifestação de advogados e solicitadores em Lisboa

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A olhómetro, mais de mil advogados e solicitadores a manifestarem-se contra um sistema assistencialista que não assiste.

Em causa as alterações às regras da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS) que obrigam os advogados e solicitadores a pagar, no mínimo, 243 euros por mês para terem direito a uma reforma no futuro.” [Eco, 25/01/2018]

A manif foi animada, mas havia quem reclamasse por um megafone para se fazer ouvir. Isso e uma musiquinha do Zeca. Aquelas coisas da área do savoir faire do PCP.

Donald Trump gozado pelo Guggenheim de Nova Iorque

GT

Fotografia: William Edwards/AFP@CNN

Donald Trump pediu ao Guggenheim de Nova Iorque que lhe emprestasse “Paisagem com neve”, de Van Gogh, para que a pintura do mestre pós-impressionista pudesse ser exposta na Casa Branca. O museu, porém, recusou-se a aceder ao pedido do presidente, sugerindo o empréstimo de uma sanita de ouro como alternativa. A sanita integra a exposição “America”, do escultor italiano Maurizio Cattelan, que satiriza a riqueza excessiva dos Estados Unidos. [Read more…]

Confirma-se: Passos Coelho tinha razão

PPC

Fotografia via Beira News

Depois do anúncio da Google, eis que somos hoje confrontados com uma nova tragédia, que apenas vem reforçar a genialidade, clarividência e intuição do primeiro-ministro no exílio, Pedro Passos Coelho.

Segundo o Jornal de Negócios, a Amazon poderá a próxima gigante tecnológica a aterrar em Portugal. E – espantem-se – diz-se por aí que poderá aterrar no Francisco Sá Carneiro, e não no Humberto Delgado, contrariando a lógica centralista que impera no rectângulo.

A confirmar-se este rumor, podem os passistas regressar à garagem para pegar nas suas bandeiras, não sem antes remover os autocolantes de Santana, e sair à rua para festejar. O querido líder tinha razão e o processo de venezuelização em curso, que lhes permitirá um dia emergir por entre os escombros, continua imparável.

O drama, a tragédia, o horror.

 

Coisas do diabo

PPC

Fotografia: Rafael Marchante/Reuters@Dinheiro Vivo

Como explicar a instalação de um centro tecnológico da Google em Portugal, bem como o anúncio do Bispo Cosgrave de que outros gigantes do sector se seguirão, à luz da filosofia política passista que versa sobre os investidores que não investem em países governados por bloquistas e comunistas? Só pode ser coisa do diabo.

O jornal Record é mentiroso

Bruno de Carvalho não sublinha “objetivos“. Bruno de Carvalho  refere “objectivos“. Muito bem, Bruno de Carvalho. Bruno de Carvalho no rumo certo.

Nuno Crato escreve ‘interacção’. Interacção? Então, porquê?

Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit desclose
Sa robe de pourpre au Soleil,
A point perdu ceste vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au vostre pareil.
Pierre de Ronsard

In these two languages [English and Spanish], phonemic boundaries overlap such that the same acoustic signal corresponds to different phonemes in each of the two languages; conversely, different acoustic signals correspond to the same phoneme across languages.
— Fish, García-Sierra, Ramírez-Esparza & Kuhl

I don’t have a trunk on my bicycle.
Douglas Hofstadter

***

De facto, Nuno Crato escreve ‘interacção’. Porquê? Porque escreve em português europeu, apesar de, aparentemente, de vez em quando, tentar adoptar o AO90.

Efectivamente, aparentemente. Porque Nuno Crato sabe que *interação mais não é do que uma espécie de repetição nasalada, uma iteração com vogal nasal.

Quanto ao jornal que não aproveita plenamente as vantagens de viver em liberdade, ei-lo de novo a fazer figuras tristes.

fatos

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O “Dia do Perfil dos Alunos” e o perfil do Governo

[Santana Castilho*]

Se há um “Dia Internacional da Comida Picante” (16 de Janeiro), um “Dia Mundial das Zonas Húmidas” (2 de Fevereiro), um “Dia do Engolidor de Espadas” (28 de Fevereiro), um “Dia Mundial da Higiene das Mãos” (5 de Maio), um “Dia Mundial do Mosquito” (20 de Agosto) e um “Dia Mundial do Pijama” (20 de Novembro), como esperámos tanto para enriquecer o arquivador da República com o “Dia do Perfil dos Alunos”?

A lacuna foi suprida a 15 de Janeiro transacto, com o glamour de uma festa muito moderna. No elenco principal brilharam Catarina Furtado, famosa apresentadora de espectáculos televisivos, e Fernando Santos, auspicioso treinador de futebol. O elenco secundário foi constituído por 323 “comunidades educativas” (designação do século XXI para aquilo a que os arcaicos da minha geração chamavam “escolas”).

Descido o pano deste Carnaval antecipado, arrisco o veredito da Quarta-feira de Cinzas.

No âmago da concepção que o secretário de Estado João Costa diz moderna está o logro de arrastar prosélitos acríticos para a criação do aluno novo, com um caudal de vacuidades que falharam há duas décadas. João Costa vem forjando a ilusão de que com iniciativas inferiores se obterão resultados superiores.

O modo como os alunos integram o que aprendem nas diferentes disciplinas foi objecto, na anterior experiência da denominada “gestão flexível do currículo”, de uma coreografia de actividades de “faz de conta” e de uma sobrecarga de burocracia escolar e procedimentos inúteis, que agora se repetem. [Read more…]

Não consigo imaginar porquê, senhor da maçã

SM

via Expresso

Ursula K. Le Guin (1929-2018)

Todos temos, penso, escritores pelos quais, independentemente de considerações críticas, sentimos uma especial empatia, mesmo ternura. Às vezes, nem sabemos bem porquê. Para mim, uma destas figuras é Ursula K. Le Guin, em cuja fantasia me iniciei há muitos anos. Morreu ontem. Honro-a sugerindo, a quem não conhece, a descoberta das suas obras. Talvez começando por viajar no mundo mágico de Terramar.

Canonize-se o Pedro

PPC

Fechado que está o ciclo do passismo, que teve na candidatura de Pedro Santana Lopes o seu último suspiro, é chegada a hora das exéquias. Para lá das expectáveis vénias de circunstância, do mais empedernido apoiante de Pedro Passos Coelho ao tom conciliador do novo homem forte da São Caetano à Lapa, outrora crítico do mandato do líder cessante, passando por um exótico conjunto de mulheres e homens-bomba que, a partir das redes sociais e da Fox News lusitana, choram a partida do querido líder e anunciam novos demónios, pactos e cataclismos, aqui e ali emerge um simpatizante envergonhado, que procura contribuir com os seus 5 tostões para a canonização de Pedro.

Na edição desta semana do Expresso, logo na segunda página, a habitual secção de altos e baixos, assinadas pelo director-executivo do semanário, Martim Silva. Em sentido descendente bate-se em mortos, com a mira fixada em João Rendeiro, banqueiro caído em desgraça, e Hugo Soares, protagonista de várias tragicomédias laranjas, com quem Martim Silva não deixa de ser simpático. A subir temos Rui Rio, por motivos óbvios, Hugo Vau, surfista português que conseguiu a proeza que cavalgar uma das maiores ondas que a Nazaré viu rebentar contra a sua costa, e Pedro Passos Coelho. Hein? [Read more…]

O Son Goku dos fachos

SDT

Ilustração de João Carlos Santos@Expresso

A Forbes aceita posts patrocinados?

Camila Cabello no “The Tonight Show” de Jimmy Fallon

Camila Cabello é a nova estrela do palco virtual, tendo sido a primeira artista a chegar ao topo do Apple iTunes em 100 países com a música do video aqui partilhado – não esta versão (aqui está o original), mas acho-a mais interessante.

Há uma indústria que não há-de estar nada, mas mesmo nada, satisfeita com este sucesso. Adivinham qual é? Dou uma pista: é a mesma de criou coisas como a SPA, que nos sacam dinheiro por cada cartão de memória comprado para a máquina fotográfica.

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Nazaré, 2017

Esta é a paisagem exacta, grandeza com medida de gente, beleza feita de natureza e povo. Num só olhar enchemos a alma. Há mar, serra, céu, casas que sobem as colinas com uma doçura ancestral. Nada é infinito e esmagador, nada é insignificante. Nada fica inatingivelmente longe, nada é intrusivamente perto. Nada é abismal no que é natural, nada é desmesurado no que é humano. E algo tem de haver nas coisas em si para que surjam tão belas aos nossos olhos. Não sei o que é. Sei que tudo tem a exacta distância, a rigorosa dimensão. Até a neblina se espalha sobre a paisagem como se cuidasse manter as proporções do conjunto. Sentimo-nos no preciso ponto a meia distância entre o céu e a terra. Tudo está no seu lugar. Só o voo das gaivotas pode desenhar livremente sobre a paisagem, mas nem ele transgride os seus limites; como se elas soubessem.

Postcards from Greece #57 (Kavála)

«Where are you from?»

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deve ser a pergunta que mais vezes me fazem, na Universidade, nos cafés, nos restaurantes, nos táxis, na rua se calho em perguntar alguma direção a alguém. Quando digo «Portugal» a reação costuma ser bastante boa, ao contrário do que acontece quando viajo para países do norte e centro da Europa. Não quer dizer que aí seja má, mas é um bocado menos entusiasmada, digamos assim. Hoje, por exemplo, perguntaram-me três vezes de onde sou. A primeira foi uma senhora que estava a tomar chá no café onde tomei o pequeno almoço. Ao ouvir-me pedir o que queria, sem mais nem menos perguntou-me de onde era. A seguir se era a primeira vez que estava na Grécia e depois mais não sei o quê. Ou seja, em vez da indiferença com que geralmente somos brindados – bom, pelo menos em geral, não quer dizer que seja sempre assim – nos países mais centrais da Europa, aqui as pessoas interessam-se. Como o rapaz do hotel – outro hoje, não o que hasteou a bandeira portuguesa ontem à tarde – que quis saber o que é que eu estava aqui a fazer, se Espanha e Portugal falam a mesma língua, qual era a equipa de futebol da minha cidade (esta é recorrente, especialmente se são homens, hoje perguntaram-me isto duas vezes), etc., etc. Ou o taxista que me trouxe da estação de autocarros aqui em Salónica, onde já estou há um par de horas, que queria saber tudo e um par de botas, me falou de Cristiano Ronaldo com enlevo e do Fernando Santos (?) que parece que é o treinador de um clube grego qualquer de que ele é adepto. E também quis, claro, saber o qual era o clube da minha cidade. «Beira Mar» respondi eu. E, mais uma vez, me espantei, como antes de outras vezes. Ele conhecia! Talvez deva aprender mais sobre futebol, mas bom, eu até há uns 4 ou 5 anos desconheia quem era o Messi, por isso, saber que o Beira Mar é a equipa de Aveiro, digamos que já é qualquer coisa.
 

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Os jornalistas avençados pelo saco azul do GES estão de regresso ao Expresso

RSalgado

Fotografia via Jornal de Negócios

Há muito muito tempo, numa galáxia longínqua, um grupo de jornalistas destemidos expôs um complexo esquema de evasão fiscal, envolvendo figuras de topo da política e dos negócios, práticas ilícitas e sociedades-fantasma offshore. O Expresso e alguns dos seus jornalistas estiveram envolvidos na investigação desde o primeiro momento.

Com o caso nos jornais e alguma indignação momentânea na sociedade civil, decapitaram-se por cá duas ou três cabeças secundárias, oferecidas em sacrifício ao Deus do dinheiro fácil obtido pela via da pulhice, até ao dia em que o Expresso abriu uma caixa de pandora ao noticiar a existência de uma lista de jornalistas avençados por um saco-azul do GES, com o propósito de comprar cobertura noticiosa e/ou opinativa favorável aos interesses de Ricardo Salgado e restantes membros da corte. [Read more…]