Fisco, um diálogo de surdos

Hoje, o Fisco teve a amabilidade de me enviar spam, num email escrito com assunto capitalizado, gritando

INQUÉRITO (PORTAL DAS FINANÇAS) 2018
bla bla bla bla bla bla e tal
Agradeço, desde já, a sua colaboração a trabalhar de borla, tal como no e-factuara, melhores cumprimentos e tal,
O Subdiretor-Geral
Manuel Gonçalves Cecílio

Não sei se o senhor Cecílio ouviu falar em RGPD. Parece que está relacionado, entre outras coisas, com o uso de dados pessoais para fins não autorizados e com o combate à praga do spam.

Educadamente, respondi que preferia não receber spam, tendo de imediato sido informado que do lado de lá não estão para se chatear a ler emails.

Este endereço não se destina a comunicação com a Autoridade Tributária e Aduaneira.
Solicitamos que enderece a sua mensagem através dos contactos disponibilizados no Portal da Autoridade Tributária e Aduaneira em www.portaldasfinancas.gov.pt

Pronto, era só isto. Agora vou voltar ao trabalho, que tenho impostos para pagar.

Salazar e a fábula do homem humilde e incorruptível

S

Já todos ouvimos a fábula. Contam-na lealistas, saudosistas e ermitas do armário, ermitando por vezes no seio de partidos ditos democráticos. Aqueles que, como eu, perdem tempo demais no Facebook, com certeza já se terão cruzado com diferentes montagens, exibindo um Salazar em pose de estadista, acompanhado por dizeres que vão mais ou menos assim: “no tempo dele… blá blá blá… humildade… blá blá… não era corrupto…blá… não se deixava instrumentalizar pelos poderosos…blá blá”.

Há também a outra fábula, aquela do “morreu pobrezinho”, mas essa o Rui Curado da Silva já aqui contou. Foquemo-nos, então, nesta outra forte tendência entre a extrema-direita das catacumbas virtuais, que para além de correr com os emigrantes – ignorando, porque convém, que em 2017 viviam 2,3 milhões de portugueses lá fora, ao passo que aqui vivem actualmente cerca de meio milhão de imigrantes – prender os políticos todos, e de caminho abolir a democracia representativa, castrar quimicamente todos os pedófilos, e se possível a comunidade LGBT, e subtrair uns quantos direitos adquiridos em nome da tradição ou da religião, procura também pregar a velha fábula do homem humilde e incorruptível.

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Cortinas de fumo

Os jogos, ou jogatanas, como diria Jerónimo de Sousa, da dívida pública explicados por Ricardo Cabral. Estado chinês, Eurogrupo, FMI e governo, pela mão do IGCP, num vale tudo com o dinheiro público, o nosso.

Uma poupança de menos de 90 M€ por ano até 2021 e que desaparece completamente após 2024, em contraponto com o compromisso do Governo de manter uma almofada financeira que poderá custar 200 M€ por ano, durante um prazo indefinido, mas que poderá ser longo, não se afigura de facto uma medida de política económica avisada e prudente.

(…)

Esta “almofada financeira” pública [“7900 M€ corresponde a quase 4% da riqueza produzida anualmente em Portugal”], que, faz anos, não há maneira de descer e os resgates obscenos à banca constituem os principais desperdícios de dinheiros públicos do passado recente. [Ricardo Cabral, Público]