Os meus é que são bons!

Não vi a entrevista do André Ventura. Mas quem gosta dele, diz que o MST foi duro. Quem não gosta, diz que foi levezinho. Mais um típico caso tuga de “na minha área é bola na mão, na tua é mão na bola”. 

Comments

  1. Júlio Rolo Santos says:

    Também não vi a entrevista por entender que seria uma perda de tempo. André Ventura só engana os ingénuos e eu não me considero incluído nesse grupo.

  2. Paulo Marques says:

    Em questões de bola, prefiro ignorar os dois.

  3. Filipe Bastos says:

    A maioria dos tugas é realmente assim. E não é só cá, basta ver a canalha americana ou o Reino Unido pós-Brexit.

    Ser isento é conseguir apreender os vários lados: podemos preferir um, mas somos capazes de abstrair-nos e considerar todos pelos seus méritos, incluindo o nosso. Ser parcial é miopia mental; é abdicar de pensar. Se é dos nossos é bom. Se não, é mau.

    Em Inglaterra era costume pedir aos alunos para escrever dois textos sobre algo: um a favor e outro contra. Devia ser obrigatório em todo o lado. Não só na escola, toda a vida.

    • POIS! says:

      Pois é.

      Mas eu, se fosse aluno em Inglaterra, optava por escrever um texto a favor do contra. Assim bastava um e resolvia o problema de excesso de trabalhos de casa, se fosse o caso.

      Se fosse na aula, fazia três: um a favor, outro contra e outro mais ou menos. Para garantir os cem por cento. Mais, só se fosse filho de algum Lord.

    • Paulo Marques says:

      São coisas ortogonais, isenção e mente aberta. Ninguém é isento, só pensa que é.
      A alegada superioridade da isenção no Reino Unido leva a que se tenha que dar contraditório a quem questione a existência do aquecimento global, por exemplo. É uma boa maneira de que tudo fique na mesma.
      O clubismo resolve-se pela educação, não é por considerar todos os pontos de vista.

    • Filipe Bastos says:

      Ninguém é isento, só pensa que é.

      Boa, Paulo, ganhou a lapalissada do dia. O que está em causa não é a perfeição, esse cume inatingível, mas a capacidade de considerar outras perspectivas, mesmo as que se opõem ou contradizem a nossa.

      Como agora: mal li o seu argumento a rejeitar o meu, a 1ª reacção foi reforçar o meu. Mas entendo o que diz, se todas as opiniões tiverem igual valor nada se conclui. E o que não falta são opiniões, muitas delas mal informadas.

      Ainda assim, uma mente aberta bate sempre uma fechada. Sempre. Tendo tempo e pachorra, sou capaz de defender o Chega, o PCP e tudo pelo meio. Acho que isso é bom.

      Fala na educação, mas esta também não é consensual: há americanos que ainda rejeitam Darwin, quanto mais o aquecimento. Certo é que não será a censurar e a virar costas que se convence ninguém. Só se extremam posições.

      Vemos isso na ‘nova esquerda’: só querem calar o outro lado. Depois levamos com Trampas e Bozos. Obrigadinho.

      • Paulo Marques says:

        Não rejeitei o seu argumento, rejeitei a terminologia, e só no sentido da claridade.
        O problema de considerar outras perspectivas é que há perspectivas que só existem para que nada mude, como o caso paradigmático de William Buckley. E, como não há tempo para tudo, continuando a debater os méritos de tudo até toda a gente estar convencida continuamos sempre na mesma.
        Há um meio termos algures, mas nunca se esqueça que impedir o progresso por via do debate constante é uma técnica de sucesso.

        • Paulo Marques says:

          Outros exemplos:
          – porque é que ainda estamos a discutir que o vírus existe, ou que as medidas limitativas resultam quando há uma clara correlação?
          – como é que se continua a impedir que haja dinheiro para a economia real por excesso de moeda quando é injectada na finança ou no armamento ou em outros rentistas sem nenhum problema?
          – num ano infindável em casos de actuação policial, como é que é questionável que a polícia americana precise de reforma séria?
          – como é que o PS é capaz de dizer que respeita o direito à greve quando usa todos os instrumentos para que seja inútil?

          O consenso fabricado é uma vírus do caraças.

      • Filipe Bastos says:

        O que hoje mais vemos não é debate constante; é debate nenhum. Cada lado está tão certo de si mesmo que se recusa a sequer considerar o outro. Compare a maioria dos debates de Buckley com a berraria pueril de hoje.

        A Tugalândia é mais calma, mas não mais sã: até um chuleco medíocre como o Ventura floresce por constatar umas verdades pedestres que o regime ignora.

        Vê o efeito de calar o que nos é inconveniente? De fazer de conta que é assunto fechado, e rebaixar os que – e não são poucos – se recusam a concordar?

        Os seus exemplos são sintomáticos: só o 2º me parece claro e inegável. Em qualquer dos outros teria algo a dizer. E nós até estamos próximos; imagine alguém do outro lado.

        • Paulo Marques says:

          Há sempre algo a dizer, também comento quando concordo no essencial. Mas chegar ao ponto de permitir escolher a nossa realidade ponto a ponto só garante que tudo fique na mesma até haver consenso, que será nunca.
          É como as regras europeias, discute-se muito e no fim ganha quem empata o processo por beneficiar do desenho da coisa, a Alemanha e a Holanda.

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