A Democracia atacada de marcelite

No resumo das notícias de política nacional da RTP

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    É, de facto doentio.
    Parece que recuámos 4 anos e pico quando o sr. era comentador.
    Ele aparece em tudo: a antecipar vetos de leis ( falta de bom senso), a antecipar leis como se tivesse poder legislativo (mais falta de bom senso) e agora na China, claramente em estilo de “one man show”.
    Na minha opinião será o melhor presidente que tivemos, pelo seu envolvimento que é inegável. Mas esta sua tendência para o jornalismo e as “bolas fora” que manda, em muitas circunstâncias, não me convencem enquanto votante.
    Sobre a tendência do jornalismo, o que é e como se manifesta, isso nem valerá a pena referir.

  2. Carlos Vila Verde says:

    Marcelo é, de longe, o melhor presidente da República pós 1974.

    • Rui Naldinho says:

      Com excepção de António Ramalho Eanes, o único PR verdadeiramente independente, daí Sá Carneiro e Mário Soares não o gramarem, todos os outros foram sempre personagens com agendas muito próximas dos partidos de onde provinham.
      Mesmo o PRD, nunca passou de um movimento de cidadãos muito heterogéneo, sem ideologia, sem raízes no tecido social, que tentou gravitar à sua volta, sem sucesso, até porque Eanes não trocava a sua independência por nada deste mundo.
      Todos eles, com excepção de Eanes, foram mais um factor de oposição aos governos que não eram da sua linha política, do que árbitros, tal como Soares versus Cavaco, Sampaio versus Santana Lopes, ou Cavaco versus Sócrates. Como Chefes de Estado simulavam uma falsa coabitação, quando as coisas corriam bem. Só no segundo mandato é que perceberemos qual é a verdadeira agenda de Marcelo. Até lá, venham mais selfies, Cristinas Ferreiras, que o povo gosta.
      É por isso que eu acho patético ver Ferro Rodrigues e outros dirigentes socialistas afirmarem que se fosse hoje votavam Marcelo. Mas alguém no seu perfeito juízo, que não a bajulação endémica que percorre quase toda a nossa classe política, à procura de tacho ou protagonismo, pode afirmar tal coisa, sem conhecer os outros candidatos? Basta eu lembrar-me dos episódios entre Jaime Gama e Alberto João Jardim, ou de Basílio Horta, candidato presidencial, contra Mário Soares, também ele candidato, para me arrepiar com tal gente.
      Divagam-me antes:
      Marcelo é provavelmente o mais inteligente, de todos os PR que tivemos até hoje. E aqui o inteligente tem um sentido real e ao mesmo tempo, um sentido metafórico. Ou seja, Marcelo é para mim uma espécie de Eça de Queirós. Alguém que já percebeu estar num país onde os políticos são na generalidade medíocres, corruptos, e acima de tudo gente sem convicções.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Estou de acordo com a sua análise, em termos gerais.
        Contudo, toca justamente no ponto que me faz nunca dar o voto a Marcelo, independentemente de o considerar um presidente activo e interessado.
        De facto, para quem tem os dotes de inteligência que refere (inegável) e para quem já percebeu, como muito bem diz, que este é um país de políticos corruptos e medíocres, que faz ele na sua condição de magistrado máximo da Nação?
        Simplesmente, joga com eles.
        Na minha óptica há uma característica de Marcelo Rebelo de Sousa que deita por terra toda aquela energia e interesse que tenho para mim ser genuíno. É a sua vaidade que o faz ser sempre o protagonista, esteja ele onde estiver.
        O valor não implica vaidade. A humildade, coisa que Marcelo não pratica, potencia o valor intrínseco da pessoa.
        Assim, assenta-lhe como uma luva a posição de comentador. Mas não deveria, na minha óptica, continuar a fazê-lo na sua função presidencial.

  3. Julio Rolo Santos says:

    É certo que gostos não se discutem mas, entre Cavaco e Marcelo que se apresentam numa segunda volta de eleições presidenciais, em quem votaria caso o voto fosse obrigatório?
    É curiosidade minha, apenas.

  4. Julio Rolo Santos says:

    Ramalho Eanes foi indiscutivelmente o melhor Presidente pós 25 de Abril, nenhum outro lhe chegou aos calcanhares apesar das sacanices que lhe fizeram, nomeadamente, nos governos presididos por Mário Soares.


  5. Ramalho Eanes, sim . !

  6. Julio Rolo Santos says:

    Ana Moreno. Desertar não é uma resposta a uma pergunta concreta até porque, que eu saiba, não desertou nem com a eleição de Cavaco nem com a eleição de Marcelo. Então, perante uma situação concreta, em quem votava?

    • Ana Moreno says:

      Não posso votar em Portugal, Julio, a sério. E votar obrigado não é votar. Any way, Cavaco é impossível, Marcelo perigosíssimo.

  7. Julio Rolo Santos says:

    Ana moreno diz não poder votar em Portugal? Então, será estrangeira cá dentro? Mas o assunto em discussão assenta na forma como cada um aprecia o residente da Presidência da República que, presentemente, se chama Marcelo Rebelo de Sousa. Muitos acusam-no de populista. Não tenho essa visão de Marcelo porque prefiro ver um Presidente fora das quatro paredes do palácio em contato permanente com o povo do que ver um Presidente encaixotado. Para além disso e até prova em contrário, acho que Marcelo é popular e não populista. Este é o conceito que tenho de Marcelo apesar de não ter votado nele por ter feito outra opção. Mas política é política e eu não sou político nem aspiro a se-lo porque não ganho nem quero ganhar dinheiro com isso. Vivo exclusivamente da minha pensão de aposentação para a qual descontei e tenho a noção de que esse pagamento só me estará garantido enquanto “os escravos” continuarem a trabalhar justamente porque, num país de corruptos, não posso confiar em quem gere os fundos de pensões porque todos são honestos até ao dia em que deixem de o ser.

    • Ana Moreno says:

      Se não se incomoda com as mensagens subliminares do Presidente quanto a ter sempre a última palavra e estar num plano superior, dando notas ou puxando as orelhas ao governo; com os seus repetidos comentários públicos aos vetos que acha por bem fazer; com a sua premeditada omnipotente presença nos media; com os recados dominadores e abusivos com que se intrometeu na Lei de Bases da Saúde; com o protagonismo de que se investe em todos os assuntos relevantes para o país e em particular como paladino comercial; com os empolgados efeitos popularuchos da estratégia do beijinho, selfies, golpes teatrais a la Cristina Ferreira – se nada disto o incomoda, então o Julio não terá, de facto, razão para se preocupar. Eu, que valorizo mais que muito o princípio da separação de poderes e sou alérgica a reis e afins, sim.


  8. Muito bem, Ana Moreno,
    e não esqueceremos nunca que ratificou o CETA em 2017 a par com a maioria PS no Parlamento atraiçoando-nos, possivelmente sem ter toda a informação nem se incomodar com isso pois optou pelos interesses do grande capital,
    como o prova o não ter respondido sequer ao v/ pedido para uma audiência por duas vezes :

    …” Neste contexto, e, considerando:

    – o papel do Presidente da República como defensor da Constituição da República Portuguesa e do regular funcionamento das instituições e

    – o facto de ter sido convocada uma reunião do Conselho de Estado para analisar a temática do comércio internacional,

    vimos solicitar a Vossa Excelência uma audiência, a fim de podermos conhecer a opinião de Vossa Excelência e partilharmos mais informação sobre este importantíssimo assunto.
    Atenciosamente
    Plataforma Não ao Tratado Transatlântico ”

    Estas e outras, memória a não deixar cair de factos com grande impacto desanimador .

  9. Julio Rolo Santos says:

    Ana Morena e Isabela, contrariamente ao que imaginam, eu preocupo-me com as alegadas tentativas dos avanços do Presidente em matérias que não lhe dizem respeito. Mas também lhes posso assegurar de que as ameaças do veto presidencial só tem consequências se o parlamento o permitir. Na separação de poderes, o Presidente tem o poder de veto mas não se pode opor às maiorias absolutas e, como sabem, o governo tem sobrevivido porque tem sabido formar maiorias absolutas no seio parlamentar. O veto Presidencial pode ser de duas naturezas: veto constitucional e veto político. No primeiro caso, ou seja, no veto constitucional o Presidente deve enviar os diplomas para o TC caso considere estarem a ser violados preceitos constitucionais e aguardar uma resposta do respectivo órgão para decidir. No caso do veto político pode resultar apenas na sua interpretação que pode não coincidir com o conteúdo do diploma enviado para promulgação. mas aqui, o parlamento tem competência para reconfirmar o diploma e obrigar o Presidente a promulga-lo. Á Assembleia da República cabe-lhe a competência para legislar, ao governo a competência para governar, ao Presidente é-lhe atribuído o papel de garantir o respeito pela Constituição. Como se pode ver não há aqui sobreposições de funções. Em democracia é assim, o contrário, é subverter os fundamentos democráticos.

    • Ana Moreno says:

      O que escreve está tudo muito certo, Julio Rolo Santos, mas a subtileza dos meios accionados pelo actual Presidente da República investe-o de uma influência subreptícia que vai muito além dos factos formais. É um poder extravasante.

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