Um imenso teatro de fantoches

Anda tudo a fingir que o sistema funciona. O Conselho da UE “discute, altera e aprova legislação e coordena as políticas europeias“, o parlamento europeu debate e aprova; no país, o presidente “zela pelo cumprimento da constituição e fiscaliza a actividade legislativa dos outros órgãos de soberania”, os deputados na AR aprovam legislação, os cidadãos elegem e comentam; os media…  e por aí fora.

Contudo, essa aparência de normalidade democrática é um logro abismal, uma reprodução orwelliana.

De facto, mesmo as pessoas mais avessas a teorias da conspiração (como é o meu caso), lêem e constatam estupidamente abismadas que, ainda muito mais do que suspeitavam, os cordelinhos são puxados por entidades gigantescas e obscuras, como o Pedregulho Negro, aqui ou aqui.

A UE a fazer frente a Trump? Que graça! É tudo muito, muito engraçado, neste teatro surreal.

Resta enfileirar nas abomináveis hostes do mais reles cinismo?

Comments

  1. caco says:

    Eu diria o mesmo que Oscar Lafontaine disse, “agora seria a altura certa para mostrar quem é que tem cu nas calças”.

    • Ana Moreno says:

      O. Lafontaine mostrou, de facto, a sua coerência e rectidão recusando continuar a aparar o jogo da política traidora de Schröder.
      Mas onde é que ele disse isso?

      • caco says:

        Escreveu no Twitter mas ouvi se não estou em erro no programa da ARD
        “Maischberger” data de 16 de Maio que por sinal achei interessante.


  2. …sem dúvida, Ana, assustador este cinismo deste teatro de fantoches de forças obscuras, nossos novos senhores-feudais agora com medonho aspecto monstruoso e global disfarçado pelo cinismo de uma UE supostamente criada para salvaguarda dos interesses dos cidadãos desta ” nossa casa comum ” .

    Apesar do interesse em estarmos informados e conscientes , e a si agradeço mais esta informação, ficamos também com o desânimo que nos rói a última esperança : (

  3. Paulo Marques says:

    Faz sentido. Para quem se recusa a questionar o ordoliberalismo, falhanço após falhanço, meter os dedos nos ouvidos e fugir para a frente é sempre a solução. O medo de questionar é tanto que já não são os estados a aceitar perder soberania, é a própria UE.
    Aliado ao que se passou, outra vez, esta semana em Itália, a pergunta obrigatória é porque é que as pessoas de esquerda não são eurocépticas.

    • Ana Moreno says:

      Interessar-me-ia mais saber porque é que as pessoas eurocépticas não votam à esquerda…

      • Paulo Marques says:

        A propaganda da vontade de Deus, perdão, dos mercados é muito forte – ter economia própria é o fim do mundo, olhem para o Zimbabué, perdão, a Venezuela!
        Não há uma única pessoa nos média a dizer uma alternativa, muito pelo contrário, por isso o endividamento permanente não parece tão mau, porque a reforma europeia tem que estar aí ao virar da esquina…
        Espera, nenhuma pessoa contraria a Europa? Não! Existe uma tribo de irredutíveis Húngaros (e Polacos, e agora Italianos…) fascistas que aumenta o poder do estado à revelia dos tratados sem ninguém querer saber do assunto.

        A resposta, Ana, é que a esquerda não lhes dá soluções, só TINA até às reformas que cantam. A extrema direita faz (pouco, mas faz). E não era difícil, não faltam buracos enormes no mainstream económico, mas nas melhor das hipóteses, a esquerda anda preocupada com paliativos e entretida com iniciativas que nunca vão a lado nenhum.

        • Ana Moreno says:

          Até concordo Paulo, embora a única coisa que a extrema direita faz seja sacudir o establishment; e isso faz bem. Mas como, tragicamente, as soluções que oferece são retrógadas, racistas, nacionalistas, machistas, etc., a satisfação é muito, muito turva… Quanto à esquerda, se se refere à família europeia do PS, trata-se de traidores que também andam a receber a factura que merecem por essa Europa fora. Vejo a esquerda a começar mais à esquerda. E aí tem razão, as soluções são rarefeitas, mas pelo menos denunciam muita coisa. Parece é que isso não é suficiente.


          • Concordo consigo, Ana, é isso mesmo, que esquerda PS não a reconhecemos e bem pelo contrário, como temos tido provas e o que aí vem vai prova-lio ainda mais.
            E essas outra forças á esquerda…fraquinha, muito fraquinha e algures com laivos de certo protagonismo que a limita é o que nos resta e não só aqui, e ficamos em desânimo mesmo.

          • Paulo Marques says:

            Não é a única coisa, vai pondo o estado a investir e a garantir mais empregos do que alguma vez o Centeno fará, limitando a escalada da dívida privada e alguma precarização.
            Claro que não chega, tal como não chega o Brexit só por si, mas é o que as pessoas têm.

  4. Bento Caeiro says:

    E nos intervalos até mandam umas bocas sobre os visto gold em Portugal, a ver se a coisa pega; assim arranjando apoios para os atacarem. Mas, sempre os enormes mas, alguém lhes disse: “e então os vossos paraísos fiscais que levam as sedes das nossas empresas para aí” – só do PSI, são 19 em 20 (isto digo eu)? Bem, pois, mas sabem afinal a Comissão – comichosa, mas não tola – não pode fazer nada contra isso. Pois, é assim.
    Também metem, sempre que podem e conforme a fraqueza mostrada, o nariz nos países que têm a veleidade de lhes dizer: “o caminho que estão a seguir não é o melhor e vamos ter de repensar a nossa posição” – como foi o caso de Itália. Aqui, del-rei, que os gajos são populistas – não tarda até vão tomar coragem para pôr em causa a sacrossanta globalização e os mercados. Ponham os olhos em Portugal. Não viram como o Costa recebeu a patroa e de como ela se mostrou satisfeita com o protectorado, perdão, com o Estado Português.

    • Paulo Marques says:

      O Costa foi o primeiro a assinar isto, em Março, https://ec.europa.eu/epsc/publications/strategic-notes/euro-plus-pact_en … Ninguém percebeu, a comunicação social não disse o que era, é isto a “democracia” europeia.

      • Bento Caeiro says:

        Alguns, Paulo, perceberam mas fizeram que não; do mesmo modo, a comunicação, ao serviço destes, olhou para o lado. Contudo, o Nó Górdio, mesmo mantendo-se atado, só espera que alguém com coragem e empenho, mas pouco dado a grandes reflexões, pegue na espada e o desfaça. Desfazendo, assim, a proclamada lógica que, por enquanto, o mantém ileso.

  5. Ana Moreno says:

    Isabela, “é o que nos resta e não só aqui, e ficamos em desânimo mesmo” – diria que ficamos em descrença, mas sem lhes dar o prazer de nos fazer perder o ânimo, porque temos as nossas fontes de energia vital 😉


    • Bem haja, Ana, por esse seu apelo á NOSSA energia vital …. que não no-la amarraram nem amarrarão com número de contribuinte !!

      / abraço solidário

  6. Zé Mário says:

    Todos a tratar-nos da saúde, é o que eles andem.

    Esse do Pedregulho Negro, é só mais um dos Charlatães

  7. Luís Lavoura says:

    Eu acho benéfico criar um fundo de pensões europeu. Há hoje muitos europeus que trabalham em diferentes países da Europa em diferentes fases da sua vida e ter um fundo de pensões a operar por toda a Europa seria muito conveniente para essas pessoas.
    E não acho nada estranho a <>Blackrock deter parte da EDP ou de outras empresas “portuguesas”: o negócio da Blackrock consiste precisamente em comprar (e vender) ações de empresas… é portanto normal que a qualquer momento a Blackrock detenha ações!

    • Ana Moreno says:

      Uau! O que considera normalidade, Luís Lavoura, tendo em conta a dimensão, pressão e implicações, parece-me bastante anormal. Questão de valores.

    • Paulo Marques says:

      Então vá ler como são descapitalizados os fundos de pensões.