A luta continua, camarada Santana

Em 2015, salvo erro, as eleições Legislativas foram disputadas por 18 partidos políticos. E tudo indica que, mais partido, menos partido, esse número se repetirá em Outubro. Destes, apenas seis têm cobertura mediática visível. São, sem surpresas, e como vem sendo habitual, os partidos com assento parlamentar.

Não me interessa discutir a justeza e equidade dos critérios editoriais da comunicação social. São o que sempre foram. E, sublinhe-se, mesmo entre os seis “privilegiados”, o fosso mediático existente entre os dois maiores e os restantes é significativo. Para não falar no domínio de absoluto de PS e PSD nas colunas de opinião dos jornais e espaços de debate televisivos. [Read more…]

LIVRE, Iniciativa Liberal e Aliança: descubra as diferenças

PSL

Fotografia: Nuno Ferreira Santos@Público

O LIVRE existe desde 2014, participou em quatro actos eleitorais e é praticamente ignorado pela comunicação social.

O Iniciativa Liberal existe desde 2017, apesar de não ter ainda participado em qualquer acto eleitoral, e é literalmente ignorado pela comunicação social.

O Aliança existe há três meses e meio e teve um batalhão de jornalistas a acompanhar o congresso deste fim-de-semana. Teve ampla cobertura na imprensa escrita, com destaques de primeira página, e directos nos vários canais noticiosos.

Tal como o Aliança, o LIVRE e o Iniciativa Liberal também realizaram, recentemente, os seus congressos, dos quais praticamente não se ouviu falar. A diferença é que o Aliança, liderado pelo mediático Pedro Santana Lopes, que há um ano queria liderar e unir o PSD, é feito de dissidentes influentes e poderosos desse mesmo PSD. E poucas coisas são tão ilustrativas da forma como o regime trata os seus. Os outros que se amanhem, que este país não é para novos.

A que soa esta linguagem?

Aliança,  “crime de lesa-pátria”, “regra sagrada da Aliança”  “Aliança, Aliança será boa esperança na terra e no mar“

O povo unido ficava menos f*

Malevich, Suprematismo em 8 rectângulos

Malevich, Suprematismo em 8 rectângulos

Percebemos que o país bateu no fundo quando assistimos a uma aproximação entre BE e PCP. Não porque essa aproximação seja uma má notícia, muito pelo contrário, mas porque o simples diálogo entre os únicos partidos parlamentares que não têm qualquer responsabilidade governativa, distin-guindo-se por todos os seus deputados não ganharem nem mais um euro do que ganhavam antes de irem para a AR, demonstra que aqueles que fazem política por causas, e não por causa dos seus interesses pessoais, se entenderam na necessidade de se mostrarem como alternativa, aliás a única alternativa possível à dupla José Dupont & Pedro Dupond que se pretendem candidatos ao poder com estatuto de exclusividade.

Por maior que seja a pressão dos seus próprios eleitores não acredito numa coligação eleitoral (cujos benefícios Ricardo Alves demonstrou). Já um programa comum de governo, por muito minimal que fosse, era um progresso assinalável, e que poderia ter benefícios concretos. Em muitos distritos (pelo menos Aveiro, Beja, Coimbra, Faro, Portalegre, Porto, Viseu, Setúbal e Viana do Castelo) uma deslocação de votos para o partido mais bem colocado traduzir-se-ia em mais deputados de esquerda. Não falo em desistências formais, mas há muitas formas de em campanha essa deslocação se proporcionar.

A reacção da direita a estas aproximações, como sempre primária e assustada, demonstra que o objectivo de garantir 25% dos deputados, única forma de salvar a constituição, não é impossível. Precisa é de ser muito bem explicado aos abstencionistas, e de que estas aproximações sigam no sentido da unidade dos partidos que não são iguais aos outros.

*odido