Na política, um bocadinho acima de ligar à aldrabice é que se está bem?

“O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos. Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso, declarou Rui Rio sobre o caso do deputado e secretário-geral do PSD, José Silvano.

Por acaso não era suposto os dirigentes políticos do país serem exemplares e rigorosos no cumprimento da legislação?

Belo indicador do estado de impunidade que vigora entre os seres especiais que têm “uma proposta para o país”. A promoção da aldrabice.

Comments

  1. António de Almeida says:

    José Silvano não precisou de marcar presença para encobrir uma ausência, porque tinha justificação para a mesma, comprovadamente estava em trabalho político.
    Mas por estar ao serviço do partido e não da nação, ao não exercer nesse dia a função de deputado perdia direito às ajudas de custo de deslocalização em Lisboa.
    Ficamos assim a saber que o deputado está ao nível de um chico-esperto… desses que o Estado tenta apanhar para cobrar impostos e que diariamente fogem para a informalidade. Se porventura o partido a que pertence vencer uma eleição e caso o deputado seja investido em funções governamentais, qualquer cidadão poderá invocar que os exemplos vêm de cima. Olha o que digo, não o que faço…
    (atenção que isto não é um exclusivo no PSD, entronca na questão dos subsídios de deslocação, que atravessa todos os grupos parlamentares, cada deputado procurando declarar residência o mais longe possível de Lisboa. Houvesse vontade política, o subsídio deveria ser atribuído para deslocação entre o território onde se foi eleito e o parlamento. Sem atender ao local de residência. Encontrar alojamento, próprio ou arrendado, deveria ser um problema de cada um e não do contribuinte.)


  2. Quando um Sr.deputado da Assembleia da República e secretário-geral do PSD ( e, já agora, “Comendador da Ordem de Mérito”, em 2015, pelo Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva) comete um acto Ilegal e há comentários como o que é assinalado no texto em epígrafe, parece continuar aprofundar-se a noção do conceito já em vigor neste país acerca da simples banalização da impunidade.
    A quem interessa?

  3. Paulo Marques says:

    Isso não tem gravidade nenhuma quando comparado com tentar, sei lá, vender um prédio em Lisboa – isso sim, um flagelo.


  4. Permiti-me acrescentar a estas vossas afirmações que subscrevo :

    ” A promoção da aldrabice. ” _ e da banalização da fraude

    ” estar ao serviço do partido e não da nação” _ do partido e dos lobies pessoais e partidários

    ” banalização da impunidade. ” _ que não devemos calar mas denunciar e clamar pela palavra de honra que algures se perdeu para sempre na política, essa porca miseria

  5. JgMenos says:

    O regime parlamentar em que só fala a voz do partido bem dispensava o faz-de-conta que cada um decide intervir quando e como quer.
    A partir desse faz-de-conta fundacional tudo o mais são pentelhos.

    Os deputados são pagos para prestar serviços ao partido e tudo o mais é treta.

    • Paulo Marques says:

      Antes ao partido do quem paga ao partido, ou, como é hábito nos grandes dirigentes responsáveis, ao Deutsche e à Goldman.

  6. Elvimonte says:

    Não se trata de fraude, trata-se antes de burla (um crime mais grave) cometida contra os pagadores de impostos que pagam os salários e as ajudas de custo a estes senhores, entre outros.

    Espero que o MP abra o correspondente inquérito e peça o levantamento da imunidade parlamentar do sujeito cuja resignação ao cargo de deputado já devia ter sido apresentada.

    Se no sector privado rolam cabeças, em tudo o que se refere à res publica devem ainda rolar mais cabeças, porque é o dinheiro dos pagadores de impostos que está em causa.

    • Ana Moreno says:

      Vir Rui Rio, presidente de um dos maiores partidos portugueses, minimizar publicamente uma burla é um atentado à própria Democracia. É este tipo de gasolina que atiça o populismo. É um bofetão na cara dos portugueses. É reduzir a política ao lamaçal.

      Rio Rio não só bagateliza o facto em si, como ainda eleva a sua classe – a que tem “propostas para o país” – para um nível superior, em que a bitola tem de ser ajustada à importância da missão. É ao contrário Sr. Rui Rio, a bitola tem é de ser mais exigente para quem é eleito para SERVIR os cidadãos.

      Vão-me desculpar a comparação – as comparações entre países estão normalmente condenadas ao fracasso e procuro evitá-las – mas se fosse na Alemanha, os dois iriam fazer planos para o país num barzito qualquer. Ficarem nos seus actuais postos, não ficariam. E acreditem, no dia a dia do cidadão, isso faz uma enorme diferença.

      P.S. Quem diz PSD diz qualquer outro partido que lide deste modo com “questiúnculas”.

      • ZE LOPES says:

        Ana, um informador laranja privilegiado, que estava, evidentemente, presente, contou-me que, num destes dias, Silvano, depois de um almoço com as “bases” bem regado, na sequência de mais um contacto com a “sociedade civil”, se virou para Rio e disse: “Ó Rio, vai lá a Lisboa ver se eu lá estou!”. Foi uma rizada!

        • ZE LOPES says:

          Aliás, foi uma risada! Ou uma riosada!

          • Ana Moreno says:

            Zé Lopes, triste graça que bem denota a arrogância do poder e conivência de quem ri. É uma cola pegajosa e nojenta de que a sociedade parece não conseguir libertar-se. A parte obscurantista das relações e instituições sociais. Que revolta.

  7. Afonso Guedes says:

    Fosca-se vocês são burros ou quê?
    Fazem-me lembrar a historia do idiota a quem se lhe aponta a a lua e ele olha para a ponta do dedo…
    Mas será que a partidarite paralisa o cerebro.
    Será que não há um iluminado que se questione por que raio os deputados recebem 69€ pelo facto de picar o ponto ? Os gajos não tem salário? Acabem com esta mama e acaba este recorrente problema.
    A vocês pelos vistos isto não vos faz espécie. Bendito sistema estatal de educação que vos lava o cerebro e vos deixa incapazes de ter uma minima atitude critica.

    Afonso Guedes

    • Ana Moreno says:

      Acalme-se Afonso, logo o primeiro comentador já referiu isso. Faz espécie sim e muita. Tem ideias para formas de acabar com a mama? Força, tem muito apoio por aqui.
      Agora neste caso particular, pior ainda é a declaração pública e descarada do apodrecimento dos valores em que se baseia a Democracia. É a arrogância desta gente que deveria SERVIR os cidadãos e o que faz é desprezá-los.

    • Elvimonte says:

      “Quando aparecer um partido que, entre outros objectivos, proponha a reforma do sistema eleitoral, acabando com as listas fechadas (até o sistema do Líbano já tem listas abertas) e o monopólio, detido pelos partidos, da apresentação de listas para as eleições legislativas, (…).

      Não obstante, o histórico de resultados eleitorais permite concluir que, ressalvando as naturais excepções, mais de 80% dos lugares considerados elegíveis à luz de critérios objectivos, conduzem à eleição de quem os ocupa. Portanto, muito antes do primeiro voto cair nas urnas, logo no momento da apresentação de listas, já há quem possa abrir a garrafa de champanhe, porque já está virtualmente eleito.

      E, da direita à esquerda, todos estão satisfeitos com o “esquema” que é, em minha opinião, o vício primordial. Desde a monarquia constitucional que é assim. “Os partidos elegem-nos e nos votamos neles” (Eça de Queirós, de memória).”

      (Porque vem a propósito, excerto de comentário meu aqui:

      https://aventar.eu/2018/11/04/mario-centeno-e-a-geringonca-cavaco-tem-razao/#comments ).

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