Desigualdades, salários e globalização

 

João Vasco Gama

Um recente artigo de opinião da autoria de Paul Krugman, laureado com o prémio Nobel de Economia em 2008, explica porque é que no passado os possíveis impactos perversos da globalização sobre os salários tinham sido subestimados pelos economistas.

No dito artigo, Krugman admite que foi um erro minimizar estes impactos perversos, hoje reconhecidos, sobre o emprego, a distribuição do rendimento e os salários.

Krugman lembra que já desde 1941 se conheciam os mecanismos através dos quais o comércio internacional poderia, em princípio, conduzir a reduções salariais nos países com melhores condições laborais. No entanto, a importância real destes mecanismos deveria ser testada empiricamente, antes de ser dada como certa.

Efectivamente, tal como Krugman, muitos outros economistas queriam aferir se o agravamento das desigualdades de rendimento que vinha ocorrendo desde os anos 80 estaria, de forma significativa, relacionado com os efeitos do comércio internacional. Na década de 90 foram realizados os estudos empíricos que procuravam responder a esta questão com as metodologias mais avançadas. Aquilo que nessa altura se verificou foi que, embora o impacto da globalização sobre os salários não fosse nulo ou negligenciável, a sua dimensão estava longe de corresponder a uma explicação importante relativamente ao aumento de desigualdades verificado.

No entanto – explica Krugman – nessa altura o impacto do comércio internacional não era tão pronunciado e relevante porque ele próprio ainda correspondia a uma proporção da economia muito inferior àquela que veio a ganhar mais tarde.

De facto, o volume de comércio internacional aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Porém, fê-lo com base em alicerces que consideramos defeituosos e insustentáveis, sem acautelar muitos dos seus  impactos ambientais (!), sociais, económicos e políticos.

Seja como for, se no início dos anos 90 a globalização não era, nem de perto, o principal factor que explicava a estagnação dos salários reais medianos e o aumento das desigualdades de rendimento, ou a perda de empregos em certas regiões mais afectadas, o mesmo já não pode ser dito no contexto actual. Hoje, a globalização é um dos principais factores explicativos, senão o principal, para a estagnação dos salários medianos e o acentuar das desigualdades.

Krugman termina o seu texto alegando que o proteccionismo de Trump não é a solução adequada para estes problemas, avaliação essa com a qual se concorda.

No entanto, poderíamos sugerir algum grau de cautela a Krugman quando extrapola para o futuro as actuais tendências de estabilização do volume de comércio e prevê o fim do aumento disruptivo desse volume passível de acentuar desigualdades e criar situações insustentáveis: Krugman arrisca-se a cometer precisamente o mesmo erro uma segunda vez.

Afinal de contas, os tratados de comércio como o TTIP, o TPP, bem como as dezenas de outros que a União Europeia procura aprovar a todo o vapor, têm o objectivo deliberado e assumido de contrariar as previsões de Krugman, conduzindo a um aumento significativo dos volumes de comércio internacional – e preparam-se para fazê-lo com a mesma irresponsabilidade ambiental, social, económica e política, favorecendo as empresas multinacionais à custa dos interesses das populações.

Tal como Krugman, acreditamos que o comércio internacional pode ser justo e benéfico, mas é necessário que os seus alicerces sejam diferentes. É necessário que existam protecções ambientais, sociais e humanas efectivas subjacentes às “regras do jogo” inscritas nos acordos de comércio e investimento. Temos visto precisamente o contrário.

Comments

  1. António P. Serpa says:

    O chanfrado do ativista Krugman “acha-se”!
    Esse anormal não deixa de dizer asneiras em prol do seu socialismo egocentrado.

    O Banco Mundial ainda à relativamente pouco tempo disse:

    De 1990 a 2015, o percentual de extrema pobreza passou de 36% para 10% da população mundial, com queda média de um ponto percentual ao ano. No período, mais de 1 bilhão de pessoas deixaram de viver abaixo da linha de pobreza extrema, com menos de 1,90 dólar ao dia.
    Mas para o Krugman isso não importa nada. Que é isso de milhoes de pessoas ter conseguido sair da pobreza extrema ? Para ele isso são , como diz o outro, “pinats”.

    Lembram-se qd este lunático previu para a economia Americana quando o tramp ganhou ? Eis a realidade:

    With the calendar’s turn from June to July, the economic expansion is now the nation’s longest on record – lasting a whopping 10 years and one month.

    That’s a milestone for the U.S. economy. It’s nearly seven times longer than the average expansion (17.5 months), at least since economists first started tracking the ebbs and flows of business cycles in 1854.”

    Mas o que é que se pode esperar deste potentado intelectual com certificado e tudo (Prémio Nobel) que em 1998 “previa” com toda a certeza:

    New York – Keynesian economist Paul Krugman wrote an article that predicted that the Internet would experience a significant slowdown and the revolutionary global system wouldn’t have much of an economic effect on our lives.

    Enfim …

    António Serpa

    • Paulo Marques says:

      Pronto, ó Serpa, vá viver com 2€ por dia, que isso não é pobreza extrema.
      Krugman é um idiota, mas por razões completamente diferentes. Ignora que a desregulação financeira permite que o crédito mantenha o barco a flutuar durante mais algum tempo.
      Agora, se aquilo é socialismo…

    • Rui Naldinho says:

      “Na realidade, o Sr. Paul Krugman não percebe nada de economia. Tinha de vir você ensinar-nos.”

      Primeiro, o Banco Mundial não disse só aquilo que você escreveu. Esqueceu-se de lá por tudo o que vem no relatório, mesmo que de forma sucinta. Diz por exemplo, que de 2015 até 2018, a pobreza extrema baixou de 10% para 8,6%, ou seja, de forma mais lenta, quase metade, o que significa, segundo eles, que a este ritmo a pobreza extrema ficará ainda aquém da sua erradicação em 2030. Era um objectivo. Digamos que curto, mas era.
      Mas isso per si também não diz nada de transcendente. Estamos a falar de 1,90 dólares por dia, homem!?
      Mas, continuando com os Krugman e os Keynes desta vida, que você não gosta, uma das realidades visíveis do mundo actual, foi a de que a transferência industrial dos países ditos desenvolvidos, na Europa e EUA, para os países emergentes, não trouxe por si só uma valorização dos salários nesses países, comparáveis minimamente aos dos europeus, mesmo quando falamos de valor acrescentado no produto final. Isto, trocando por miúdos, é o mesmo que dizer que um engenheiro da Samsung ou da Huawei não ganha nem por perto, para a mesma função, repito, mesma função, um ordenado igual ao de um engenheiro norte americano da Apple, em Silicone Valey. Isto replica-se a dezenas de actividades industriais.
      E é disto que Paul Krugman fala, meu caro.
      Eu, como de certeza você mesmo, sou como o coveiro lá da minha Terra:
      “Eu não quero que ninguém morra, quero é que a minha vida corra.”

    • Democrata_Cristão says:

      Amigo Serpa

      Que é que o meu amigo anda a fumar. Tenha cuidado que na sua idade, essas coisas podem matar.

    • Paulo Marques says:

      Que coincidência, do que Krugman falava em relação à crise era este resultado inevitável, que feito por qualquer pessoa de esquerda era o fim do mundo.
      https://www.cnbc.com/amp/2019/10/25/federal-deficit-increases-26percent-to-984-billion-for-fiscal-2019.html

      Dito isto, discordo de que o défice, por si, seja um problema, o que já outras vezes levou a esquerda a suicidar-se. Mas isso é outra conversa.

  2. JgMenos says:

    Impressiona pouco a questão salarial; importa falar de poder de compra e de condições de trabalho.

    • Paulo Marques says:

      Sempre sabe mais que o Serpa, parabéns! E as condições de trabalho, como vão, com empregos à jorna para combater a inflação não existente que impedia a queda do poder de compra?

  3. A Serpa says:

    Ó Paulo Marques Einstein, se não pensasses com os pés percebias ao contrário do Krugman que a subida se deve á Globalização. Se não houvesse Globalização estas pessoas estariam mortas ou abaixo do limiar da pobreza

    A. Serpa

    • Paulo Marques says:

      Se não houvesse Globalização estas pessoas estariam calminhas na sua terra a tratar dos seus problemas invés de lidar com os problemas importados nos últimos 500 anos (incluindo genocídios e tráfico de armas), a começar pela imposição de especulação alimentar. Podia não ser assim? Podia, mas não dava o mesmo lucro.
      A ouvir os Serpas ninguém percebe como é que a humanidade não morreu toda durante os milhares de anos antes do capitalismo.

      • A Serpa says:

        Foda-se que és mesmo burro como um caralho.
        As pessoas estariam óptimas sem o globalização a comerem-se a eles próprias (literal). Vai viver para onde não haja capitalismo. O capitalismo até torna possível o teu salário de funcionário público para de cima do teu conforto dizeres as idiotices que dizes.

        A Serpa

        • Carlos Almeida says:

          Caro Serpa

          O seu nível linguístico so e ultrapassado negativamente pelo sua argumentação.
          Parabéns

          C Almeida

          • A Serpa says:

            O Almeida vejo que és muito sensivel. Desculpa lá meu…

            A. Serpa

        • Democrata_Cristão says:

          Caro Serpa

          Eu não avisei que fumar essa coisa, lhe fazia mal.

          Uns chazinhos de tília ou camomila para acalmar, é o meu conselho

        • Paulo Marques says:

          Isto é giro de acharem que sou funcionário público, onde isso lá vai.
          O Serpa acha que a globalização não é global, mas o estúpido sou eu.
          O Serpa acha que os impostos são maus, mas não vai para nem idealiza onde não há impostos nem estado, mas o estúpido sou eu.
          Outros dizem que não querem impostos, mas que o estado deve investir, pagar à polícia, ao exército e à marinha e o estúpido sou eu.

          • Ana Moreno says:

            “Outros dizem que não querem impostos, mas que o estado deve investir, pagar à polícia, ao exército e à marinha e o estúpido sou eu.” É incrível como esse pequenino detalhe é sistematicamente “esquecido”, não é? É isso e que os produtos baratinhos implicam salários baixinhos e exploração insustentável de recursos.

  4. Carlos Almeida says:

    Sr Serpa Serpa

    Eu não sou sensível.

    “Foda-se que és mesmo burro como um caralho.”

    O Sr Serpa é que além de “liberoide” é ordinário

    Lexico – liberoide – fascista envergonhado

    • Ana Moreno says:

      É muito ordinário mesmo.

      • A.Serpa says:

        Já se sabe que a homens de barba rija um vernáculo não ofende, mas o Almeida deve ser mariconso, por isso é muito sensivel

        • Ana Moreno says:

          Mais ordinarice.

        • Carlos Almeida says:

          Serpa

          És tão de barba rija que te chamei de fascista e não te ofendeste. Se calhar, não foi ofensa !

          O Serpa é como é, basta ir ver os seus anteriores posts, para o definir. Mas agora passou a um nível superior de ordinarice.
          Os seus argumentos são o insulto

          1 – “O chanfrado do ativista Krugman “acha-se”!”
          2 – “Ó Paulo Marques Einstein, se não pensasses com os pés…..”
          3 – “Foda-se que és mesmo burro como um caralho.”
          4 – “O Almeida vejo que és muito sensivel. Desculpa lá meu…”
          5- “Já se sabe que a homens de barba rija um vernáculo não ofende, mas o Almeida deve ser mariconso, por isso é muito sensível”

          Para quem aqui anteriormente, tinha colocado aqui alguns post com os quais não concordei, mas que eram escritos com educação, o senhor Serpa está a subir no nível da ordinarice. Se calhar porque se acha com poucos argumentos. Para quem anda pelos 70 anos, é estranho

          Os meus parabéns

          Carlos Almeida

  5. Julio Rolo Santos says:

    Quem se exibe em público com termos inapropriados está a dar um ar da sua graça bacoca e nem sequer merece resposta.

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