Um imenso teatro de fantoches

Anda tudo a fingir que o sistema funciona. O Conselho da UE “discute, altera e aprova legislação e coordena as políticas europeias“, o parlamento europeu debate e aprova; no país, o presidente “zela pelo cumprimento da constituição e fiscaliza a actividade legislativa dos outros órgãos de soberania”, os deputados na AR aprovam legislação, os cidadãos elegem e comentam; os media…  e por aí fora.

Contudo, essa aparência de normalidade democrática é um logro abismal, uma reprodução orwelliana.

De facto, mesmo as pessoas mais avessas a teorias da conspiração (como é o meu caso), lêem e constatam estupidamente abismadas que, ainda muito mais do que suspeitavam, os cordelinhos são puxados por entidades gigantescas e obscuras, como o Pedregulho Negro, aqui ou aqui.

A UE a fazer frente a Trump? Que graça! É tudo muito, muito engraçado, neste teatro surreal.

Resta enfileirar nas abomináveis hostes do mais reles cinismo?

Comments

  1. caco says:

    Eu diria o mesmo que Oscar Lafontaine disse, “agora seria a altura certa para mostrar quem é que tem cu nas calças”.

    • Ana Moreno says:

      O. Lafontaine mostrou, de facto, a sua coerência e rectidão recusando continuar a aparar o jogo da política traidora de Schröder.
      Mas onde é que ele disse isso?


  2. …sem dúvida, Ana, assustador este cinismo deste teatro de fantoches de forças obscuras, nossos novos senhores-feudais agora com medonho aspecto monstruoso e global disfarçado pelo cinismo de uma UE supostamente criada para salvaguarda dos interesses dos cidadãos desta ” nossa casa comum ” .

    Apesar do interesse em estarmos informados e conscientes , e a si agradeço mais esta informação, ficamos também com o desânimo que nos rói a última esperança : (

  3. Paulo Marques says:

    Faz sentido. Para quem se recusa a questionar o ordoliberalismo, falhanço após falhanço, meter os dedos nos ouvidos e fugir para a frente é sempre a solução. O medo de questionar é tanto que já não são os estados a aceitar perder soberania, é a própria UE.
    Aliado ao que se passou, outra vez, esta semana em Itália, a pergunta obrigatória é porque é que as pessoas de esquerda não são eurocépticas.

    • Ana Moreno says:

      Interessar-me-ia mais saber porque é que as pessoas eurocépticas não votam à esquerda…

      • Paulo Marques says:

        A propaganda da vontade de Deus, perdão, dos mercados é muito forte – ter economia própria é o fim do mundo, olhem para o Zimbabué, perdão, a Venezuela!
        Não há uma única pessoa nos média a dizer uma alternativa, muito pelo contrário, por isso o endividamento permanente não parece tão mau, porque a reforma europeia tem que estar aí ao virar da esquina…
        Espera, nenhuma pessoa contraria a Europa? Não! Existe uma tribo de irredutíveis Húngaros (e Polacos, e agora Italianos…) fascistas que aumenta o poder do estado à revelia dos tratados sem ninguém querer saber do assunto.

        A resposta, Ana, é que a esquerda não lhes dá soluções, só TINA até às reformas que cantam. A extrema direita faz (pouco, mas faz). E não era difícil, não faltam buracos enormes no mainstream económico, mas nas melhor das hipóteses, a esquerda anda preocupada com paliativos e entretida com iniciativas que nunca vão a lado nenhum.

        • Ana Moreno says:

          Até concordo Paulo, embora a única coisa que a extrema direita faz seja sacudir o establishment; e isso faz bem. Mas como, tragicamente, as soluções que oferece são retrógadas, racistas, nacionalistas, machistas, etc., a satisfação é muito, muito turva… Quanto à esquerda, se se refere à família europeia do PS, trata-se de traidores que também andam a receber a factura que merecem por essa Europa fora. Vejo a esquerda a começar mais à esquerda. E aí tem razão, as soluções são rarefeitas, mas pelo menos denunciam muita coisa. Parece é que isso não é suficiente.


          • Concordo consigo, Ana, é isso mesmo, que esquerda PS não a reconhecemos e bem pelo contrário, como temos tido provas e o que aí vem vai prova-lio ainda mais.
            E essas outra forças á esquerda…fraquinha, muito fraquinha e algures com laivos de certo protagonismo que a limita é o que nos resta e não só aqui, e ficamos em desânimo mesmo.

          • Paulo Marques says:

            Não é a única coisa, vai pondo o estado a investir e a garantir mais empregos do que alguma vez o Centeno fará, limitando a escalada da dívida privada e alguma precarização.
            Claro que não chega, tal como não chega o Brexit só por si, mas é o que as pessoas têm.

  4. Bento Caeiro says:

    E nos intervalos até mandam umas bocas sobre os visto gold em Portugal, a ver se a coisa pega; assim arranjando apoios para os atacarem. Mas, sempre os enormes mas, alguém lhes disse: “e então os vossos paraísos fiscais que levam as sedes das nossas empresas para aí” – só do PSI, são 19 em 20 (isto digo eu)? Bem, pois, mas sabem afinal a Comissão – comichosa, mas não tola – não pode fazer nada contra isso. Pois, é assim.
    Também metem, sempre que podem e conforme a fraqueza mostrada, o nariz nos países que têm a veleidade de lhes dizer: “o caminho que estão a seguir não é o melhor e vamos ter de repensar a nossa posição” – como foi o caso de Itália. Aqui, del-rei, que os gajos são populistas – não tarda até vão tomar coragem para pôr em causa a sacrossanta globalização e os mercados. Ponham os olhos em Portugal. Não viram como o Costa recebeu a patroa e de como ela se mostrou satisfeita com o protectorado, perdão, com o Estado Português.

    • Paulo Marques says:

      O Costa foi o primeiro a assinar isto, em Março, https://ec.europa.eu/epsc/publications/strategic-notes/euro-plus-pact_en … Ninguém percebeu, a comunicação social não disse o que era, é isto a “democracia” europeia.

      • Bento Caeiro says:

        Alguns, Paulo, perceberam mas fizeram que não; do mesmo modo, a comunicação, ao serviço destes, olhou para o lado. Contudo, o Nó Górdio, mesmo mantendo-se atado, só espera que alguém com coragem e empenho, mas pouco dado a grandes reflexões, pegue na espada e o desfaça. Desfazendo, assim, a proclamada lógica que, por enquanto, o mantém ileso.

  5. Ana Moreno says:

    Isabela, “é o que nos resta e não só aqui, e ficamos em desânimo mesmo” – diria que ficamos em descrença, mas sem lhes dar o prazer de nos fazer perder o ânimo, porque temos as nossas fontes de energia vital 😉


    • Bem haja, Ana, por esse seu apelo á NOSSA energia vital …. que não no-la amarraram nem amarrarão com número de contribuinte !!

      / abraço solidário

  6. Zé Mário says:

    Todos a tratar-nos da saúde, é o que eles andem.

    Esse do Pedregulho Negro, é só mais um dos Charlatães

  7. Luís Lavoura says:

    Eu acho benéfico criar um fundo de pensões europeu. Há hoje muitos europeus que trabalham em diferentes países da Europa em diferentes fases da sua vida e ter um fundo de pensões a operar por toda a Europa seria muito conveniente para essas pessoas.
    E não acho nada estranho a <>Blackrock deter parte da EDP ou de outras empresas “portuguesas”: o negócio da Blackrock consiste precisamente em comprar (e vender) ações de empresas… é portanto normal que a qualquer momento a Blackrock detenha ações!

    • Ana Moreno says:

      Uau! O que considera normalidade, Luís Lavoura, tendo em conta a dimensão, pressão e implicações, parece-me bastante anormal. Questão de valores.

    • Paulo Marques says:

      Então vá ler como são descapitalizados os fundos de pensões.

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