Vilezas

Eis uma evidência: uma pessoa que afirme ter sido violada poderá estar a dizer a verdade ou não. Mas, até que a Justiça estabeleça essa verdade, cabe à sociedade tratar a pessoa queixosa com respeito e dignidade. Quando vemos a possível vítima a ser humilhada, a sua história ridicularizada, as suas intenções denegridas ainda antes de a Justiça poder fazer o que lhe compete, reduzimos as possibilidades da reparação do crime, se o houve, e permitimos que o nosso mundo se envileça.

Comments

  1. Nuno Resende says:

    Nem mais.

    • José Simões says:

      não consigo responder ao comentário abaixo, mas fica aqui.
      A notícia só é NOVAMENTE notícia porque um jornal alemão resgatou a história, com docs sacados, para expôr tudo o que ficou escondido.
      É só isto

  2. Ana A. says:

    Nos casos em que as vítimas terão vendido o seu silêncio e mais tarde vêm para a praça pública denunciar o que tinham negociado, parece-me também de uma vileza sem nome!

    Será porque entretanto se acabou o dinheiro?!

    Quando se recebe dinheiro pelo silêncio, estabelece-se um negócio (vantajoso) para ambos. Estas vítimas não me merecem qualquer respeito!


    • Pequeno problema. Um crime não se apaga com dinheiro. Mau era se se apagasse, então é que os ricos nunca seriam punidos só porque já, injustamente, numa sociedade tremendamente desigual, o Pedro Dias é chamado de monstro e o Duarte Lima é o senhor Doutor ex-deputado arguido de alegadamente ter morto a Catalina. Monstros é coisa de pobre.

      Sublinho, um crime não se apaga só porque se tem dinheiro e se tenta comprar a vítima, tal como um pedófilo compra o silêncio de uma criança com doces.

      Mas uma coisa tenho reparado, as pessoas (pelo menos as que me rodeiam) defendem SEMPRE o agressor.
      – A portuguesa-colombiana por certo que fez algo para levar nas trombas quando entrava num autocarro no Porto.
      – Certamente que o casal homossexual não deu só um beijo na boca em Coimbra para ser empancado.
      – A rapariga que estava desmaiada e foi violada por dois trabalhadores duma discoteca de Gaia certamente estava a pedi-las para ser violada. Se calhar tinha uma mini saia e um decote em que se via as mamas e tinha-se andado a meter com eles. E claro, qualquer bom pai de família o que faz quando vê uma mulher desmaiada e violá-la. Tal como um médico viola uma mulher antes de a operar!
      Tenho pena que se defendam sempre os agressores.

      Claro que há muita gente a tentar aproveitar-se. Sei bem disso, não sou ingénuo. Já o vi na minha empresa, e já por aqui algures contei o caso. Certamente que qualquer um ficava tentado a acusar uma determinada figura pública no caso Casa Pia se nos prometessem 50 mil euros. Mas é sempre preciso muito cuidado com essa facilidade toda com que julgam pessoas e casos que não se conhecem. Como diz o povo, não cuspam para o ar que um dia pode-vos cair em cima.

      • Ana A. says:

        Caro Konigvs,

        Presumo que o seu comentário esteja a responder ao meu!

        Lamento que não tenha entendido o que eu disse, e me colocasse na posição de defensora de agressores sexuais, ou outros!

        Leia bem o que eu escrevi, porque a sua dissertação, fez-me sentir moral e intelectualmente agredida.


        • Ana, é neste ponto que eu discordo:

          “Quando se recebe dinheiro pelo silêncio, estabelece-se um negócio (vantajoso) para ambos. Estas vítimas não me merecem qualquer respeito!”

          E o que eu acho é que, e ainda ontem tive esta discussão contra todos os meus colegas, é que andamos a meter no mesmo saco coisas sem qualquer importância – o piropo em Portugal é crime! – e depois, como vi todos os meus colegas, andam a desculpabilizar uma dupla violação.

          Eu não sei o que aconteceu no caso do Cristiano, se violou ou não, até porque eu sempre achei que a única mulher que ele gosta é a mãe.
          Mas não é por alguém ser muito rico, e que acha que pode comprar toda a gente, que se fez algo de errado (se fez não sei) mas se fez, não foi por ter pago que o eventual crime desaparece.

          Mas se foi crime, ou se é só alguém a tentar aproveitar-se, isso compete ao tribunal decidir, não a nós. No entanto, volto a repetir, que a simpatia das pessoas recai quase sempre sobre aqueles a quem recai as acusações.

          • Ana A. says:

            Insisto:
            eu não simpatizo, pelo contrário, sinto um grande asco, por todo o agressor. E deve ser apurada a verdade dos factos e puni-los, se existir violação.Ponto.

            Mas, a hipocrisia das eventuais vítimas que acordaram receber dinheiro pelo seu silêncio merece-me igualmente um sentimento de repulsa.
            E foi esse o meu ponto no meu primeiro comentário!

            Nestes casos, a cupidez pelo dinheiro, pela parte das vítimas, não me parece menos grave do que aquele ser abjecto que querendo satisfazer os desejos sexuais, se torna um agressor.

            Resumindo: aquele/aquela que vendeu o seu silêncio e não fez a denúncia que se impunha, em devido tempo, deveria remeter-se ao silêncio e arcar com a sua quota parte de responsabilidade, uma vez que, com a sua conduta, veio reforçar a ideia de que o dinheiro compra tudo…


      • Konigvs, por acaso nos estados unidos muitas vezes fazem-se uns tais acordos extra-judiciais.
        São simples. O acusado paga uma quantia e o acusador retira a queixa.
        Quase que aposto que é o que vai acontecer se o caso azedar muito para os lados do Ronaldo.

    • Paulo Marques says:

      Há pessoas que (acham que) lidam melhor com um trauma se o esconderem numa parte recôndita do cérebro. Às vezes nunca mais se pensa no assunto, outras vezes são precisos uns anitos em terapia – depende do trauma e da pessoa e de como a vida corre.
      Mas, como diz o Konigvs, o enquadramento legal dos crimes não existe só para punir o criminoso ou vingar a vítima. Lá por que se comprou o silêncio não quer dizer que a questão está resolvida, uma vez que as pessoas vivem em sociedade.


      • Quando alguém aceita vender o seu silêncio, que esconde abusos, mentiras e misérias da condição humana fica a ideia de que o silencio que cala o que não deve é falso e hipócrita.E a sra. demonstrou isso.

        • Paulo Marques says:

          Às vezes sim, às vezes não. Agora que sei qual é o caso, também há a acrescentar que ter que lidar com o trauma em praça pública logo a seguir contra a legião de fãs é um bom motivo para estar calado, infelizmente.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A mim, pessoalmente, preocupa-me é a falta de ligeireza na defesa de direitos.
    Jamais escreveria o que quer que seja sobre este tema, a não ser em forum e porque ele foi lançado.
    Tão pouco defendo quem quer que seja, porque desconheço a realidade e não mando pedras.
    Repito que aquilo que censuro é a lentidão de processos (neste caso o processo delatório) como se a pessoa sofresse de amnésia e só agora se lembrasse do problema. E não me venham com desculpas, pois é indesculpável poupar quem comete crimes, a menos que também se seja criminoso.
    E o silêncio é tão criminoso como o oportunismo.

  4. Anonimus says:

    O Arquitecto Quebra-bilhas também era um violador agressivo. Porém, nos vídeos (nunca vi, mas tenho um amigo de um cunhado do meu vizinho que viu), a coisa parecia consensual.
    Tal como em Hollywood, mulheres que aceitaram o sexo como “currency” agora mostram descontentamento. Isto do alto de boas carreiras assentes no jogo que todos e todas aceitam jogar.
    Terão e têm razão, mas mais teriam se aceitassem a quota-parte de culpa no negócio.
    Quanto à menina,veremos até onde vão os princípios. Indo até às ultimas consequências, vai reembolsar os 300000 que já recebeu?


    • Por acaso vi os tais filmes (andam por ai na net).
      Não o vi violar ninguém. Ou seja, embora aquilo parecesse doloroso era claramente consensual. Não vi nenhuma dizer algo como “não faças isso” ou “deixa-me ir embora”.
      No entanto lembro-me que na época houve uma senhora, aspirante a modelo, que se queixou de violação nos jornais e que insistia que tinha direito a uma compensação.


  5. Sabemos que o exemplo em epígrafe é humor, não sabemos?


  6. Para a “justiça fazer o que lhe compete” há que fazer queixa do alegado crime num prazo razoável e apresentar as provas do mesmo. Até há um par de anos, denegrir uma pessoa apenas com base no que dizia outra pessoa (sem possibilidade material de o vir a provar, dado, por exemplo, o decurso do tempo e a inexistência de testemunhas), era um sinal de barbarismo. Agora dizem-me que é progresso. Haja pachorra.

    • E. Monteiro says:

      Para além de “sinal de barbarismo” designavam-se por calúnias, termo que parece ter caído em desuso, assim como o princípio de presunção da inocência. O progresso a que se refere é o das fogueiras medievais, agora transformadas em incêndios nas redes sociais. De facto, haja pachorra.

  7. Margarida Vieira says:

    Embora va ao arrepio de algumas das opinioes atras expressas, uma pega é uma pega e sera sempre uma pega. Este movimento Metoo abriu um linda caixa de Pandora em que qualquer homem ou mulher pode ir buscar casos, verdadeiros ou falsos, para ir buscar fama, gloria e dinheiro. E sim, sou mulher, mas isto mete-me nojo. E nem sequer me passa pela cabeça desculpar violadores. Ai de mim se tal sucedesse.

  8. Fatima Góis says:

    Pelo menos desta vez estou de acordo com a Ana A.
    Qual é a dignidade de quem faz um acordo destes ? e ainda por cima quebra o acordo sem devolver o dinheiro ?
    Cara Konigvs não está a ver bem a coisa , deves ser daquelas que acha que os pobres tem sempre razão… pelo facto de serem pobres.

    Fatima Góis

  9. E. Monteiro says:

    Há um padrão em todos estes casos de alegadas violações, alegadas tentativas de violação, alegadas agressões de carácter sexual e alegados comportamentos impróprios: todas as mulheres que têm vindo a terreiro apenas acusam os ricos e os poderosos. Nunca nenhum labrego foi acusado. Desde o DSK até ao Ronaldo. É curioso. Será que não há motivações políticas e financeiras a ditar as acusações?

    Como diria alguém: dêem-me os meios que, com apenas 1% de verdade, construo a mentira mais verosímil e mais monstruosa que se possa imaginar. Há pessoas assim, muito embora eu despreze e condene todas as formas de abuso, entre elas as de cariz sexual.

    • Fatima Góis says:

      E.Monteiro,
      Mas os Marxistas do politicamento correcto é exactamente isso que querem.
      Os pobres maus são vitimas da sociedade merecem 1000 perdões (até contribuem para a Revolução) , enquanto a vitima é que é culpada por pertencer á sociedade opressora.
      Quando o mau é rico , já não há atenuantes à que condenar mesmo sem se saber se é verdade. Quem aproveita isto são estas flausinas que vão sacando milhares “HONESTAMENTE” a conta da sua “HONRA” e “HUMILHAÇÔES.

      Fatima Góis


      • Deixem lá os marxistas do politicamente correcto em paz.
        Lembra-se do Assange? Pois bem, uma senhora partilha cama com ele durante uma semana e depois queixa-se de violação.

        • Fatima Góis says:

          Esse aprendeu ….

          FG

        • Paulo Marques says:

          Queixou-se de violação porque foi sem consentimento para não usar preservativo, coisa que é crime na Suécia. Que a Interpol não tem nada a ver com o assunto é outra coisa.

      • Paulo Marques says:

        Eu a pensar que queria que fosse o tribunal a decidir, mas afinal quero é cortar-lhe a cabeça.

    • Paulo Marques says:

      Se vai citar alguém muito mais inteligente, ao menos cite-o em condições. “Se me derem seis linhas escritas pelo mais honesto dos homens, encontrarei nelas alguma coisa pela qual ele deva ser enforcado.”
      Quanto ao resto, embora haja sociopatas como em tudo, o que mais acontece é que se queixam depois porque não quiseram lidar com a publicidade a seguir ao trauma.

  10. E. Monteiro says:

    E “quando vemos a possível” culpada “a ser humilhada, a sua história ridicularizada, as suas intenções denegridas ainda antes de a Justiça poder fazer o que lhe compete, reduzimos as possibilidades da reparação” justa “do crime, se o houve, e permitimos” também “que o nosso mundo se envileça.”

    (Adaptado do texto original do post)

  11. dos Santos says:

    Quando a possível vítima em vez de denunciar a dita violação criminalmente preferiu branquear a situação e ser paga para ficar em silêncio. Hoje diz que não sabia que acordo estava a assinar no entanto não se fez rogada em receber os ditos 300 mil euros.
    Humilhada e ridicularizada não me parece, parece-me mais uma montagem e embuste para tirar dividendos daí.


  12. Salvador, não fiques com pena, vais ao parque Eduardo Sétimo, disfarças-te de criança, e vais ver que caem em cima de ti em três tempos, safaram-se de ir dentro no processo Casa Pia, sentem-se impunes…


  13. Pergunta ao senhor Salvador Martinha:

    Por que será que, quando uma criança vem afirmar que foi violada por determinado padre, não vêm logo milhares de pessoas (como ele) para as redes sociais afirmar que é só mais uma pessoa que se está a aproveitar, que é tudo mentira, porque os padres são santos e não praticam tais delitos?

    Nisto dos violadores, como em tudo na vida, mais vale cair em graça que ser engraçado.

    Porque sim, o Kevin Spacey continua a ser o meu ator preferido. Mas não, não o defendo do que (supostamente) o acusam de ter andado a fazer, de ter um comportamento pouco edificante. E se tiver que pagar por algo que fez, pois que pague. Porque nem por isso deixará de ser o meu ator preferido. Eu nem sei quem é o Kevin Spacey pessoa, só conheço a figura pública, o ator.
    Até porque uma coisa é o artista, outra é o homem atrás do artista, que tem os os mesmos deveres, mas também as mesmas obrigações que todos nós.

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