O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por um jogador do Benfica

On dit souvent que, depuis Copernic, l’homme souffre de savoir qu’il n’est plus au centre du monde : grande déception cosmologique. La déception biologique et cellulaire est d’un autre ordre : elle nous apprend que le discontinu non seulement nous délimite, mais nous traverse : elle nous apprend que les dés nous gouvernent.

– Michel Foucault “Croître et Multiplier

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Jonas, jogador brasileiro ao serviço do Benfica e actual melhor marcador do campeonato português de futebol, acaba de dar uma ajuda preciosa, embora involuntária, ao explicar de forma concreta o busílis do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990.

Em entrevista concedida ao jornalista brasileiro Tébaro Schmidt, da globoesporte.com (e não globoesportes.com, como se lê na notícia da versão europeia – já lá vamos), o futebolista menciona a maior decepção no Benfica. Efectivamente, a maior decepção.

 

Os serviços de tradução do jornal A Bola decidiram verter para português europeu esta parte da entrevista e o resultado é o seguinte:

Sem AO90, não é necessário traduzir decepção. Sem AO90, há decepção em Portugal e no Brasil. Com AO90, só há decepção no Brasil. Como o jornal A Bola decidiu aderir ao AO90, dando o seu contributo para a bem conhecida – aqui e alhures – «defesa da unidade essencial da língua portuguesa», eis a necessidade de explicar aos leitores portugueses o significado de decepção, através de uma das muitas aberrações ortográficas (deceção) criadas pelos autores do AO90 (há mais, sim, há mais).

Obrigado, Jonas.

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Vigiar e punir

 

“O meu verdadeiro adversário é o mundo da Finança!”
François Hollande, 22 de Janeiro de 2012

Hollande viria a ser eleito Presidente da República francesa a 6 de Maio de 2012, trazendo à França, e aos povos da Europa do sul em geral, uma renovada esperança na capacidade da social-democracia, e da esquerda em particular, para fazer frente às políticas de austeridade, ultra-liberais e de predação política, económica, financeira e cultural impostas pelo directório liderado pela Alemanha e pelos famigerados e invisíveis “mercados”.

François Hollande conquistou a confiança de milhões de franceses com um discurso de esperança e uma atitude que parecia ser determinada, fazendo uma campanha eleitoral baseada no património ideológico da esquerda democrática, evocando a justiça social como principal bandeira do seu projecto político e procurando afirmar-se como um líder europeu capaz de fazer frente à vertigem egocêntrica de Angela Merkel e Wolfgang Schäuble. Sobre os ombros de Hollande e do PS francês foi colocado o peso da responsabilidade – e da esperança – não só de corrigir o rumo da França, governada há dezassete anos consecutivos por conservadores – o último socialista foi Miterrand -, mas de ajudar a reabilitar o projecto europeu, procurando recuperar princípios de solidariedade e convergência entre Estados membros, assim como os valores tradicionalmente tidos como fundadores de uma Europa unida e com um desígnio civilizacional comum. Nada disso, contudo, aconteceu.

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La trahison des images

Michel Foucault dispensant un cours au Collège de France. Paris, 1971. © Michèle Bancilhon / AFP (http://bit.ly/2it5mGd)

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Trotz dieser intellektuellen Tortur setzt sich die »lächende Lüge« positiv von der »überzeugten« oder »höhnischen« Lüge ab,  womit eine starke Identifizierung von Einstein mit Seghers ausgedrückt sein könnte, nennt er dessen Radierungen doch — gewiß auch selbstbezüglich — »des monologues d’une agonie sénile«.

— Klaus H. Kiefer (1994/2011)

Os jogadores estão num estado calamitoso.

— Rodolfo Reis, 15/1/2017

Séparation entre signes linguistiques et éléments plastiques ; équivalence de la ressemblance et de l’affirmation. Ces deux principes constituaient la tension de la peinture classique :  car le second introduisait le discours (il  n’y a d’affirmation que là où on parle) dans une peinture d’où l’élément linguistique était soigneusement exclu.

—  Michel Foucault (1973/2010)

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P.S.: Bruno, obrigado pelo mote.