Um novo rumo

Ninguém pára para pensar.
Elis Regina

Das Mißverhältnis aber zwischen der Größe meiner Aufgabe und der Kleinheit meiner Zeitgenossen ist darin zum Ausdruck gekommen, daß man mich weder gehört, noch auch nur gesehn hat.
Nietzsche

On ne vit pas dans un espace neutre et blanc ; on ne vit pas, on ne meurt pas, on n’aime pas dans le rectangle d’une feuille de papier.
Foucault (pdf)

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Uma das hipóteses para a existência de contato num documento publicado no Diário da República é a redacção ter sido feita por um escrevente de português do Brasil ou por alguém que tenha tenha passado os anos formativos no Brasil ou em ambientes onde o português do Brasil era a língua dominante. É uma hipótese remota, mas as hipóteses remotas são as mais interessantes e são obviamente sempre excluídas à partida por quem escreve Orçamentos do Estado com os pés. Todavia, esta tese não se aplicará ao documento que hoje vos apresento, publicado no sítio do costume, no exacto dia em que os muito respeitáveis Nietzsche e Foucault fazem 176 e 94 anos,, respectivamente.

A razão é simples: um escrevente de português do Brasil não suprime o cê de respectivo. Por isso, aquele respetivo denuncia um escrevente de português europeu que obedece (por obrigação, engano, prazer ou convicção) às resoluções de quem nele manda. E isto acontece, independentemente de essas resoluções implicarem desunião ortográfica promovida por quem andou a vender a banha da cobra da ortografia comum. Para quem não sabe (efectivamente, muitos não sabem e muitos não querem saber), antes do AO90, havia respectivo em português europeu e em português do Brasil; com o AO90, continua a haver respectivo em português do Brasil, mas em português europeu o respectivo passa a respetivo .

O contato será, portanto, de um escrevente de português europeu cuja consciência fonológica foi altamente danificada quer pela adopção de um instrumento chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, quer pela leitura de notícias falsas espalhadas por muita gente, incluindo por quem assinou e executou o dito cujo.

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Comments

  1. Professor B says:

    É a maravilhosa língua unificada.

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