Sr. Sérgio Monteiro, é chamado à recepção

Lembram-se do Secretário de Estado dos Transportes do governo de Passos Coelho? Aquele que vendeu os anéis e os dedos?

Quando Sérgio Monteiro entregou a gestão de todos os aeroportos nacionais (todos) a uma empresa estrangeira por um período de 50 anos (cinquenta), jurou a pés juntos que o contrato de concessão contemplava a possibilidade de se avançar de imediato para uma solução quando o aeroporto de Lisboa atingisse os 20 milhões de passageiros, tendo sido dado a entender que se estaria a falar da construção do novo aeroporto.

Agora que o aeroporto da Portela está congestionado, ficámos a saber que, afinal, essa garantia não existe. O que o acordo com a nova empresa gestora das infraestruturas aeroportuárias prevê é a possibilidade das autoridades portuguesas apresentarem uma proposta, mas sem a obrigação da concessionária construir essa solução.

Eis uma das consequências de se perder a soberania sobre as nossas infraestruturas. O governo anterior vendeu tudo, ao desbarato, e nem assegurou o mínimo de controlo, pelo menos neste caso. Fica aqui este registo para lembrar aos excitados defensores do Estado mínimo que há mínimos a garantir.

Quero agora ver se as preocupações com os maus negócios que o Estado faz só são válidas quando são levadas a cabo pela outra cor. Concretizando, li por aí um levantamento geral por causa do Tribunal de Contas ter vindo dizer que o Estado não salvaguardou a sua posição ao regressar à TAP com 50% do capital, mas sem o correspondente controlo. Acredito que o TC tenha razão, aliás não me surpreende, dado ser este o modus operandi dos nossos políticos (esquecerem-se que estão onde estão para defender os interesses do Estado). O que eu quero ver, como se já não soubesse o que vai acontecer, é se essas mesmas vozes agora vão piar perante este escândalo.

Quanto a Sérgio Monteiro, é a prova, novamente, de que os políticos precisam de ter responsabilidade pessoal pelos actos praticados. Afinal de contas, é assim em todas as profissões. Porque é que haveria esta ser diferente?

Fica a seguir o áudio da história contada por Nicolau Santos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O PSD sempre preparou no governo, o futuro dos seus ministros e secretários de estado, no sector privado.
    Se isto não é uma forma encapotada de corrupção, então já não sei o que é um corrupto.

  2. Incomodada says:

    E ninguém avança com um acção popular no tribunal administrativo?


  3. nada vai acontecer, o respeitinho é quem mais ordena, Sérgio Monteiro é forte, logo o estado e os portugueses são apenas o que sempre foram fracos cornos mansos

  4. ZE LOPES says:

    Se houvesse uma entrega de Óscares da Academia dos Vígaros, não há dúvidas: seria um espetáculo excecional!

  5. JgMenos says:

    Toda uma treta para dizer o mesmo: o Estado não tem dinheiro para construir um aeroporto.
    Chamar a isso um escândalo quando a seguir se reclama que dê broas a todo o cão e gato, é a palhaçada habitual num país de cretinos.

    • Paulo Marques says:

      Claro que não tem dinheiro, tem que ficar todo para o Deutsche. Depois de passar uma boa parte para as mãos da peste dos consultores agarrados ao estado e para os monopólios oferecidos a troca de tachos, claro.

      Não ter um país soberano dá nisto, e por muito que andem a fazer de conta, a coisa é inustentável.

    • j. manuel cordeiro says:

      Que maior cretino há do que aquele que faz de conta que não percebe o que está escrito para poder defender a sua dama?

      “O que o acordo com a nova empresa gestora das infraestruturas aeroportuárias prevê é a possibilidade das autoridades portuguesas apresentarem uma proposta, mas sem a obrigação da concessionária construir essa solução.

      Qual foi a parte que não percebeu?

      • JgMenos says:

        A parte que não percebi é aquela em que alguém assumisse a obrigação de cumprir uma proposta que não conhece.
        Mas se houver cretinos para um tal disparate…

        • j. manuel cordeiro says:

          Estou a ver. Se a empresa fosse pública, o Estado podia usar os lucros da ANA para construir infraestruturas. Agora sendo a empresa privada, o Estado pode usar os impostos para construir infraestruturas. Bom negócio – para a empresa privada, a quem foi dado a galinha de ovos de ouro, sem ter que a alimentar.

    • ZE LOPES says:

      O quê? Um país com dez milhões de JgMenos? Não será exagero?

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