Crónicas do Rochedo XXVIII -Boa Sorte, Brasil.

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Não falei nada sobre as eleições brasileiras ao longo de todos estes meses. Porquê? Não conheço a realidade brasileira para me atrever a tal. Fiquei a saber, com enorme espanto, que em Portugal existem dezenas e dezenas de especialistas em política interna do Brasil, da realidade social brasileira. Nunca me passou pela cabeça ver tanto comentador(a) a lavrar sentenças, e definitivas, sobre o Brasil. O problema é que estou desconfiado que, do Brasil, conhecem apenas os enredos das inúmeras novelas brasileiras que as nossas televisões transmitem. Pode ser que esteja equivocado.

Porém, estas eleições permitiram ficar a conhecer alguns pormenores: que no Brasil foram assassinadas mais de 60 mil pessoas no último ano. Que a justiça brasileira colocou na cadeia inúmeros políticos e empresários brasileiros que foram condenados por corrupção (e não com pena suspensa). Nos últimos dias, com a aproximação do dia das eleições, fiquei a saber que em Portugal existe um estranho sentimento racista. O racismo que leva algumas “personalidades” da vida pública portuguesa a afirmar que os brasileiros que votaram no candidato Bolsonaro devem ser recambiados para a sua terra pois Portugal é uma democracia. Fiquei a saber que o Brasil, pelos vistos, não é uma democracia. É preciso ter lata.

O país que está perante o processo Marquês, o escândalo BES, sem esquecer o BPN e o BPP, a escandaleira que são as rendas vitalícias da EDP ou as famigeradas PPP, que deixa morrer o seu povo em incêndios florestais fruto de descoordenação e de um sistema de emergência que não funciona em emergências mas que custou e custa uma fortuna. O país cujos principais responsáveis políticos fecharam os olhos aos desmandos do ditador angolano Eduardo dos Santos e sua família, que patrocinou a entrada de uma ditadura na CPLP. A sério? A sério que conseguem criticar o Brasil sem se rir?

Os brasileiros fizeram a sua escolha. Em democracia. Os brasileiros que vivem em Portugal fizeram o mesmo. Em liberdade. A nós, que não somos brasileiros, resta-nos desejar boa sorte. E recordar que são muito bem vindos a Portugal. Aproveitando para lhes dizer que é profunda a vergonha que tenho por aquelas reacções de alguns, poucos, portugueses anteriormente referidas.

Boa sorte.

São mentiras, senhores

Sobretudo entre jornalistas, tenho reparado na argumentação defendendo que “fake news / “notícias falsas” não deveriam ser chamadas notícias porque não são notícias. E por isso, possivelmente, tenho encontrado a expressão “informações falsas” (aqui e aqui) ao se referirem ao fenómeno.

Mas também não são informações, senhores. São mentiras e boatos. Não tem de quê.

Um excendente de pobrezinhos na Comporta

Fotografia: Joaquim Norte Sousa@Expresso

Um excedente de 1,3 mil milhões nas contas do terceiro trimestre da Administração Pública é o mais recente conseguimento do CR7 do Eurogrupo, Mário Centeno. O resultado, revela o Expresso, é fruto de um crescimento de 5,4% da receita (que é como quem diz os nossos impostos mais umas taxinhas), superior aos 2,2% registados do lado da despesa (parcialmente cativada). Mas um tipo olha para aquilo e pensa “Porra, para quem está habituado e ver tudo no vermelho, um excedentezinho não é nada mau!”.

O que sucede? [Read more…]