Filhadaputice é isto

O comissário europeu para os Assuntos Económicos disse, esta terça-feira, que a França não será sancionada se o défice público ultrapassar os 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, mas pediu que o Governo “seja sério no futuro”.

Venham daí as luminárias dissertar sobre as virtudes de um número, 3%, escrito nas costas de um guardanapo, para tapar a boca dos opositores, e sobre o desígnio da austeridade saudável. E recorde-se a chantagem do défice, qual guilhotina pronta a cortar a credibilidade financeira, tão presente como arma de arremesso quando a geringonça se estava a constituir com alternativa ao governo daquele se sentou em Salazar.

Não é a primeira vez; regista-se mais esta iteração da história dos porcos que são mais animais do que os outros.

“Sério”, diz o farsola. Façam-se, depois, machetes sobre o inacreditável crescimento dos populistas.

Comments

  1. Daniel says:

    Lindo!..

  2. Rui Naldinho says:

    Pierre Moscovici “explicou” que não se pode comparar o déficit de França com o de Itália, uma vez que a origem de déficit Francês resulta de uma situação de crise, de emergência social, provocada pelo movimento dos coletes amarelos que paralisaram uma boa parte das actividades económicas francesas. Como a França já anda em incumprimento, vai para dez anos, concluo que vivem em permanente estado de crise.
    O Senhor Salvini, que já tinha chamado uns nomes ao Senhor Moscovici, afirmou entretanto, a propósito deste assunto, que espera da Comissão Europeia, “bom senso”, uma vez que não pode haver “filhos e enteados”. Isto referindo-se ao tratamento dado aos dois países.
    Se isto não fosse quase anedótico, eu diria que a UE se tornou num circo, onde não faltam os palhaços. Este Moscovici é mais um deles.
    Ah! Para não variar, o homem é socialista. O que demonstra bem a versatilidade do artista.
    Depois admiram-se de ver os Partidos Socialistas reduzidos à insignificância.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Mas não está lá o Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, que envia recados a Itália por causa do déficit?
    Pessoalmente vou ficar à espera de o ouvir …
    Só aí é que concluirei que há porcos que são mais porcos que outros.

  4. whaleproject says:

    As sanções são só para países pequenos e de economias mais pequenas ainda onde mesmo que toda a gente venha para a rua e todos deixemos de produzir nada importa a um “império” com mais de 400 milhões de habitantes. Para ser esmifrado e os grandes países poderem ter os défices que lhes derem jeito estamos cá nós e os gregos. Aqueles a quem chamámos de tudo, acusámos de tudo e de quem até nos dissémos vítimas quando os senhores do mundo decretaram “contágio” fazendo-nos subir os juros da dívida para a estratosfera. Desde quando é que dívida é doença venérea?
    Mas não perguntámos nada disso. Flagelamos os gregos e auto-flagelámo-nos, sem querer saber quantos europeus de França ou Itália trabalhariam pelos nossos ordenados mínimos, ou mesmo médios. mesmo quando o ordenado mínimo na Grécia eram 700 paus, depois reduzidos para 500 com as bestas tugas a bater palmas porque se ganhavam mal, porque não os outros a passar pelo mesmo? Para muito boa gente desde que os outros percam direitos podemos bem viver mal. É engraçado que muita gente que vi aprovar tal aleivosia tinha a sorte de até ganhar mais de 700 paus. Honra seja feita a muita gente que ganhava o nosso miserável salário mínimo, que dizia que não queria ver outros a passar pela mesma desgraça. Se calhar é mesmo verdade que a solidariedade a sério, só a podemos esperar dos pobres.
    Se não fosse a sombra do Brexit, com que já se contava, tinham-nos destroçado em 2016, como destroçaram a Grécia um ano antes, com a nossa conivência e acusando até de alcoolismo quem disse que o que se estava a fazer era um crime. Era crime sim senhor, que já fez um terço da população entre os 15 e os 29 anos abandonar o país. É crime sim senhor, prometer-lhes a mesma miséria até 2060. Continuar a pedir-lhes “responsabilidade” e ainda mais cortes. Mas quem se atreve a pedir “responsabilidade aos grandes países? O Sr. Centeno ter “tomates” para isso é que não vamos ver de certeza. Nem Kalimera nem Katespero.

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