Não culpem as armas, mas o atirador… – II

Há uns anos publiquei aqui um post defendendo o direito ao uso e porte de arma. De então para cá não mudei de opinião. Pensei escrever sobre isto na passada semana, mas o pateta que ocupa a Casa Branca fez-me perder a vontade, transformando em chacota uma discussão que se pretende séria. Na União Europeia, aos finlandeses basta uma autorização da polícia local para adquirir uma arma de fogo e neste século apenas viveram uma tragédia mediática. Na República Checa, o tiro é um desporto popular, sendo possível a qualquer cidadão maior de 18 anos adquirir a sua arma. Na muito respeitável e civilizada Suíça, um quarto da população possui arma em casa, sendo inclusivamente a posse obrigatória para todos os que cumpriram o serviço militar. Ainda na Europa, Sérvia ou Rússia são países com restrições mínimas. Raramente ouvimos relatos de tragédias nestes países ao contrário do que acontece nos EUA, o que faz pensar se a culpa será mesmo das armas…

Os norte-americanos também têm um grave problema com o jogo, sem que as proibições estaduais os impeçam de jogar. É algo mais cultural, enraizado na sociedade, por muito que custe compreender a muitos que desconhecem os costumes e leis nos diversos países europeus, menos mediatizados.
Na maioria dos países do mundo, o acesso dos cidadãos às armas é restrito, não direi proibido, em Portugal por exemplo, mediante algumas condições, é passada licença de uso e porte de arma a algumas classes profissionais, ou de forma mais generalizada a quem o requeira, para fins recreativos. Uma sociedade desarmada fica à mercê de criminosos, um flagrante exemplo são as favelas no Rio de Janeiro, mas também alguns bairros problemáticos nos arredores de Lisboa, com pacíficos cidadãos, seguramente a maioria, sequestrados, reféns, não escassas vezes escudos humanos usados na protecção do bandido. São as primeiras vítimas de quem teima em viver à margem da Lei. Acredito que existindo maior número de armas na casa das pessoas, diminuiriam alguns actos violentos, porque o marginal também receia levar um tiro e sabendo ser elevada a probabilidade de encontrar alguém armado, naturalmente hesitaria.
Mais, acredito que todo o cidadão deve ter direito à legítima defesa. Abater um intruso no interior da sua residência nem deveria ser considerado crime. Entre um pacífico cidadão e um criminoso, não há nem pode haver escolha possível, numa sociedade livre e justa. Porque o bandido jamais ficará desarmado ou cumprirá a lei.

Comments


  1. Gosto desse argumento que advoga que uma sociedade armada é mais pacífica. Só não entendo é o porquê os americanos andarem com tantos problemas com as armas nucleares dos outros. Seguindo o mesmo raciocínio (acéfalo) então, quantos mais países tiverem armas nucleares mais pacífico se torna o mundo, afinal, ninguém quererá ser o primeiro a usá-las.

    É o mesmo tipo de argumento de defende os cães de raças perigosas quando estes matam pessoas.

    Uma arma é feita para….. precisamente! Para matar! Defender a ideia que o uso de uma ferramenta que é feita para matar, vai produzir a pacificação entre as pessoas, acho que é do mais idiota que pode haver.

    • ZE LOPES says:

      “Defender a ideia que o uso de uma ferramenta que é feita para matar, vai produzir a pacificação entre as pessoas, acho que é do mais idiota que pode haver”.Nem mais! Apoiado a 200%!

    • ZE LOPES says:

      Última hora! Por incrível que pareça konigvs,

      este post do Almeida já está a influenciar a nossa jurisprudência! Um juíz acaba de o citar numa decisão inédita: mandou soltar imediatamente as “Glock” apreendidas em Odivelas a semana passada.

      Segundo o despacho, as Glock foram ilibadas de fuga à polícia, não tendo qualquer culpa por estarem na mão de traficantes. “Culpem os traficantes, não as “Glock”, escreveu o juíz.

      As Glock já foram restituídas á PSP, tendo sido examinadas por mecãnicos, que as encontraram bem de saúde. Segu-se o processo de escolha dos guardas atiradores por parte das Glock.

  2. António de Almeida says:

    Alguma dúvida que durante a guerra fria a ameaça de holocausto foi levada a sério por ambos os blocos? Os EUA gostariam de ser o único país com armas nucleares, se conseguissem desarmar os inimigos, seguidamente iriam desarmar até os amigos…

    • ZE LOPES says:

      V. Exa. dedica-se à PES, não é? A entrar na mente alheia V. Exa. é um ás (não sei se exagero, mas pelo menos uma bisca é de certeza!). Em três posts já revelou o pensamento dos alemães, dos americanos e das armas! E entrar na mente de um canhangulo deve ser uma proeza muito difícil!

  3. ganda nóia says:

    só mais uma maluquice do almeida. é verdade que não se trata apenas de uma questão de acesso, porque há muitos países onde o acesso relativamente simples existe.

    mas nos EUA o acesso é absurdamente simples e permitido, em muitos estados, a qualquer um. e nos EUA há uma cultura obsessiva das armas. absurda. e isso leva aos massacres constantes.

    se não houver essa ideia parva de andar tudo armado, há de certeza menos massacres.

    que disparate pegado. almeida igual a si próprio. olhe, no iowa o cegos já podem comprar armas.

  4. Rui Naldinho says:

    De facto eu não culpo as armas, apenas porque elas existem. Ainda que exista uma pressão dos fabricantes de armas, com um poder enorme.
    Culpo sim a forma beligerante como os Norte Americanos resolvem tudo à porrada, numa filosofia de vida onde impera a Lei do Mais Forte. Foi assim com os nativos índios. Depois importaram os negros e subjugaram-nos em campos agrícolas e indústrias artesanais como força bruta. Mais tarde veio outro tipo de emigração, mais latino americana, mas difícil de domar, mas ainda assim os anglo saxónicos continuaram a dominar.
    O EUA são um país de emigrantes. Mas quase sempre construído a tiro. Não há filme yankee que não meta uma arma de fogo. Aquilo faz parte da sua cultura, e da forma de “tirar tudo a limpo”.
    Acresce que o António fala em exemplos de países onde as desigualdades culturais, económicas e sociais, porventura serão menores que nos EUA. Daí o uso de armas não provocar tanto tumulto. Mas alguns para lá caminham, não se esqueça.
    Os EUA só tem deméritos? É óbvio que não. Até têm mais coisas boas do que más. E nós Europeus, não nos podemos esquecer disso, ainda que eles próprios quando nos ajudaram, também se estivessem a proteger do domínio Soviético, caso contrário tinham vindo em nosso socorro logo que o nazismo tomou conta da Europa. Ou já se esqueceram que os Russos tiveram que se livrar sozinhos dos nazis, na frente oriental?
    Agora, os EUA são uma sociedade desregulada. Sempre foram. Onde depois de um Obama, vem um Trump, e sei lá o que virá a seguir.
    Quanto ao direito de uso e porte de arma, admito que algumas pessoas as possam usar, mas deve existir algum critério que avalie o estado psíquico do utilizador, ainda que isso seja falível.
    Se assim não fôr, qualquer louco, mesmo não sendo ladrão ou criminoso no sentido restrito, pode ter um ato irrefletido e fazer uma mortandade.

    • Bento Caeiro says:

      “filosofia de vida onde impera a Lei do Mais Forte. Foi assim com os nativos índios. Depois importaram os negros”.
      Estas tiradas são de mestre: isto caracteriza os americanos? E então os portugueses e os espanhóis, nas Américas e em África. Por outro lado importaram os negros? Mas quem é que os capturou, escravizou e para lá os levou e vendeu? Estou a ver, é aquele princípio que defende que o autor do crime é aquele que recebe e não aquele que oferece (na América, em termos de costumes, funcionam assim).
      Nestas histórias de opressão, agressão, aniquilamento, existem muitos poucos inocentes. Até porque sabemos que, em termos de apropriação de terras e de aniquilação de povos e nações, só aqueles que, pela sua fraqueza, não o conseguiram terão as mãos limpas. Tal como se pode comprovar pelos judeus que, logo após o final da 2ª guerra e com o apoio dos americanos, desataram a matar os palestinianos e a apoderar-se das suas terras.
      Finalmente, tenho de dizer: não há maior cegueira que a ideológica, porque até nos impede de ver aquilo que está bem à vista.

      • Rui Naldinho says:

        É certo que todas as colonizações foram traumáticas. E ninguém na Europa sai incólume do negócio da escravatura, nem mesmo nós. Ainda que comparar o nosso papel nessa matéria, com outras monarquias, seja o mesmo que comparar o domínio colonial britânico e o português.
        Mas que eu me recorde, nenhuma nação acabada de se tornar independente, iniciou uma guerra civil com bases económicas, onde a escravatura teve um papel preponderante no conflito, como foi o caso dos EUA.
        Acresce que o papel imperial dos americanos no mundo, a partir da II Guerra Mundial está à vista de todos. Basta olharmos para o que aconteceu no Vietname, no Afeganistão e no Iraque, 3 bons exemplos, para se perceber qual é a doutrina.


  5. Porque será que tanto polícia português, mais do que noutra qualquer profissão, se suicida? Tantas profissões desgastantes, como os professores por exemplo, mas, apesar do tabu e de ser muito escondido, sabe-se das altas taxas de suicídio dos polícias portugueses, mesmo naquele que é o terceiro país mais pacífico do mundo!

    Por que é que se matam então? Certamente que o facto deles andarem armados é mera coincidência!

    • ZE LOPES says:

      Nem mais!Só não vê quem não quer!

    • JgMenos says:

      Um forte argumento esse dos suicídios, que deverá ser também considerado na circulação ferroviário esse privelegiado meio de recurso dos suicídas portugueses.

      • ZE LOPES says:

        Pela eloquência do comentário constata-se quão privilegiado é V. Exa.

        Sim, há esquerdalhos que querem até proibir a circulação ferroviário. Um ferroviário a correr é muito perigoso. Principalmente se tiver um comboio à volta.

  6. ZE LOPES says:

    Fico a aguardar a próxima tirada filosófica de V. Exa. De preferência, depois de levar um tiro. Nestas questões a experiência é essencial. Dá outra visão das coisas. A não ser que…seja demasiado certeiro.

  7. ZE LOPES says:

    Aliás, é caso para dizer: coitadinha da AR15! Que raio de atirador ela foi arranjar!

  8. Nome Obrigatório says:

    “Na muito respeitável e civilizada Suíça, um quarto da população possui arma em casa, sendo inclusivamente a posse obrigatória para todos os que cumpriram o serviço militar”

    É mentira (como habitual nos posts do A. Almeida…)!
    Na Suíça as armas estão em casa, mas sem as munições.
    Essas estão nos paiois e apenas erão distribuidas em caso de guerra.

  9. Xavi Lou says:

    Iá, fixe, que a utilidade das armas não é matar. Aquilo era uma cena fixe e inofensiva que o pessoal começou a usar para matar pessoas.

  10. Paulo Marques says:

    “Abater um intruso no interior da sua residência nem deveria ser considerado crime. ”

    Há quem ache que uma vida humana vale um bocadinho mais, mas já sabemos que para a direita isso só conta com a vida dentro do ventre. Já em legítima defesa, não é proibido em lado nenhum.

    “Os norte-americanos também têm um grave problema com o jogo, sem que as proibições estaduais os impeçam de jogar. ”

    Impedem tanto como cá, têm que ir a locais próprios que têm as probabilidades fortemente reguladas por lei.

    “Acredito que existindo maior número de armas na casa das pessoas, diminuiriam alguns actos violentos, porque o marginal também receia levar um tiro e sabendo ser elevada a probabilidade de encontrar alguém armado, naturalmente hesitaria.”

    https://edition.cnn.com/2018/02/23/us/florida-school-shooting/index.html

  11. Paulek says:

    Digamos que o senhor Almeida acha que as pessoas conscientes só usam as armas, digamos assim como que o cartão do barclays ou o pneu suplente do carro, i.e, melhor é que não seja necessário mas, se for preciso, está lá. E tanta besta que por aí medra oh senhor Almeida? Sinceramente eu até parece que não ouvi aquilo que ouvi! Enfim.

  12. JgMenos says:

    As ‘virgens’ estão exaltadas?

    O post deve ser razoável, vou ler.

    • ZE LOPES says:

      Vá lá, vá lá, não desista. São só 38 linhas! Mais umas três horinhas e está terminado! Se já está cansado, é melhor fazer um intervalinho. É muita informação para a sua cabecinha! A turba esquerdalha é dura, mas humana! Estou certo que compreende!

    • ZE LOPES says:

      A propósito: não me diga que V. Exa. é mesmo o protagonista daquele filme que circula abundantemente por diversos sites cinéfilos: “Menos, o anti-virgem”.

      Aquela cena no cimo da torre da igreja é bastante ousada! Foi treinado por algum acrobata?

      Achei é que a cena da sacristia onde aparecem os cinco sacristães não está tão bem conseguida. O diálogo é muito curto. mas entendo, o público gosta que se passe logo à ação!É um dos grandes problemas do cinema contemporâneo.

  13. Fernando Antunes says:

    Não percebo porque é que a Direita Americana, a maiori ad minus, não defende a liberalização de drogas, por exemplo — não culpem as drogas. As drogas duras não matam (injectá-las é que talvez…)

    Porque é que são necessários tantos testes e registros e seguros e inspecções para conduzir um automóvel, e para armas não? Os carros não matam, não culpem os carros (o meu carro está na garagem há mais de um ano, e o Estado obriga-me a fazer vistoria periódica, pagar seguro, etc., e ele nunca fez mal a uma mosca…)

  14. ZE LOPES says:

    “Abater um intruso no interior da sua residência nem deveria ser considerado crime”.

    É por essas e por outras que, se alguém eventualmente passar pela sua casa (seja ela lá onde for) e a vir a arder, ou ouvir alguém a pedir socorro, é não entrar! Sujeito a apanhar um balásio!

  15. Fernando Antunes says:

    Palavras para quê? É ver um vídeo em que um jovem de 13 anos tenta, sem sucesso, comprar alcool, revistas pornográficas e um bilhete de lotaria, sendo até ridicularizado pelos lojistas. Depois, vai a uma loja de armas e sai de lá com a espingarda.

    Esta é a América real, meus senhores…

    https://youtu.be/PIFiJdw0uME

  16. Rui Silva says:

    Estes ataques nunca acontecem em esquadras de policia , quartéis ou bancos, locais onde existem armas.Acontecem em escolas, locais ponde não existem armas. logo parece-me que faz algum sentido que a existencial de seguranças armados nas escolha seria um factor dissuasor para estes cobardes/psicopatas que os praticam.
    Não faz sentido nenhum o desarmamento do cidadão que assim fica à mercê do atirador.

    Rui Silva


    • Como disse? “Nunca acontecem”? Sim, os Estados Unidos é o exemplo do país mais pacífico do mundo, em que realmente só acontecem tiroteios em escolas! É precisamente o oposto do que disse. Precisamente por nas escolas, ser um local destinado exclusivamente a e professores e em que todas as semanas acontecem tiroteios é que tudo isto choca.

      Só desde 2013 ocorrerem 291 tiroteio em escolas americanas. É um tiroteios por semana!

      “Um estudo da RAND Corporation mostra que mais de 22 milhões de crianças nos EUA vivem em casas onde existem armas. Uma outra sondagem do Pew Research Center refere que apenas 54% dos donos de armas com crianças com menos de 18 anos a viver na mesma casa dizem que estas estão num local fechado.” (Dário de Notícias)

    • ZE LOPES says:

      “Não faz sentido nenhum o desarmamento do cidadão que assim fica à mercê do atirador”.

      Lindo! O problema é que antes de ser atirador o indivíduo era…cidadão!

    • Fernando Antunes says:

      Eis uma notícia que mostra como vivemos tempos muitos estranhos…

      https://www.reuters.com/article/us-usa-georgia-shooting/georgia-teacher-arrested-after-firing-gunshot-in-school-classroom-idUSKCN1GC2PG

      A solução é armarem os professores, dizem eles…

  17. Anónimo says:

    António Almeida tem razão. O que (bem) escreve está certo.

    • ZE LOPES says:

      Tá visto! O Almeyda Fan Club é composto por anónimos! É compreensível! Nunca se sabe quando rebenta por aí o comunismo!

  18. Fernando Antunes says:

    A América vive em clima de medo patológico. E o dedo no gatilho é quase sempre demasiado nervoso — até nos polícias, quanto mais no comum dos cidadãos. Se uma pessoa espirra, a outra que está armada assusta-se. Existe gente que resolve conflitos no trânsito com armas.

    Eu pergunto-me se é possível alguém se sentir seguro com uma presença tão disseminada de armas na sociedade. Algum pai nos Estados Unidos vai descansado para o trabalho pensando que o seu filho está seguro na escola?? Alguma vez?!

    O António de Almeida faz uma distinção ingénua entre o pacífico cidadão e o criminoso, como se fossem duas espécies de animais diferentes. O indivíduo que tipicamente é despedido e no dia seguinte volta ao escritório com uma arma antes de se suicidar, é um pacífico cidadão sem cadastro, autorizado por isso a ter uma arma. O problema aqui é que a psicologia não possui mecanismos que antecipem momentos isolados de insanidade (só no Minority Report, ou noutras obras de ficção).

    Aconteceu-me isto no outro dia: eu vinha distraído para o parque de estacionamento e estava um Volkswagen preto igual ao meu na mesma fila. Pensei que era o meu carro e tentei abrir a porta com o comando e não deu; quando meti a chave na ranhura apareceu o dono espantado, a perguntar o que se passa. Aí vi que o meu carro não era aquele, e pedi desculpa, e ambos nos rimos com a situação. Se isto fosse no Texas, tenho a impressão que o homem puxaria da arma primeiro e faria perguntas depois — o que aliás seria perfeitamente legal.
    Isto para explicar que não é preciso nada de extraordinário para “pacíficos cidadãos” se balearem uns aos outros. Basta uma arma e um mal-entendido.


    • E no Minority Report a tentativa de ter um mecanismo que antecipe um eventual crime que uma pessoa venha a cometer no futuro também deu merda!
      Mas é muito interessante o exemplo que deu.

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