Antes Cristas que Bolsonaro

O título deste texto é inspirado num comentário escrito no facebook por um amigo meu que é comunista dos sete costados, numa polémica em que desafia um centrista a pronunciar-se sobre a opinião de Assunção Cristas.

A líder do CDS, instada a escolher entre Bolsonaro e Haddad, numa hipotética situação em que seria eleitora brasileira, declarou que votaria em branco (na verdade, declarou que não votaria), colocando ambos os candidatos no mesmo nível, quando se sabe que Bolsonaro defende abertamente a ditadura, com direito a tortura, censura e outros mimos, elogiando, pelo meio, Brilhante Ustra. Haddad, independentemente de todos os defeitos ou erros do PT, faz parte do campo democrático, tal como Assunção Cristas, por muito medíocre que seja ou por muito má que tenha sido a sua passagem pelo governo.

O argumento usado para não votar em Haddad é extraordinário: “A corrupção leva à ditadura. Destrói, mina a democracia e leva à ditadura.” É extraordinário porque admite que ainda não se chegou à ditadura. Entre um que não admite senão a ditadura e outro que ainda não chegou à ditadura, Cristas encolhe os ombros.

Entretanto, não defendendo a corrupção, o salto que chega daí à ditadura é um vazio argumentativo. Por outro lado, tenta deixar, implicitamente, a ideia de que a corrupção, no Brasil, é toda de esquerda.

Na verdade, Assunção Cristas, ao colocar ao mesmo nível dois candidatos tão diversos, põe-se ao lado da ditadura, mas terá vergonha de o confessar. As redes sociais, no entanto, estão cheias de gente declaradamente saudosa de Salazar e que suspira por bolsonaros, gentinha perigosa que mina a democracia muito mais do que a corrupção.

 

Põe os olhinhos, Portugal

Fotografia: Javier Soriano/AFP@El País

Aqui ao lado, na vizinha Espanha, o antigo ministro da Economia de Jose Maria Aznar, Rodrigo Rato, foi condenado a uma pena de prisão efectiva de 4 anos e meio por corrupção, encontrando-se já encarcerado.

Por cá, corrupto que é corrupto safa-se com penas suspensas e férias em domiciliária, onde pode alegremente usufruir do fruto dos seus crimes, que em momento oportuno colocou em nome da mulher e dos filhos.

Por cá, corrupto que é corrupto raramente é incomodado pela justiça, o que motiva o sector a apostar, ano após ano, na mesma prática de sempre, com resultados comprovados. [Read more…]

Tão pouquinho?

Reino Unido multa Facebook em 560 mil euros após escândalo da Cambridge Analytica

Em relação a um volume de negócios de 41 mil milhões de USD em 2017, isto nem chega a peanuts. Mas ao menos isso. A Alemanha deixou prescrever o prazo. E Portugal?

Ao cuidado dos profetas que anteciparam o fim da Autoeuropa

Então a Autoeuropa não estava à beira da deslocalização? Foi essa a sensação com que fiquei, quando li e ouvi os habituais profetas da desgraça estalinista, que se abateu sobre o nosso país de brandos costumes, quando os trabalhadores da empresa iniciaram um protesto, há coisa de um ano. Ora, segundo o Expresso, esse antro de comunistas, não só não há deslocalização como há mesmo um pré-acordo entre a administração e os trabalhadores, pré-acordo esse que prevê um aumento salarial na casa dos 2,9%. O Dr. Belzebu não brinca em serviço.

Saudades do 24 de Abril

Se Cristas votasse no Brasil, não votaria nem em Haddad nem em Bolsonaro. Abstinha-se.

Entre um democrata declarado e um ditador em potência, a senhora Assunção prefere não escolher. Sendo que escolhe na mesma – escolhe não contrariar o favorito, que é o mesmo que votar no fachosolnaro.

O resto é paleio de encher. Clarinho que nem água é que, para a senhora Cristas, o mal menor não é repudiar o sujeito que ameaça aniquilar os opositores, que defende a tortura e a polícia que atire a matar, que classifica as mulheres como seres humanos de segunda e os homossexuais como uma aberração e que os pobres devem ser capados para que não tenham filhos.

Estará esta cartilha fachista em linha com o seu credo cristão? E com o seu desejo de evitar o populismo? Onde é que encaixa aqui o Centro Democrático Social / Partido Popular?

Mais do que as palavras, os actos definem as pessoas. E esta senhora, se votasse no Brasil, ficava em casa. Tal como no dia 24 de Abril.

Resistir

Por Daniel Resende

As eleições em 2018 já deixaram claro o quanto fomos claramente manipulados e divididos em bolhas.

Ficamos surdos com o barulho do eco dentro da bolha e nos perdemos em causas indentitárias (justíssimas, aliás), mas que nos afastaram de grande parte da sociedade.

O discurso reacionário, violento, opressor e cheio de ódio de Jair Bolsonaro encontrou abrigo em uma sociedade neo-pentecostal, egoísta, rancorosa, abalada pela crise econômica e assustada com a violência.

Não falo apenas dos ricos ou da classe média tão bem definida por Marilena Chauí. “A classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante”, disse em 2013.

Essa turma se acha elite enquanto observa um horizonte de prédios medíocres sentada na varanda (área gourmet para ser mais chic) e ajusta a bússola da essência na busca por encontrar no Norte um SUV branco.

Estão sempre a serviço dos verdadeiros ricos. São os sabujos da engrenagem social. Bajulam o andar de cima, pois temem que o elevador chegue com outras pessoas no andar que estão.

Se destacam nessa fauna os burocratas do judiciário e ministério público com gravatas e camisas pretas (que coisa brega!), os chefinhos de merda das redações, os militares que fedem naftalina, os médicos sem humanidade entre outros que exercem grande influência no debate público e arrastam a reboque a opinião pública.

Contra isso só há um discurso capaz de reduzir as imensas desigualdades de um país vítima da colonização e escravidão:

Luta de classes.

É o que une a ativista transexual e a fiel da Universal no mesmo campo.

Por isso, a fala do Mano Brown na terça-feira, em evento do PT no RJ, foi sensacional: “Deixou de entender o povão já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias são essas. Fechou”.

Vamos virar e se não virar vamos resistir.

Mas vamos resistir pra caralho!

Se eu disser muitas vezes “gajas boas!”, elas caem-me às carradas no colo?

Se assim for, espero que o João Miguel Tavares tenha razão na sua complexa análise da situação no Brasil.

Rui Pedro (vermelho) Brás (ou será Braz?)

rpb

Em muitas páginas de facebook e nalguns blogues ligados ao meu clube, o FC Porto, são muitos os que atacam o jornalista/paineleiro Rui Pedro Brás (ou será Braz?). Estão a ser injustos. Passo a explicar:

O Sr. Rui Pedro Brás (ou será Braz?) é um conhecido benfiquista. Daqueles ferrenhos como o nosso Nabais. Bem, o nosso Nabais não merece, antes pelo contrário, que o insulte com semelhante comparação. Desculpa.

Continuando, o paineleiro/jornalista em causa anda pela TVI a oferecer as suas doutas opiniões. A opinião de quem, em 2013, escreveu o seguinte comentário nas redes sociais: “Mas o que eu quero mesmo é que o Benfica ganhe! Sempre! Com ou sem Aimar!” – 16 janeiro de 2013. A opinião de quem foi secretário técnico do futsal do Benfica durante dois anos. Ou seja, o que o distingue, por exemplo, de um Pedro Guerra? Nada. Só se for o tamanho da cintura.

Ora, atacar a personagem é injusto. Todos sabem que é um benfiquista. Quem deve ser o alvo do ataque é a TVI. Sim, a TVI. Por o ter como paineleiro? Nem pensar. Por estar a vender gato por lebre. É a TVI que passa (ou deixa passar) a imagem que o senhor é um paineleiro/comentador independente. É a TVI que dá tempo de antena a um suposto especialista em futebol que ontem, em directo e a cores, explica que o braço de Danilo (jogador do FC Porto) coloca em jogo o Éder (jogador do Lokomotiv) e por isso o golo não deveria ter sido invalidado. Upss, a lei do fora de jogo, no seu artigo 11, explica que, “As mãos/braços de todos os jogadores não são considerados para a marcação de um fora de jogo”. Ou seja, a culpa não é do rapaz, é de quem o escolheu, de quem lhe dá tempo de antena e de quem o vende como “independente”…