A luta continua, camarada Santana

Em 2015, salvo erro, as eleições Legislativas foram disputadas por 18 partidos políticos. E tudo indica que, mais partido, menos partido, esse número se repetirá em Outubro. Destes, apenas seis têm cobertura mediática visível. São, sem surpresas, e como vem sendo habitual, os partidos com assento parlamentar.

Não me interessa discutir a justeza e equidade dos critérios editoriais da comunicação social. São o que sempre foram. E, sublinhe-se, mesmo entre os seis “privilegiados”, o fosso mediático existente entre os dois maiores e os restantes é significativo. Para não falar no domínio de absoluto de PS e PSD nas colunas de opinião dos jornais e espaços de debate televisivos.

É neste contexto, praticamente imutável desde a década de 80, e que sempre privilegiou os dois maiores partidos, que nos surge agora um simpático grupo de ocupas do partido Aliança, que ontem tomou de assalto a sede da ERC, exigindo “direito a aparecer” e “equidade no tratamento dos partidos políticos que já estão no parlamento e os outros”. Reivindicações proferidas por Pedro Santana Lopes, que passou praticamente toda a sua carreira política (de mais de quatro décadas) no PSD, um dos grandes privilegiados do sistema, sem que alguma vez se lhe conhecessem tais reivindicações.

Agora, porém, lidera um pequeno partido que, apesar dos recursos de partido grande, e de ter, de longe, mais cobertura mediática do que o Livre ou a Iniciativa Liberal, que jogam na mesma divisão que o Aliança, se sente injustiçado. Questiono-me se assistiríamos a semelhante ímpeto revolucionário, caso Santana tivesse levado a melhor sobre Rui Rio. Julgo que não. Como julgo que a invasão da ERC foi um acto desesperado de um partido que, apesar do investimento e dos recursos com os quais nenhum pequeno partido sonha, quiçá à excepção da Iniciativa Liberal, não desperta interesse das massas e se prepara para um resultado que o remeterá para a irrelevância de um MRPP. Talvez assim a imprensa se interesse pelo drama destes camaradas.

Comments

  1. Zé Pestana says:

    Santana Lopes não passa de um hipócrita, uma pessoa que viveu sempre à sombra do sistema político e dos interesses instalados.

    • E o burro sou eu ? says:

      O “Lopes Sacana” viveu muitos anos na órbita do Cavaquismo.
      Como agora no PPD, tinha que fazer pela vida, saiu julgando que as pessoas o tinham em grande conta.
      Esta choradeira com invasão da ERC,servirá apenas para justificar o numero de votos que terá em Outubro, perante os poucos trouxas que ainda o aturam

  2. Ana A. says:

    Nada como se estar na “mó de baixo” para se clamar por Justiça!

    Já agora, Santana, aproveite o ímpeto e “calce os sapatos dos outros” (principalmente dos que não têm voz) e, quem sabe, ganhe mais votos!

  3. Rui Naldinho says:

    Pessoas como Pedro Santana Lopes, José Sócrates e outros presunçosos da mesma estirpe, são extremamente nefastas para a nossa democracia, não tanto pelo legado daquilo que fizeram, mas muito mais pelo enorme ego que lhes assola a moleirinha, achando-se quase fugiras divinas, neste mundo de gente normal, cujos direitos são todos os dias postos em causa.
    Não há pachorra para os aturar!

    • Samuel Clemens says:

      Meter Sócrates e Santana no mesmo saco é obsceno !!!
      Veja a obra que cada um deixoul


      • Desculpe a curiosidade, mas o que é quer dizer? É para comparar o tamanho dos calotes?

      • Rui Naldinho says:

        “… não tanto pelo legado daquilo que fizeram, mas muito mais pelo enorme ego que lhes assola a moleirinha, …”

        A língua portuguesa é por vezes um pouco traiçoeira, mas convinha ler sempre com calma o que está escrito, antes de comentar.
        Ora leia lá outra vez devagarinho, a ver se percebe!?

  4. Fernando says:

    Rui Tavares tem presença constate na comunicação social há anos!

    Os da “Iniciativa Liberal”, e outros da mesma liga, não têm pessoas dos partidos com presença constante na comunicação social…

    • Paulo Marques says:

      É, o Santana é pessoa que nunca apareceu na TV e é ignorado sempre que dá um peido, perdão, abre o buraco por onde fala.

    • João Barroso says:

      E o pctp, o mrpp e outros pequenos que à décadas a comunicação social ignora.

  5. Alcídio Faustino says:

    Santana é um caso paradigmático daqueles que não conseguem viver senão à custa da do tacho político, direto ou indireto.
    Um homem que passou pela Câmara da Figueira da Foz e mais não fez do que plantar umas palmeiras na praia e concentrar naquela cidade o olhar constante das revistas cor-de-rosa (somando à dívida camarária mais meia dúzia de milhões de euros, em tão pouco tempo);
    Um homem que, enquanto presidente do município de Lisboa, mais não fez do que dar sequência ao que ele tão bem sabe fazer, gastar dinheiro (veja-se, por exemplo, o valor faraónico do carro presidencial que o transportava);
    Um homem que, como primeiro-ministro “substituto”, se preparava para delapidar também os cofres do estado sob a batuta da sua vocação gastadora na “resolução dos problemas do país” (abençoada a hora em que de lá saiu);
    Um homem que cria um novo partido sem uma base ideológica que se lhe reconheça, julgando que a sua figura seria o bastante para captar o voto dos eleitores.
    E mais não digo.

  6. Rui Alexandre says:

    Começa bem o texto, mas cai logo na chamada irrelevância dos partidos, que como sabe não tem a exposição mediática que os partidos do poder têm. Dêem a mesma possibilidade mediática e até o MRPP subirá nas eleições…

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